
Sabe aquele estalo involuntário ou aquela puxadinha nos dedos para relaxar as mãos durante um dia corrido? Seja na espera do transporte, no meio de uma reunião ou enquanto assiste à TV, o ruído seco das articulações faz parte da rotina de muita gente e quase sempre vem acompanhado de alertas de crenças populares: "vai engrossar a junta!" ou "vai dar junta travada na velhice!". Mas afinal, o costume traz prejuízos reais ou não passa de um mito antigo?
Diferente do que diz o senso comum, o "estalinho" por si só não destrói as articulações e nem desencadeia quadros de artrose. Fernando Azevedo, ortopedista e coordenador da equipe de mãos do Hospital Ortopédico do Estado da Bahia, explica o que realmente ocorre no corpo durante o movimento.
"O estalo acontece por uma mudança rápida de pressão dentro da articulação, formando uma pequena cavidade de gás no líquido sinovial. É esse fenômeno, chamado cavitação, que produz o som", detalha o especialista.
O médico tranquiliza quem tem a mania no dia a dia. "Até hoje, não há evidências de que estalar os dedos cause artrose. Também não está comprovado que esse hábito provoque engrossamento ou deformidade permanente das articulações", garante.
O limite entre o alívio e o risco
Apesar da mecânica inofensiva na maioria dos casos, o hábito exige cautela quando deixa de ser apenas um movimento casual. Segundo o ortopedista, a ciência não estipula uma quantidade máxima diária de estalos, mas o alerta acende a depender do esforço e dos sintomas que acompanham o ato.
"Não existe um número definido pela ciência. O mais importante não é a quantidade, mas se existe dor, desconforto ou necessidade de aplicar muita força para provocar o estalo", alerta o ortopedista.

O ponto de atenção deve ser imediato ao sinal de desconfortos físicos. "Deve-se procurar um ortopedista quando o estalo vier acompanhado de dor, inchaço, perda de força, limitação do movimento, deformidade ou travamento. Um dedo que estala e trava, por exemplo, pode ser um dedo em gatilho".
Outro comportamento perigoso é tentar resolver o problema por conta própria e forçar as articulações travadas ou rígidas. "A manipulação pode agravar uma lesão de tendão, ligamento ou da própria articulação", adverte o especialista.
Se o dedo está doloroso, deformado ou travado, não devemos forçá-lo.
Fernando Azevedo

Ansiedade, rotina de trabalho e como parar
Em muitos cenários, a mania de estalar os dedos atua como uma válvula de escape para o estresse, a ansiedade ou o tédio. No entanto, utilizar esse recurso de forma compulsiva pode ser prejudicial.
Estalar os dedos pode trazer uma sensação momentânea de alívio. O problema é quando se torna compulsivo, difícil de controlar ou começa a causar dor e desconforto.
Fernando Azevedo
Para quem passa o dia digitando ou desempenha funções manuais, o médico lembra que o risco não é o estalo em si, mas a carga de trabalho. "Músicos, digitadores e profissionais que fazem movimentos repetitivos devem ficar atentos à sobrecarga, dor, fadiga e perda de força ou destreza."

Para quem deseja desacelerar o hábito, o médico orienta a substituição por movimentos mais suaves. "Identifique os momentos em que você costuma estalar os dedos e tente substituir por alongamentos leves, abrir e fechar as mãos ou pequenas pausas".
E uma regra simples: se começou a doer, não force.
Fernando Azevedo
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Atendimento especializado pelo SUS
Para as pessoas que lidam com dores persistentes nas articulações ou limitação nos movimentos, tentar amenizar o quadro estalando os dedos não é a solução. O caminho adequado envolve o diagnóstico correto e o tratamento das causas da dor.
Na rede pública, os baianos contam com a estrutura do Hospital Ortopédico do Estado da Bahia. A unidade opera com porta fechada, ou seja, o acesso se dá obrigatoriamente via Sistema de Regulação (SRA). O paciente deve primeiro buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), ser encaminhado ao especialista e solicitar a inserção no sistema através de uma Prefeitura Bairro ou Secretaria de Saúde de seu município.

Uma vez no hospital, o paciente tem acesso a um modelo assistencial focado no combate à dor crônica. "O paciente vem para consulta no ambulatório e já na triagem pode ser indicado para o tratamento com o médico especialista em dor, antes mesmo de passar pelo especialista de área. Tem o paciente que já está no tratamento com o especialista (coluna, quadril, joelho) e o médico entende que será benéfico o acompanhamento na Clínica da Dor. E há também o paciente que opta por tratar a dor sem cirurgia, seja por receio dos riscos, idade ou qualquer outro motivo", conclui o médico.

