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alta periculosidade - 20/04/2026, 10:16 - Bruno Dias - Atualizado em 20/04/2026, 10:36

Da Bahia pro RJ: Foragido, Dada já pegou diretora e atormentou cadeia

Ednaldo Pereira dos Santos fazia festa particular nesta segunda-feira (20)

Criminoso integra o Baralho do Crime
Criminoso integra o Baralho do Crime |  Foto: Divulgação / SSP-BA

Uma operação chamada "Duas Rosas II" foi deflagrada pelas forças de segurança durante as primeiras horas desta segunda-feira (20), no Rio de Janeiro, com foco em prender chefões da facção baiana Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ligada ao Comando Vermelho (CV). O alvo prioritário é Ednaldo Pereira dos Santos, conhecido pelo vulgo "Dada", que fugiu de uma unidade prisional em dezembro de 2024 e também viveu romance com uma agente penal.

Conforme apuração do MASSA! com uma fonte policial, o criminoso resistiu à voz de prisão, trocou tiros com os agentes das Polícias Civis baiana e carioca e fugiu por uma uma passagem secreta na casa onde estava, na região do Vidigal, em direção a uma área de mata. Foragido, o bandido segue sendo caçado pelas forças de segurança.

Ednaldo Pereira dos Santos, conhecido pelo vulgo "Dada", está sendo caçado pela polícia nesta segunda-feira (20)
Ednaldo Pereira dos Santos, conhecido pelo vulgo "Dada", está sendo caçado pela polícia nesta segunda-feira (20) | Foto: Arquivo Pessoal

Fuga de presídio

Dadá e outros 15 detentos fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis no dia 12 de dezembro de 2024, após um ataque armado. A principal linha de investigação aponta que o objetivo principal era conseguir libertar Dadá, que partiu para o Rio de Janeiro em busca de refúgio na matriz da facção das duas letras.

Veja o vídeo da fuga:

Cerca de um ano após a fuga, em dezembro de 2025, apenas um foragido foi recapturado e outros dois mortos. Os demais 13 detentos seguem foragidos, inclusive Dadá, que está sendo caçado nesta segunda.

O chefão do PCE, apesar de preso, tinha envolvimento no planejamento da fuga em massa. Ele recebeu ajuda de dentro do conjunto penal, da ex-diretora Joneuma Silva Neres, de 33 anos, com quem teve uma relação amorosa.

História de filme: amor criminoso

Primeira mulher a ocupar o cargo de diretora no sistema prisional baiano, Joneuma concedia regalias aos presos, permitia visitas sem fiscalização e, de acordo com depoimentos, manteve um relacionamento íntimo com Dadá, inclusive com relações sexuais dentro da unidade prisional.

Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, de 33 anos
Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, de 33 anos | Foto: Arquivo Pessoal

As investigações mostram que Joneuma autorizou a entrada de roupas, eletrodomésticos e outros itens proibidos na unidade, além de encontros privados com Dadá, realizados em salas do presídio sem qualquer supervisão. Para os investigadores, essa relação próxima foi determinante para que o grupo liderado por Dadá organizasse a fuga.

Mudança de lado

Presa dias depois da fuga, Joneuma foi liberada para a deixar a cadeia em março deste ano. A decisão judicial consta que a mulher, de 35 anos, cumpra a pena em regime domiciliar, com permanência em casa, podendo sair apenas em casos de emergências médicas, que devem ser comunicadas em até 24h. Ela firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Secretário alertou para elo criminoso entre BA-RJ

A ligação entre o Rio de Janeiro e a Bahia, estreitamente como refúgio para chefões de facções criminosas, foi alertado pelo MASSA! em junho de 2025. Em entrevista exclusiva com a reportagem, no início deste mês, o secretário da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Marcelo Werner, ressaltou que a pasta está monitorando essa prática e já tem conversado com as secretarias de outros estados para combatê-la.

"A partir de 2022, a gente veiu um fenômeno que foi a associação das grandes facções do eixo do Sudeste com as facções locais, regionais. E a partir disso, a gente começa a fortalecer as ações de integração. Esses estados, também do Sudeste, passam a ser locais de esconderijo das lideranças que fogem da Bahia para poder estar nas grandes comunidades. Exemplo disso foram as operações que culminaram em prisões de lideranças lá nesses estados: São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados. Só esse ano nós temos 36 lideranças, metade delas em outros estados da Federação. Quatro delas na Bolívia", destacou.

Aspas

Hoje o crime não tem fronteiras, então a gente precisa se antecipar a isso

Secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner
Secretário da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Marcelo Werner
Secretário da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Marcelo Werner | Foto: Shirley Stolze/ Ag. A Tarde

Segundo o titular da pasta, o sudeste, sobretudo o Rio de Janeiro, tem abrigado um grande número de chefões do crime, em maioria o Comando Vermelho (CV), foragidos da Justiça baiana. Conforme uma fonte policial ao MASSA!, nomes como Dada, Zoio de Gato e Buel estão entre os indivíduos, mas ainda existe uma resistência para capturá-los, por conta da proteção oferecida pela matriz do tráfico.

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