25º Salvador, Bahia
previsao diaria
Facebook Instagram
WHATSAPP
Receba notícias no WhatsApp Entre no grupo do MASSA!
Home / Viver Bem

Comportamento - 01/04/2026, 07:00 - Vitória Sacramento*

Especialistas orientam como lidar quando crianças mentem

Forma como os adultos reagem diante dessas situações tem papel decisivo na frequência do comportamento

As crianças observam o comportamento dos adultos
As crianças observam o comportamento dos adultos |  Foto: Ilustrativa/Freepik

Celebrado em 1º de abril, o Dia da Mentira costuma ser marcado por brincadeiras, mas fora do tom bem-humorado, a mentira no comportamento infantil pode gerar dúvidas e preocupação entre pais e responsáveis. Frases comuns como “não fui eu” ou “já fiz a lição” fazem parte da rotina de muitas famílias, levantando questionamentos sobre até que ponto esse comportamento é considerado normal.

De acordo com a pedagoga Jacqueline Cappellano, as primeiras mentiras surgem, em geral, entre os três e quatro anos de idade, fase em que a criança começa a desenvolver habilidades cognitivas importantes, como imaginação, linguagem e compreensão de regras sociais. “Esse é um passo importante no amadurecimento cognitivo. Na maioria das vezes, a mentira infantil não está ligada à malícia ou à intenção de enganar de forma grave. Muitas vezes, ela surge por medo de punição, para agradar aos adultos ou simplesmente como extensão do universo imaginativo da criança”, explica.

Segundo a especialista, o chamado “faz de conta” é essencial para o desenvolvimento emocional e criativo, e nem sempre deve ser interpretado como uma tentativa consciente de enganar. “É importante lembrar que a criança ainda está aprendendo a lidar com regras sociais e emoções. Mentir pode ser uma tentativa de resolver um problema imediato, sem que ela compreenda totalmente as consequências”, destaca.

A forma como os adultos reagem diante dessas situações tem papel decisivo na frequência do comportamento. Reações agressivas, punições severas ou constrangimentos podem intensificar o problema, fazendo com que a criança recorra ainda mais à mentira. “Quando a mentira é descoberta, o ideal é manter a calma e conversar com a criança. Reações muito duras podem aumentar o medo e fazer com que ela minta ainda mais para evitar punições”, orienta Cappellano.

Em casos em que a criança mistura fantasia com realidade, como ao inventar histórias sobre situações que não viveu, o ideal é acolher o relato e ajudá-la a diferenciar imaginação de fatos. “Essa abordagem ajuda a criança a refletir sobre o que disse sem se sentir envergonhada e transforma a situação em aprendizado, mostrando que fantasias podem fazer parte das brincadeiras, mas que, nas conversas do dia a dia, a honestidade é fundamental”, completa.

Exemplo em casa

Outro ponto importante destacado pela especialista é o exemplo dentro de casa. As crianças observam o comportamento dos adultos constantemente e podem reproduzir atitudes, inclusive quando percebem pequenas mentiras no cotidiano. “As crianças observam o comportamento dos adultos o tempo todo. Quando veem pais ou responsáveis mentindo em situações cotidianas, podem entender que isso é aceitável”, afirma.

Leia Também:

Ambientes familiares acolhedores, com espaço para diálogo e escuta, tendem a reduzir a necessidade da mentira como mecanismo de defesa, favorecendo a construção de valores como a honestidade. “A criança precisa sentir que pode dizer a verdade sem medo de humilhação ou punições desproporcionais. Quando o ambiente familiar é acolhedor, o diálogo acontece com mais naturalidade”, ressalta.

Apesar de fazer parte do desenvolvimento infantil, há situações que exigem atenção. Quando a mentira se torna frequente, compulsiva ou passa a prejudicar a própria criança ou terceiros, pode ser um sinal de alerta para questões emocionais mais profundas. “Se a criança mente de forma persistente, mesmo sem motivo aparente, ou usa a mentira como principal forma de lidar com conflitos, é importante buscar orientação de um profissional especializado”, finaliza Cappellano.

*Sob a supervisão do editor Anderson Orrico

exclamção leia também