
O anúncio de novas medidas do governo federal para segurar o preço dos combustíveis virou motivo de bate-boca político. O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, foi às redes sociais para criticar o corte de impostos e os subsídios criados para evitar que a alta do petróleo no exterior chegue ao bolso do trabalhador. No entanto, o parlamentar "esqueceu" de mencionar que decisões tomadas no governo do seu pai, Jair Bolsonaro, ajudam a explicar por que o preço na bomba varia tanto hoje em dia.
A alta no preço do petróleo acontece por causa da guerra no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz, canal por onde passa 25% de todo o petróleo do mundo. Com a crise, o preço do barril disparou no mercado internacional.
O que Lula fez para conter os preços?
Para evitar que a gasolina e o diesel subam nos postos e pesem no custo de vida, o governo aprovou duas medidas com duração de 30 dias:
- Zerar impostos federais: Zera os tributos de importanção e venda da gasolina e mantém a desoneração do etanol.
- Ajuda no preço do diesel: Aumenta o desconto dado aos importadores para amortecer o valor do combustível usado no transporte de cargas e ônibus.
O dinheiro para bancar essa conta vem dos próprios lucros extraordinários que a Petrobras teve com o petróleo, o que garante o alívio na bomba sem furar o orçamento público.
O que Flávio não mencionou na crítica?
Ao criticar o pacote de proteção ao consumidor, o senador deixou de fota fatos importantes do governo anterior que mudaram a regra do jogo nos postos.
- A venda da BR Distribuidora: Em 2021, o governo Bolsonaro privatizou os postos BR. Antes, a rede era do povo e servia como freio de mão. Se a Petrobras baixaba o preço, a BR baixava primeiro e forçava os outros postos a fazerem o mesmo. Sem a BR estatal, o desconto na refinaria nem sempre chega ao motorista.
- A dívida do ICMS sem os estados: Às vesperas da eleição de 2022, o governo passado cortou o imposto estadual dos combustíveis para baixar o preço na marra, prometendo pagar a conta aos governadores. A promessa não foi cumprida, gerando um rombo de R$ 30 bilhões nos cofres estaduaus que teve de ser quitado depois.
- Venda de fábricas de fertilizantes: A gestão passada vendeu três fábricas da Petrobras que produziam insumos para a agricultura. O país passou a depender do produto vindo de fora, o que encareceu o adubo e fez o preço da comida subir no mercado.

