
O caso que investiga suspeitas de tortura na sede da torcida organizada Bamor, ligada ao Bahia, ganhou novos desdobramentos após a divulgação de áudios atribuídos ao presidente do grupo, Matheus Pires Castro.
Nas gravações, obtidas pelo g1 e pela TV Bahia, o dirigente dá orientações para agredir pessoas e afastar integrantes que pudessem tentar impedir a violência na sede da organizada, em Salvador. Em uma das mensagens, ele menciona a intenção de provocar ferimentos graves e afirma que uma das vítimas deveria apanhar para servir de exemplo.
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Matheus está entre os dez investigados presos em 28 de setembro, durante uma operação que também determinou o fechamento da sede da Bamor. Todos permanecem detidos.
Segundo as investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA), pelo menos duas pessoas teriam sido submetidas a sessões de violência física e psicológica na sede da torcida, em julho de 2026. A suspeita é de que as agressões tinham como objetivo obter confissões sobre supostas irregularidades no sistema de cadastro de associados.
Ameaças nas gravações
Em uma das mensagens, a voz atribuída ao presidente descreve a intenção de ferir uma das vítimas:
"Amanhã é tirar a saúde dele. Vamos pegar até uns alicates para a gente arrancar as unhas dele", disse.
Em outro trecho, o dirigente orienta que pessoas contrárias às agressões não participem do encontro:
"Então, quem for amigo, quem ficar com pena, quem falar que pode dar merda porque a família pode correr atrás, que pode dar polícia, nem vá para a reunião. Deixa que quem quiser resolve, entendeu? Porque amanhã ele vai ter que sair com a mão esmagada para, de lá, ele fazer cirurgia. Tem que se foder e apanhar mesmo para servir de exemplo."
As gravações também incluem uma convocação acompanhada de referência explícita à violência:
"Amanhã a gente vai pegar ele daquele jeito. Quem tiver nojo de sangue não vá, porque a gente vai pegar ele e vai ser uma cena triste para ficar de exemplo."
Em outra mensagem, aparece a ameaça: "A gente vai abrir logo a cabeça dele lá no meio, essa desgraça."

MP pede R$ 2 milhões de indenização
O Ministério Público da Bahia pediu a condenação de integrantes da Bamor e o pagamento de R$ 2 milhões por danos morais coletivos. A denúncia, protocolada no ínicio do mês, aponta que dez pessoas ligadas à presidência e à diretoria da torcida teriam participado de uma estrutura criminosa envolvida em crimes como organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça.
Além da indenização por danos morais coletivos, o MP-BA também pediu o pagamento de indenizações às vítimas por danos materiais e morais, e a manutenção das prisões preventivas.
Quem são os denunciados
- Matheus Pires Castro: presidente da Bamor
- Luciano da Silva Venâncio: vice-presidente
- Gabriel Pereira Silva: diretor-geral
- Daniel Sena Duarte: diretor de sede
- Ricardo Henrique Almeida da Silva: diretor de marketing
- Diego Allan Conceição Sacramento: diretor de patrimônio
- Ivã Cleiton de Jesus Santos: diretor de bateria
- Luiz Wagner da Silva Santana: diretor de sede
- Alan Rafael Regis Alves de Aquino: diretor financeiro
- Fernando Santana Esquivel: policial militar apontado como integrante da torcida organizada.

