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Sintonia de Gravata - 06/07/2026, 09:40 - Nilson Marinho - Atualizado em 06/07/2026, 10:45

Gravações revelam atuação de advogados para facções do crime na Bahia

Cerca de 10 profissionais do Direito foram presos

Os advogados foram presos durante uma operação na semana passada
Os advogados foram presos durante uma operação na semana passada |  Foto: Reprodução/TV Globo

Parte dos 10 advogados presos durante a Operação Sintonia de Gravata, na semana passada, foi gravada intermediando ordens de integrantes de facções criminosas custodiados no Presídio de Segurança Máxima de Serrinha, a cerca de 180 quilômetros de Salvador.

Os encontros ocorreram durante atendimentos jurídicos no parlatório da unidade prisional, espaço onde os detentos têm contato com seus advogados separados por um vidro e se comunicam por meio de um interfone.

Entre setembro de 2025 e janeiro deste ano, câmeras instaladas no local com autorização da Justiça flagraram três advogados recebendo ordens e transmitindo mensagens entre líderes presos e comparsas que estavam em liberdade. As imagens foram exibidas pelo programa Fantástico, da TV Globo, no domingo (5).

Teor das conversas

As conversas registradas indicam que os advogados repassavam informações sobre o funcionamento das facções, negociações de armas e drogas e determinações para a prática de crimes, a exemplo de um possível sequestro.

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Um dos advogados filmados é Ícaro Cardoso Viana. Ele recebeu orientações de um preso para que uma mulher retirasse duas pistolas. Na conversa, o detento utiliza expressões como "peixe", "óleo" e "chá", que, segundo as investigações, fazem referência à cocaína, ao crack e à maconha, respectivamente. Os registros também mostram o preso orientando sobre pagamentos e cobranças ligados ao tráfico de drogas.

Outra investigada flagrada pelas câmeras é Fernanda Borges, a primeira advogada trans da Bahia. Em um dos vídeos, ela retira um papel escondido sob a roupa antes de iniciar a conversa com um preso. Em outro momento, o detento questiona a contabilidade da venda de drogas e passa novas determinações envolvendo armas, munições, cobranças de dívidas e até um possível sequestro.

Ícaro, Maria Mariana e Fernanda
Ícaro, Maria Mariana e Fernanda | Foto: Arquivo pessoal

Quem também aparece nas imagens é Maria Mariana Batista de Oliveira. Enquanto atuava na defesa de um integrante do Comando Vermelho (CV), ela informa ao preso que um traficante havia sido morto durante uma operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, em outubro do ano passado. Ela chega a chorar durante a conversa.

A Operação Sintonia de Gravata, que resultou na prisão dos advogados, teve como objetivo desarticular um esquema de comunicação entre facções criminosas com atuação no sistema prisional baiano. As investigações que culminaram na ação começaram após um atentado contra o diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, em maio do ano passado.

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