
Nesta terça-feira (13), acontece o julgamento de Mãe Bernadete, assassinada no dia 17 de agosto de 2023. O júri popular é realizado no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Em informação obtida pelo MASSA!, sete jurados serão ouvidos.
O terceiro réu levado a júri popular, acusado de envolvimento no assassinato de Mãe Bernadete, é Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ” ou “Buzuim”. Josevan é apontado pelas investigações como um dos homens que participaram diretamente da execução da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira.

Em entrevista antes do início do julgamento, o advogado de defesa, Hédio Silva, afirmou que Mãe Bernadete estava inscrita em um programa estatal de proteção a defensores dos direitos humanos antes de ser morta. Para ele, a morte da ialorixá foi uma "tragédia anunciada".
“Lamentavelmente, sim. Porque ela, inclusive, estava inscrita num programa de proteção de defensores de direitos humanos. […] E já estava, repito, inscrita num programa de proteção estatal. Portanto, eu diria que, lamentavelmente, foi a crônica de uma morte anunciada. Tudo levava a crer que o desfecho da vida dela seria, lamentavelmente, o que aconteceu”, pontuou Hédio.
Também em entrevista antes do início do julgamento, Jurandir Pacífico, filho de Mãe Bernadete, relembrou o assassinato do irmão, conhecido como Binho do Quilombo, e falou sobre a falha no programa de proteção do Estado na época da morte da ialorixá. Segundo ele, a burocracia e a falta de estrutura comprometeram a proteção.
“Chegaram os assassinos e foi o que se viu no momento. Infelizmente, naquela época, o programa de proteção não tinha a robustez que tem hoje, né? Era muita burocracia, rubrica para manutenção, rubrica para compra de câmeras. Infelizmente, falhou”, afirmou Jurandir.
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Ainda em entrevista, Jurandir Pacífico comentou sobre a dificuldade de ficar frente a frente com um dos suspeitos de envolvimento no assassinato da mãe, em busca por justiça. O filho de Mãe Bernadete também afirmou que sua sobrevivência está relacionada aos programas de proteção do Estado.
“É duro você ver uma pessoa que tirou a vida de sua mãe de forma covarde. […] E você tá de frente com esse cara. Dói, dói. […] E o que garante que não vai acontecer comigo? Quem garante? Se eu tô vivo hoje, eu agradeço a Deus, em primeiro lugar”, afirmou.
Relembre o caso
Mãe Bernadete tinha 72 anos quando foi assassinada a tiros em 17 de agosto de 2023. O crime aconteceu dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares, que também funcionava como residência da líder, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
A ialorixá era uma das principais lideranças quilombolas da Bahia e atuava diretamente na defesa do território e contra o avanço do tráfico de drogas na comunidade.
As investigações apontaram que o assassinato teria sido uma retaliação à atuação de Mãe Bernadete. A Polícia Civil identificou executores, mandantes e pessoas suspeitas de dar apoio à ação criminosa.
Outros acusados já foram julgados
Em abril deste ano, Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos também passaram pelo Tribunal do Júri por envolvimento no assassinato.
Arielson, apontado como um dos executores, e Marílio, indicado pela acusação como mandante, foram condenados. Marílio morreu dois dias depois, durante uma operação policial realizada em Catu.
Agora, a Justiça vai analisar individualmente a participação atribuída a Josevan na execução.

