
A possível mudança nas regras das bets pode mexer diretamente com o bolso de Bahia e Vitória. Os dois maiores clubes do estado têm histórico recente de contratos com empresas do setor, mas o cenário ainda está longe de ser definitivo.
O governo federal prepara uma Medida Provisória (MP) para endurecer as regras das apostas on-line. O texto ainda não foi oficialmente publicado e existem diferentes versões em discussão. Uma das alternativas prevê o fim dos cassinos on-line, categoria que inclui jogos como o popular “Tigrinho”, enquanto as apostas esportivas, tal qual publicidade das bets também podem sofrer novas restrições.
Para os clubes, o problema aparece principalmente nos patrocínios. As bets se tornaram uma das principais fontes de dinheiro para o futebol brasileiro: atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A possuem empresas do setor entre os patrocinadores, em contratos que movimentam mais de R$ 1 bilhão.
Vitória tem contrato com a 7K
O Vitória é o caso mais direto envolvendo o futebol baiano. O clube tem a 7K como patrocinadora máster, em contrato firmado para o período de 2025 a 2027. O acordo foi apontado como um dos maiores patrocínios da história do Leão, com valor estimado em R$ 20 milhões por ano.
Ou seja: caso uma eventual mudança impeça a atuação da empresa ou a exposição de sua marca no futebol, o Vitória pode precisar reformular o contrato e correr atrás de um novo patrocinador.
E o cenário não é apenas hipotético. Segundo o UOL, algumas casas de apostas já começaram a enviar notificações extrajudiciais a clubes prevendo a possibilidade de rescisão caso uma MP impeça a atuação das empresas. Superbet e Esportes da Sorte estão entre as empresas citadas, enquanto a Betano teria tratado do assunto diretamente com o Flamengo.

E o Bahia?
O Bahia atualmente não tem uma bet como patrocinadora máster, mas o clube também não está fora da história.
O Tricolor teve contratos importantes com empresas do setor nos últimos anos. Em janeiro de 2025, por exemplo, o clube anunciou a Viva Sorte Bet como patrocinadora máster, em um acordo de dois anos. O vínculo acabou sendo rescindido amigavelmente em janeiro de 2026.
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Poucos meses depois, em abril, o Bahia fechou um acordo de três meses com a Esportiva Bet, que ocupou a região central da camisa e também teve exposição em placas, LEDs, ações no CT e ativações com torcedores.
Portanto, mesmo sem uma bet ocupando atualmente o principal espaço comercial do uniforme, o Bahia também pode sentir os efeitos de uma eventual mudança no mercado, principalmente se houver restrições à publicidade e ao patrocínio.
Mas a MP vai acabar com todas as bets?
Essa é justamente a parte que precisa ser separada do barulho provocado pelo anúncio. O governo avalia diferentes formatos para a medida. Uma das propostas discutidas mira principalmente os jogos de cassino on-line, enquanto as apostas esportivas podem receber tratamento diferente. Também estão em discussão novas limitações para a publicidade.
O próprio mercado já trabalha com a possibilidade de revisão dos contratos caso as novas regras reduzam drasticamente a capacidade de as empresas anunciarem e patrocinarem clubes.
Além disso, o Senado já aprovou, em comissão, um projeto que prevê restrições amplas à publicidade e ao patrocínio de bets, incluindo clubes, federações, competições, transmissões esportivas, atletas e outras entidades. O texto, porém, ainda precisa avançar no Congresso.
MP não é decisão definitiva
Mesmo que o governo publique a medida, ela não vira uma lei permanente automaticamente.
Pela Constituição, uma MP tem força de lei assim que é editada, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. A tramitação passa por uma comissão mista e, depois, pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado. O prazo inicial é de 60 dias, prorrogável uma vez por mais 60. Se não for convertida em lei nesse período, perde a eficácia.
E o Congresso pode alterar o texto apresentado pelo governo antes de transformá-lo em lei.

