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Deputada do PL reclama de políticas sociais, mas mãe recebe benefício

BPC é pago desde 2019, enquanto Débora Campopiano também divulga trabalhos e cursos de artesanato nas redes sociais

Eduarda Campopiano foi eleita em São Paulo
Eduarda Campopiano foi eleita em São Paulo |  Foto: Reprodução/Instagram

Conhecida pelo discurso conservador e pelas críticas a políticas voltadas a mulheres e minorias, a deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL) virou assunto por causa de um benefício recebido dentro da própria família.

A mãe da parlamentar, Débora Campopiano, recebe desde 2019 o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago pelo Governo Federal por meio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação foi divulgada inicialmente pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Débora é artesã e atualmente tem 59 anos. Como o BPC destinado a idosos exige idade mínima de 65 anos, ela só pode se enquadrar na modalidade destinada a pessoas com deficiência, desde que cumpra os demais requisitos estabelecidos pela legislação.

O benefício garante o pagamento mensal de um salário mínimo para pessoas com deficiência de qualquer idade ou idosos a partir dos 65 anos que estejam em situação de baixa renda. Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621.

Para ter direito ao BPC, a regra geral estabelece renda familiar de até um quarto do salário mínimo por pessoa, o equivalente atualmente a R$ 405,25. Pessoas com deficiência também passam por avaliação específica para comprovar a condição exigida pelo programa.

Mãe vende cursos e peças artesanais

O caso ganhou repercussão também por causa da atividade profissional exercida por Débora. Ela mantém um perfil nas redes sociais com cerca de 28 mil seguidores, onde divulga trabalhos de artesanato, principalmente bonecas de pano, além de cursos relacionados à produção das peças.

Em publicações citadas pela reportagem original, aparecem ofertas de workshops e cursos pagos. Em uma delas, feita em 2023, um treinamento era anunciado por R$ 67 à vista ou parcelado. Outra publicação, de 2025, também divulgava um workshop com possibilidade de parcelamento.

A existência dessas ofertas, porém, não significa automaticamente que o recebimento do BPC seja irregular. Pelas regras do programa, rendimentos provenientes de trabalho autônomo e do mercado informal podem entrar no cálculo da renda familiar. O direito ao benefício depende da situação concreta do beneficiário e das pessoas consideradas integrantes do grupo familiar.

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O BPC também passa por revisões periódicas para verificar se os critérios que permitiram sua concessão continuam sendo cumpridos.

E a renda de Eduarda?

Outro ponto que ficou sem resposta é se Eduarda e a mãe vivem na mesma residência.

A informação é relevante porque filhos solteiros que moram sob o mesmo teto podem integrar o grupo familiar considerado para o cálculo do BPC. Nesse cenário, determinados rendimentos recebidos pela deputada eleita poderiam entrar na conta utilizada para avaliar a situação econômica da família.

Segundo a publicação, a assessoria de Eduarda não informou se mãe e filha moram juntas. Também não esclareceu se Débora efetivamente recebe renda com a comercialização dos cursos e trabalhos de artesanato e, em caso positivo, se esses valores foram comunicados ao INSS.

Eduarda, de 23 anos, ganhou projeção política nas redes sociais e foi eleita vereadora de Praia Grande em 2024. Antes disso, também atuou como comentarista da Jovem Pan. Nas eleições deste ano, deu um salto na carreira política ao conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

E não foi uma eleição qualquer. Campopiano terminou como a candidata a deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1.956.238 votos. Ela construiu a campanha com discurso conservador, oposição ao feminismo e críticas a pautas da esquerda.

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