Depois do câncer de mama: cirurgia garante mama nova e devolve autoestima

Especialista explica como a evolução da medicina tem ajudado as pacientes oncológicas

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Novo brilho - - Rebeca Nascimento

Ao observar o corpo, a servidora pública Flávia Oliveira, de 42 anos, notou que havia algo diferente em sua mama. Fez exames, mas os resultados não mostraram nada fora do normal. Meses depois, entre agosto e setembro de 2025, Flávia voltou a perceber que havia um problema: um caroço e uma retração na pele a fizeram voltar no ginecologista.

Foi assim que veio o diagnótico de câncer de mama e matástase para a axila. "Veio aquele baque. Eu fiz tudo certinho e de repente eu sou surpreendida com um diagnóstico de câncer de mama. O chão vai embora, você se desespera", desabafou Flávia.

Apesar da situação delicada, Flávia não se deixou abater, realizou os exames necessários e logo deu início ao tratamento. "A quimioterapia foi tranquila, que é o medo maior de todo mundo, mas eu não senti nada", explicou a servidora, destacando que depois de tudo se preparou para realizar a cirurgia.

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Eu fazia quimio na quarta e na quinta eu estava na academia

Flávia Oliveira
Imagem ilustrativa da imagem Depois do câncer de mama: cirurgia garante mama nova e devolve autoestima
Foto: Ana Albuquerque / Ag. A TARDE

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O tratamento seguiu, mas as dificuldades não pararam, e Flávia também precisaria passar pela mastectomia, que é o processo cirúrgico de remoção da mama. Quando soube que passaria pro esse processo, Flávia estudou e até conversou com outras mulheres que pasaram pelo mesmo, tudo isso para saber se partiria ou não para processo de reconstração da mama após a retirada. A perda de cabelo e arroxeamento das unhas foram fatores que abalaram a autoestima dela, e por isso ela optou passar pela reconstrução.

Processos cirúrgicos

Durante esse processo e pesquisas, Flávia soube que já poderia sair da mastectomia com o seio reconstruído. "Duas pacientes me contaram que fizeram [a mastectomia] aqui em Salvador e que de imediato já saíram com a prótese. Resolvi vir pra cá fazer o procedimento com a reconstrução imediata", relatou a servidora, que mora em Itabuna e veio à capital para realizar o procedimento.

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Eu não saíria com a sensação de mutilada, o que me chocaria muito

Flávia Oliveira
Imagem ilustrativa da imagem Depois do câncer de mama: cirurgia garante mama nova e devolve autoestima
Foto: Ana Albuquerque / Ag. A TARDE

Pensar na própria imagem sem as mamas era um problema para Flávia, que já vivia um processo de baixa autoestima em razão de todo o desgaste que envolve um tratamento de câncer. "Eu pensei: 'meu Deus, vou ficar sem as duas mamas, vou ficar paracendo um homem. Já estou sem cabelo, feia', pensei naquele momento em que estava sensibilizada", detalhou.

Foi por issoq ue ter saído da cirurgia de mastectomia já com a prótese fez toda diferença para a sua relação com o próprio corpo dali pra frente. "Diante de um diagnóstico de câncer de mama, tudo é importante. Eu costumo contar às pessoas que o câncer ataca todas as vaidades femininas, você perde o cabelo, têm unhas roxas, perde as unhas, e, de repente, se você se vê também sem a mama, mexe muito com o seu psicológico", contou.

O que é a reconstrução mamária?

Em 6 de maio de 1999, a reconstrução mamária foi instituída pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A lei nº 9.797, garante que a mulher que sofrerem mutilação total ou parcial de mama decorrente de utilização de técnica de tratamento de câncer têm direito a cirurgia plástica reconstrutiva, bem como a tratamento fisioterapêutico, quando indicado pelo médico assistente e conforme regulamentação do Ministério da Saúde, para reabilitação e prevenção de complicações pós-tratamento.

A partir de 2013, a Lei passou a afirmar que quando existirem condições técnicas, a reconstrução será efetuada no mesmo tempo cirúrgico. No caso de impossibilidade de reconstrução imediata, a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a realização da cirurgia imediatamente após alcançar as condições clínicas requeridas.

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Do ponto de vista técnico, é sempre preferível que a gente faça essa reconstrução no primeiro momento

Larissa Bitencourt
Flávia Oliveira recebeu o diagnóstico de câncer em 2025
Flávia Oliveira recebeu o diagnóstico de câncer em 2025 | Foto: Ana Albuquerque / Ag. A TARDE

A médica mastologista Larissa Bitencourt, que atua na área há 12 anos, explica que, com o passar do tempo, o tratamento contra o câncer de mama evoluiu e deu mais segurança para as mulheres. Hoje em dia, é possível retirar o tumor e ainda preservar parte da mama, sem compremeter a cura da paciente. Mas ela reforça que, para isso, é necessário uma avaliação, pois cada caso é individual e pode acontecer da mama precisar ser totalmente retirada.

Ainda segundo a médica, o desenvolvimento da ciência, permitiu que técnicas diferentes fossem usadas durante a reconstrução. "Quando a gente fala em reconstrução mamária, tem um outro termo que a gente escuta e que faz parte do tratamento, que é a cirurgia oncoplástica. A gente junta o tratamento oncológico, com técnicas de cirurgia plástica. Eu uso as técnicas de redução de mama, mamoplastia, mastopexia, que vieram da cirurgia estética", destacou.

Larissa esclarece que a orientação é fazer a reconstrução do seio logo após a realização da mastectomia, mas também sinaliza que esse procedimento pode ser feito depois.

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Do ponto de vista técnico, é sempre preferível que a gente faça essa reconstrução no primeiro momento

Larissa Bitencourt
Larissa Bitencourt é médica mastologista e atua há 12 anos na área
Larissa Bitencourt é médica mastologista e atua há 12 anos na área | Foto: Arquivo pessoal

A razão de ser feito logo, como aconteceu com Flávia, é justamente para minimizar os impactos estéticos e emocionais da perda da mama. "A paciente não vai ter a sensação de ficar sem a mama, ela já vai sair do centro cirúrgico com algo. Claro que não é igual a mama que ela tinha, mas em termo de composição de volume não fica vazio, e caso precise fazer a radioterapia já vai ser com a mama, com o implante definitivo", disse.

Apesar da recomendação, há casos em que não é possível que o procedimento seja feitodessa forma. "Quando não é possível, é feita a mastectomia convencional e, se for do desejo da paciente,planeja-se essa reconstrução, para depois que encerrar todo o tratamento oncológico", detalhou a médica.

A mastologista deixa claro que apesar de importante em diversos aspectos, a decisão de fazer ou não a reconstrução deve ser sempre da mulher. "Já tive pacientes que me disseram que não queriam reconstruir, pois mesmo sendo uma parte muito difícil da vida, era também uma marca que deveria ser preservada. Algumas têm receio dos riscos, já que a reconstrução exige um tempo maior de cirurgia. A grande questão é respeitar essa vontade", concluiu Larissa.

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