
Um encontro entre o empresário Fábio Carvalho, controlador do Grupo Abril, responsável pela revista Veja, e Flávio Bolsonaro (PL) entrou no meio da guerra eleitoral. Carvalho participou de um jantar com o candidato à Presidência antes da revista publicar acusações envolvendo Lula (PT) e Daniel Vorcaro.
A presença do empresário no encontro foi citada por João Moreira Salles em artigo publicado na revista Piauí. O jantar aconteceu em São Paulo, ainda em agosto, e reuniu Flávio e nomes de peso do mercado financeiro e empresarial.
Carvalho não estava sozinho. Segundo levantamento publicado pela CNN Brasil à época, pelo menos 14 empresários participaram do jantar, entre eles executivos ou representantes ligados a bancos, B3, Votorantim, Gerdau e outras grandes empresas.
No encontro, Flávio falou sobre a campanha e sobre como pretendia lidar com o Centrão e o Supremo Tribunal Federal (STF) caso chegasse ao Palácio do Planalto. O jantar ocorreu na casa de Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil.
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A reunião voltou aos holofotes depois que a Veja publicou uma reportagem atribuindo a Vorcaro relatos sobre um suposto financiamento irregular de um documentário sobre Lula, dirigido por Oliver Stone.
Até o momento, porém, não existe prova pública de que o jantar tenha interferido na linha editorial da revista ou tenha qualquer ligação direta com a publicação da reportagem.
PF bateu de frente com versão
Segundo a Veja, Vorcaro teria dito que colocou cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo na produção do filme sobre Lula. O suposto pagamento estaria relacionado a interesses do então banqueiro em negócios envolvendo fundos de pensão.
A versão provocou uma forte reação porque a própria Polícia Federal veio a público para negar pontos centrais da publicação.
Em nota oficial, a PF afirmou que Vorcaro “não prestou depoimento com o teor relatado na matéria”. A corporação também disse que o ex-banqueiro não entregou anexos, documentos ou informações com aquele conteúdo à instituição.
A Polícia Federal confirmou que a defesa de Vorcaro apresentou propostas de colaboração premiada. Elas, no entanto, não foram aceitas pela corporação por não atenderem aos requisitos legais.
O caso ainda ganhou um novo capítulo. A PF informou ter recebido uma notícia-crime pedindo providências urgentes sobre os fatos relacionados à publicação e encaminhou o material para análise da área técnica.
PGR também se manifestou
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também esclareceu como ocorreram as tratativas envolvendo uma possível delação de Vorcaro.
Segundo a PGR, todo o contato foi feito por meio dos advogados do ex-banqueiro. O órgão ressaltou que não houve interlocução direta entre Vorcaro e representantes da Procuradoria.
A PGR também afirmou que não houve depoimento oral do empresário. As propostas de colaboração foram apresentadas pela defesa e acabaram rejeitadas.
Celular não trouxe suposto pagamento
Outro ponto que colocou ainda mais pressão sobre a história apareceu na análise do celular de Daniel Vorcaro.
Mensagens extraídas do aparelho pela Polícia Federal não apresentaram evidências do suposto financiamento de R$ 30 milhões ao documentário sobre Lula durante o período investigado.
O conteúdo do celular, por outro lado, trouxe referências a investimentos em produções relacionadas a Jair Bolsonaro e Michel Temer. O filme sobre Lula aparece de forma limitada, sem registro que comprove o pagamento descrito na acusação.

