
O advogado de acusação, Hédio Silva, afirmou que Mãe Bernadete sabia que seria morta 30 dias antes do crime e que a religiosa teve um encontro com a ministra Rosa Weber, então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça.
O encontro ocorreu para tratar das ameaças e a elucidação do assassinato de seu filho, Flávio Gabriel (Binho do Quilombo), que foi morto em 2017.
“Ela não tinha dúvida nenhuma de que a vida dela estava em risco {...} e quando a ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, se encontra com ela, ela (Mãe Bernadete) diz ‘Eu vou morrer’ e 30 dias depois ela foi executada de forma cruel”, disse o advogado durante o julgamento nesta terça-feira (13).
Ainda de acordo com Hédio Silva, Mãe Bernadete relacionava a ameaça de morte à disputa por terras quilombolas, por se opor aos interesses do tráfico na região.
Quantos disparou o réu efetuou?
Segundo o advogado, o réu Josevan Dionísio dos Santos atirou para matar ao efetuar 12 disparos contra a religiosa na região da cabeça, conforme laudo da necropsia.
No final, ressaltou que ela foi assassinada por lutar para garantir a titularidade da terra aos quilombolas.
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Relembre o caso
Mãe Bernadete tinha 72 anos quando foi assassinada a tiros em 17 de agosto de 2023. O crime aconteceu dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares, que também funcionava como residência da líder, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
A ialorixá era uma das principais lideranças quilombolas da Bahia e atuava diretamente na defesa do território e contra o avanço do tráfico de drogas na comunidade.
As investigações apontaram que o assassinato teria sido uma retaliação à atuação de Mãe Bernadete. A Polícia Civil identificou executores, mandantes e pessoas suspeitas de dar apoio à ação criminosa.

