
Ivan Jezler Costa Junior, advogado de Edgar da Silva Santos, condenado como mandante do assassinato do cabeleireiro Valdir Macário, afirmou ao MASSA! que pretende recorrer da decisão do Tribunal do Júri. O julgamento no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, terminou na madrugada desta quarta-feira (7), com Edgar condenado a 23 anos e 3 meses de prisão e Patric Ribeiro Tupinambá a 28 anos e 7 meses.

Segundo Ivan, a defesa vai pedir a anulação do julgamento e a realização de um novo júri. O advogado questiona uma suposta confissão de Edgar durante interrogatório no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ele afirma que o cliente, que não sabe ler, assinou o documento sem conhecer seu conteúdo.
"Ele afirmou que assinou o interrogatório na polícia sem ler. E aí consta a assinatura do então advogado dele, à época. Foi isso que a acusação utilizou para poder condená-lo". Segundo o advogado, a versão atribuída a Edgar na delegacia não teria sido repetida nos depoimentos prestados posteriormente perante a Justiça.
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Questionado sobre o que poderia ter levado os jurados a condenar Edgar, o advogado atribuiu a decisão à repercussão do caso. "Tem um pouco do clamor do fato, da repercussão. Há também a questão da ausência de provas que deveriam estar nos autos e uma falta de compreensão técnica nesse caso específico".
Defesa questiona provas contra Edgar
Ivan Jezler contou que o processo contra Edgar havia sido arquivado por um juiz por falta de provas, pois ele havia entendido que não existiam elementos suficientes para levá-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Segundo o advogado, a decisão foi posteriormente reformada após recurso do Ministério Público da Bahia. Para a defesa, a condenação ocorrida agora não estaria sustentada por novas provas capazes de demonstrar a participação de Edgar no crime.
Advogado fala da absolvição por tentativa de homicídio contra irmão de Valdir
O advogado também citou a acusação relacionada a uma suposta tentativa de homicídio contra Reginaldo, irmão de Valdir Macário, que, conforme apresentado pela defesa, teria sido apontada pelo Ministério Público como possível motivação para a morte de Valdir.
Próximos passos da defesa

Com a condenação definida pelo Tribunal do Júri, Ivan Jezler afirmou que a defesa pretende apresentar recurso para tentar anular o julgamento e conseguir que Edgar seja novamente submetido ao Tribunal do Júri.
"Nós recorremos da nulidade, para anular o júri ou para ter uma decisão manifestamente contrária às provas dos autos, pelas nulidades que ocorreram, e que seja determinada a realização de um novo júri. Em relação a Edgar, estou dizendo aqui friamente e, sinceramente, para vocês: não tem prova alguma. Ele foi condenado pelos antecedentes, foi condenado por conta da repercussão do fato."
Caso os recursos não resultem na anulação do julgamento, Ivan Jezler ainda afirmou que a defesa poderá recorrer a outros instrumentos jurídicos, incluindo uma eventual revisão criminal após o trânsito em julgado.
"A revisão criminal serve para isso e vai caber, no caso de Edgar também. Mas nós esperamos e acreditamos que não vamos chegar a esse ponto, porque o recurso será provido para determinar a realização de um novo júri", finalizou.
O caso Valdir Macário

Valdir Macário foi assassinado em novembro de 2016, dentro do próprio salão de beleza, na Avenida Vasco da Gama, em Salvador. Homens armados invadiram o estabelecimento e atiraram contra o cabeleireiro enquanto ele saía do banheiro. O crime ocorreu na presença de clientes e foi registrado por câmeras de segurança.

