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Tec, tec, tec... -

Estalar os dedos faz mal ou é mito? Veja o que diz a ciência

Costume comum para aliviar o estresse traz dúvidas sobre riscos às articulações

Você também tem essa mania?
Você também tem essa mania? |  Foto: Amanda Souza / Ag. A TARDE

Sabe aquele estalo involuntário ou aquela puxadinha nos dedos para relaxar as mãos durante um dia corrido? Seja na espera do transporte, no meio de uma reunião ou enquanto assiste à TV, o ruído seco das articulações faz parte da rotina de muita gente e quase sempre vem acompanhado de alertas de crenças populares: "vai engrossar a junta!" ou "vai dar junta travada na velhice!". Mas afinal, o costume traz prejuízos reais ou não passa de um mito antigo?

Diferente do que diz o senso comum, o "estalinho" por si só não destrói as articulações e nem desencadeia quadros de artrose. Fernando Azevedo, ortopedista e coordenador da equipe de mãos do Hospital Ortopédico do Estado da Bahia, explica o que realmente ocorre no corpo durante o movimento.

"O estalo acontece por uma mudança rápida de pressão dentro da articulação, formando uma pequena cavidade de gás no líquido sinovial. É esse fenômeno, chamado cavitação, que produz o som", detalha o especialista.

O médico tranquiliza quem tem a mania no dia a dia. "Até hoje, não há evidências de que estalar os dedos cause artrose. Também não está comprovado que esse hábito provoque engrossamento ou deformidade permanente das articulações", garante.

O limite entre o alívio e o risco

Apesar da mecânica inofensiva na maioria dos casos, o hábito exige cautela quando deixa de ser apenas um movimento casual. Segundo o ortopedista, a ciência não estipula uma quantidade máxima diária de estalos, mas o alerta acende a depender do esforço e dos sintomas que acompanham o ato.

"Não existe um número definido pela ciência. O mais importante não é a quantidade, mas se existe dor, desconforto ou necessidade de aplicar muita força para provocar o estalo", alerta o ortopedista.

Há quem nem perceba que está fazendo o movimento
Há quem nem perceba que está fazendo o movimento | Foto: Amanda Souza / Ag. A TARDE

O ponto de atenção deve ser imediato ao sinal de desconfortos físicos. "Deve-se procurar um ortopedista quando o estalo vier acompanhado de dor, inchaço, perda de força, limitação do movimento, deformidade ou travamento. Um dedo que estala e trava, por exemplo, pode ser um dedo em gatilho".

Outro comportamento perigoso é tentar resolver o problema por conta própria e forçar as articulações travadas ou rígidas. "A manipulação pode agravar uma lesão de tendão, ligamento ou da própria articulação", adverte o especialista.

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Se o dedo está doloroso, deformado ou travado, não devemos forçá-lo.

Fernando Azevedo
Fernando Azevedo, ortopedista e líder da de cirurgia de mão do Hospital Ortopédico da Bahia
Fernando Azevedo, ortopedista e líder da de cirurgia de mão do Hospital Ortopédico da Bahia | Foto: Arquivo pessoal

Ansiedade, rotina de trabalho e como parar

Em muitos cenários, a mania de estalar os dedos atua como uma válvula de escape para o estresse, a ansiedade ou o tédio. No entanto, utilizar esse recurso de forma compulsiva pode ser prejudicial.

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Estalar os dedos pode trazer uma sensação momentânea de alívio. O problema é quando se torna compulsivo, difícil de controlar ou começa a causar dor e desconforto.

Fernando Azevedo

Para quem passa o dia digitando ou desempenha funções manuais, o médico lembra que o risco não é o estalo em si, mas a carga de trabalho. "Músicos, digitadores e profissionais que fazem movimentos repetitivos devem ficar atentos à sobrecarga, dor, fadiga e perda de força ou destreza."

Pessoas que trabalham digitando devem ficar atentas
Pessoas que trabalham digitando devem ficar atentas | Foto: Reprodução / Magnific

Para quem deseja desacelerar o hábito, o médico orienta a substituição por movimentos mais suaves. "Identifique os momentos em que você costuma estalar os dedos e tente substituir por alongamentos leves, abrir e fechar as mãos ou pequenas pausas".

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E uma regra simples: se começou a doer, não force.

Fernando Azevedo

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Atendimento especializado pelo SUS

Para as pessoas que lidam com dores persistentes nas articulações ou limitação nos movimentos, tentar amenizar o quadro estalando os dedos não é a solução. O caminho adequado envolve o diagnóstico correto e o tratamento das causas da dor.

Na rede pública, os baianos contam com a estrutura do Hospital Ortopédico do Estado da Bahia. A unidade opera com porta fechada, ou seja, o acesso se dá obrigatoriamente via Sistema de Regulação (SRA). O paciente deve primeiro buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), ser encaminhado ao especialista e solicitar a inserção no sistema através de uma Prefeitura Bairro ou Secretaria de Saúde de seu município.

Hospital fica no Cabula
Hospital fica no Cabula | Foto: Pablo Barbosa / Sesab

Uma vez no hospital, o paciente tem acesso a um modelo assistencial focado no combate à dor crônica. "O paciente vem para consulta no ambulatório e já na triagem pode ser indicado para o tratamento com o médico especialista em dor, antes mesmo de passar pelo especialista de área. Tem o paciente que já está no tratamento com o especialista (coluna, quadril, joelho) e o médico entende que será benéfico o acompanhamento na Clínica da Dor. E há também o paciente que opta por tratar a dor sem cirurgia, seja por receio dos riscos, idade ou qualquer outro motivo", conclui o médico.

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