
Em seu novo albúm, que será lançado no dia 16 de maio, o rapper baiano Tas traz ao mundo uma mistura de musicalidades como o samba, reggae, rock e rnb, mas sem perder a sua essência do rap. O disco 'Banzo, a busca' aborda temas que vão desde saúde mental a cultura afro-brasileira, além da participação do humorista global Paulo Viera.
Escolhida como parte do nome do projeto, Banzo é uma palavra que pode ser traduzida como uma espécie de depressão hereditária negra, um sentimento profundo de não pertencimento que passa de geração em geração como reflexo do racismo e legado da escravidão.
Mais do que tristeza, a expressão é fruto de estudos e pode ser lido como um sentimento misto que une saudade de algo que não foi vivido, angústia, nostalgia e inadequação, sendo elaborado como uma causa direta do sofrimento psicológico enfrentado por pessoas negras.
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A obra, que conta com 15 faixas, reflete sobre a experiência de “ser negro” no Brasil e todas as inquietações que surgem através da dinâmica racial.
Tas revelou o que o motivou na construção do projeto. “Esse é um disco que surge muito da minha observação do mundo ao meu redor e de como uma pessoa negra pode ser afetada pela realidade do seu entorno. Uma reflexão sobre modo de vida, sobre essa imposição cada vez maior do individualismo, do 'faça você mesmo', do 'fique rico sozinho', que são ideias que na minha leitura só tem estimulado cada vez mais os índices de ansiedade, depressão e do uso de remédios controlados".
"A conclusão que busco chegar nesse disco é que precisamos do outro, precisamos estimular o coletivo, e que somente caminhando em comunidade, em uma relação diferente com nossos semelhantes, com a vida, com o tempo, poderemos encontrar respostas para as angústias que temos”, explicou o artista.
Nesse contexto, “a busca” pode ser entendida como a procura de respostas do porque estamos aqui, onde esse caminho nos leva e onde queremos chegar enquanto sociedade, além de outras reflexões existenciais que permeiam o conceito central da obra.
O disco “Banzo, a busca” propõe um outro olhar sobre o tempo, rejeitando a imposição da lógica instantânea das redes e buscando construir um outro modo de vida que traga um olhar diferente para com a natureza que nos cerca.
“Nesse álbum tem uma referência muito direta ali a Oxossi, como o rei das matas, nesse meu esforço de propor às pessoas uma outra relação com a terra e uma maior observação do mundo que nos cerca. Desse desejo que vem a identidade visual na cor verde, a utilização de conceitos africanos, a presença de elementos musicais que remetem ao samba reggae, afrobeat... tudo isso são tentativas de se entender nessa experiência de vida e conseguir viver melhor, apesar de tantas violências que nos cercam” finalizou o artista.
Participações
Além de diversas referências, álbum conta com duas participações gravadas em São Paulo do humorista Paulo Vieira, além de outros artistas convidados como Thiago Jamelão (integrante das turnês dos rappers Emicida e Matuê), Marcos Oorun (vencedor do reality show “Pipoca da Ivete”) e os artistas baianos Kafé, Billy Fat, Dois As, Raiashi e 16 Beats. Já os instrumentais ficaram por conta de Raffa Munoz (indicado ao Grammy latino pelo álbum “Meu esquema”) e dos produtores Martinz Beats, Beats by gorjah, Mengson no beat, Arkketipo, Aka Nabs, Briozzini e Nosslyah, com mixagem e masterização pelo Baruan Studio.
O grande diferencial desse trabalho é que o disco será lançado como um filme, com imagens tendo sido gravadas em diferentes pontos da capital baiana, dentre eles no Parque São Bartolomeu, Pelourinho, Largo Dois de Julho e Praia da preguiça, unindo o cinema à música.
O disco “Banzo, a busca” vem ao mundo no dia 16 deste mês às 18h, tendo seu filme exibido gratuitamente em primeira mão no mesmo dia e horário na sala de Cinema Walter da Silveira, em Salvador.
