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Vou mergulhar... - 23/01/2026, 07:30 - Artur Soares

Conheça mais sobre Bob Na Voz, motoboy que virou fenômeno do pagode

Cantor estourou em 2025 e voltou a ser assunto este ano após ter um vídeo íntimo vazado

Cantor Bob Na Voz
Cantor Bob Na Voz |  Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE

Humildade, bom humor e um carisma sem igual. Robert Fernandes, mais conhecido como Bob Na Voz, se tornou rapidamente um nome de destaque na nova geração do pagode baiano. Dono do hit ‘Vou Mergulhar’, o cantor é um dos representantes da onda dos bloquinhos, um novo estilo de pagodão que tomou conta dos paredões da Bahia. Entretanto, por trás do sucesso repentino, se esconde uma trajetória marcada por muita luta.

Colecionando 85 mil seguidores em seu Instagram, o baiano começou sua carreira na música em 2015. Tendo passado por bandas como Fantasmão, Golaço e Black Style, ele dividia seu tempo entre a música e o trabalho. “Eu era motoboy, ficava rondando delivery de madrugada, gravava música no celular. Sempre pedia a Deus para realizar meu sonho. Pegava chuva de moto, pegava sol, pneu furava, caía de moto”, contou em entrevista ao MASSA!.

Sua carreira alcançou um novo patamar em 2025, quando a música ‘Vou Mergulhar’ se tornou um hino dos paredões. O jovem de Pituaçu que sonhava em ser músico não conseguiu acreditar quando seu trabalho começou a ser reconhecido. “Foi uma reação incrível. No Instagram, na internet, a galera tudo dando parabéns. Minha reação foi de gratidão, estou super feliz com tudo que está acontecendo em minha vida, tudo o que eu sempre pedi a Deus”, disse.

O cantor aponta que, devido ao alto número de bloquinhos na cena, é muito fácil alguns artistas serem “esquecidos”. O segredo para contornar isso está na busca de uma musicalidade original. “Eu busco ser diferenciado, com músicas limpas, porque dá para família, criança, vovô, titio dançar os hits, e furar bolhas, ser diferente, manter a musicalidade. Se você mantiver a musicalidade de uma forma limpa, fica aí para sempre”, comentou.

O que parecia bom se tornou ainda melhor quando a cantora Claudia Leitte lançou a canção ‘Mergulhando’, inspirada na composição de Bob. Para fortalecer a parceria, a artista ainda convidou o pagodeiro para subir no palco ao lado dela no último Festival Virada Salvador.

“Me tremi todo no camarim, gaguejei até no palco, até o nome dela eu falei errado. Ela me pediu para ter calma, aí eu falei ‘Claudia, anos atrás eu tava ali no meio do povo, assistindo. Olha onde eu tô agora, com você aqui no palco da virada, com milhões de pessoas assistindo’”, relembrou o artista.

Bob Na Voz concedeu entrevista exclusiva
Bob Na Voz concedeu entrevista exclusiva | Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE

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Bob Na Voz continuou na boca do povo em 2026, mas não foi por conta de sua música. No início do ano, um vídeo íntimo do cantor com a criadora de conteúdo adulto Vhiivi Navalhes foi vazado na web. “Fiquei dentro de casa, não almocei, fiquei sem dormir, porque eu sou músico, um artista, e isso poderia prejudicar minha carreira. Tem crianças [que me acompanham], a maioria do público no interior são crianças”, explicou.

Apesar de ter estourado, o baiano nunca abandonou a vivência na comunidade. Para ele, frequentar a favela também serve como inspiração para seu trabalho. Seu maior hit surgiu justamente desse hábito de observar o que rola nos bailes funk. “Quando eu vou para o baile funk, não vou para curtir, vou para pegar a visão da musicalidade, do que o povo tá gostando e não tá gostando. Fiquei pegando a visão, vi a galera falando ‘joga para trás e mergulha’, aí vi que daria música”, afirmou.

Um repertório sem baixaria

Ao longo dos anos, o pagodão foi sendo reconhecido como um estilo musical marcado pelas músicas +18. Apesar de reconhecer a importância da “baixaria”, Bob também aposta em um repertório para curtir com a família. “Esse meio que fala de linguagem +18 é o que leva o pão para casa, rolam vários shows, o povo gosta dessas músicas. Mas, do meu jeito é diferente, tem o repertório +18 e o repertório limpo”, disse.

Bob Na Voz não esconde de ninguém seu desejo de se tornar um dos grandes representantes de seu estilo musical. A escolha de investir em músicas mais “light” é uma das estratégias para alcançar um público maior. “Eu procurei limpar porque é meu sonho, não tô brincando de fazer música. Eu quero furar bolhas, aparecer em vários programas de televisão, ajudar minha família”, detalhou.

O repertório também acaba sendo influenciado pela demanda do público. O artista tenta se manter equilibrado, agradando tanto aqueles que curtem sons mais pesados quanto aos que desejam uma sonoridade mais leve. “Tem prefeitura, aniversário, formatura em que não dá pra cantar essas músicas +18, só que o povão na favela gosta. Quando eu faço uma música limpa, me chamam de maluco, quando eu faço uma música suja, dizem que tá massa. Eu abraço os dois públicos”, pontuou.

Bob Na Voz era motoboy
Bob Na Voz era motoboy | Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE

No início do ano passado, a Prefeitura de Salvador sancionou a lei ‘antibaixaria’, que proíbe a contratação de artistas que promovam conteúdo sexual em suas músicas por meio da gestão municipal. Apesar de alguns encararem como uma espécie de censura, Bob não demonstrou estar preocupado. “Eu limo, tiro todas e boto só as músicas limpas, porque eu tenho um CD limpo, um repertório mais limpo. Se eu ver que o local não é apropriado para cantar as +18, eu não canto”, explicou.

O baiano demonstra otimismo diante da nova lei e acredita que essa é uma oportunidade para os artistas se acostumarem com músicas mais limpas. Entretanto, ele não parece “botar fé” que a situação vai durar muito tempo. “Tem que se acostumar com as músicas limpas, não só as mais +18, porque tem criança, tem filho, sobrinhos e família [que acompanha]. E isso não vai permanecer, porque a galera mesmo já está bradando”, defendeu.

Para quem deseja começar no meio da música, Bob deixou um conselho valioso. “O que eu falo para essa nova geração, que nem eu que tô chegando agora, é procurar estudar e fazer hit, fazer música. Começa com as +18, quando bater um [hit], muda. Quando você fizer uma dançante, a galera vai abraçar”, garantiu.

Celebrando os ambulantes

Depois do sucesso de ‘Vou Mergulhar’, o cantor acabou de lançar seu novo trabalho. A canção ‘Ambulante’, que ganhou um audiovisual na semana passada, serve como uma forma de homenagear uma classe de trabalhadores que não costuma ganhar o devido reconhecimento. “É uma música forte e é um tema muito importante, porque sem ambulante não tem Carnaval. A galera está abraçando e eu só tenho a agradecer”, disparou o cantor.

Tendo trabalhado como vendedor durante um período, o baiano compartilha um vínculo especial com a música. A canção também surgiu como uma forma de dar uma oportunidade para alguém que é tão batalhador quanto Bob.

“Essa ideia surgiu com o compositor Renato, ele vende queijo, é ambulante. Ele falou ‘Bob, pode gravar essa música, ela é minha’, eu falei ‘não, você vai gravar comigo’. Ele tinha o sonho de cantar e eu também tinha, eu vendia picolé e era ambulante também”, revelou.

O artista não faz distinção com quem está ao seu lado nos palcos. Se a pessoa tem o sonho de cantar, Bob busca dar uma oportunidade para a realização desse sonho. “Se a gente tá numa festa e eu vejo que tem um cantor ali no público, eu chamo para cantar. Comigo não tem essa, por isso que Deus abençoa a gente”, declarou.

Surpresas para o Carnaval

O período de Carnaval será lotado para Bob Na Voz. Uma de suas participações na festa será no dia 17 de fevereiro, no Bloco Largadinho, comandado pela cantora Claudia Leitte. Após dividir palco com ela no Festival Virada, fazer uma participação em seu bloco demonstra que a amizade dos dois não foi algo passageiro.

“É uma gratidão imensa porque ela é a rainha do axé. É difícil você ver a galera do axé dar oportunidade para a nova geração do pagode, é raro você ver isso. Isso aí foi um convite de Deus, que tocou no coração dela”, acrescentou.

Além da participação no bloco de Claudinha, o cria de Pituaçu ainda vai cantar em outras regiões da Bahia, como Juazeiro, Palmeiras e Conde. A presença forte no interior é um reflexo do carinho do público. “Fiquei surpreso, porque Bob é da nova geração, tô chegando agora, e ter esse abraço do povo é muito importante para mim. A maioria dos shows no interior que eu faço é votação do povo, o povo mesmo pede”.

O Carnaval é apenas o início de uma carreira que promete gerar muitos frutos. Sempre sonhando grande, Bob almeja alcançar o sucesso internacional no futuro. “Quero bater top um global, fazer hits, uma turnê na Europa. Quero me manter mesmo, porque é meu sonho, não é algo que eu faço brincando. É preciso estar focado no trabalho, quando eu bato uma música, eu já lanço outra”, finalizou.

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