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Música dá tesão? Entenda como o som pode apimentar o sexo

Sexóloga explica como a música pode estimular os sentidos, aumentar a presença e ajudar a criar um clima de intimidade

Confira a playlist exclusiva do MASSA
Confira a playlist exclusiva do MASSA |  Foto: Ilustrativa/ Freepik

Fantasia, lingerie, produtos de sex shop... esses são alguns dos mais diversos mecanismos que os casais (sejam ficantes, namorados ou casados) usam para dar aquela apimentada na relação.

Mas, e a música? Será que cria um clima, ou acaba quebrando ele? O Na Cama com o Massa! ouviu um grupo de cinco mulheres, todas sexualmente ativas, que trouxeram opiniões diversas sobre o uso da música durante o sexo. Vem conferir.

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A música cria um clima ou distrai?

Tudo é questão de gosto. Para Gabriela Klusener, estudante de Engenharia de Software, a música pode ser a chave para criar um clima intimista:

"Acho que a música pode muitas vezes ajudar a criar aquele clima mais intimista pro momento antes, e durante acho que cria aquele ar mais romântico, torna o momento mais 'especial', assim por dizer", diz.

Já Julia Almeida, estudante de Letras, conta que não costuma recorrer à música nos momentos de intimidade, mas não discorda que ela pode ajudar a trazer mais "conforto": "Eu particularmente não coloco, mas também não me incomodo. Dependendo do estilo, a música pode até ajudar no clima e no conforto", diz.

Ao MASSA!, a sexóloga Raquele Carvalho explica que a música ajuda a ativar áreas cerebrais relacionadas ao prazer e à recompensa:

"Quando é uma música que aquela pessoa gosta, que faz sentido para ela, pode ajudar a relaxar, diminuir um pouco as distrações externas, diminuir a ansiedade e favorecer essa sensação de estar mais presente naquele momento."

Além disso, Raquele ressalta que o cérebro é o órgão sexual mais poderoso que temos, e que a música tem poder de refletir nisso.

"Às vezes a pessoa está fazendo sexo, mas está ali pensando no trabalho, nas contas, nos filhos, no que precisa resolver amanhã, ou até preocupada com o próprio corpo e com a própria performance. Isso torna tudo muito mais difícil, inclusive de perceber as sensações que estão acontecendo naquele instante."

Raquele Carvalho, sexóloga
Raquele Carvalho, sexóloga | Foto: Arquivo Pessoal

A música dá tesão?

Sexualidade é muito individual. Para Gabriela, o som não interfere na sensação fisiológica: "Eu acho que a música em si não dá tesão, ela pode ajudar a construir o tesão, mas por si só não tem esse impacto", diz.

Já Maria Eduarda, estudante de Psicologia, diz que a música não influencia na sensação, mas a bebida sim. "Prefiro quando tô bebendo, porque aí fica tudo mais sexual", opina.

"A música pode funcionar como um elemento que ajuda a fazer essa transição, a sair um pouco desse ritmo cotidiano e entrar naquele espaço de mais presença, intimidade e prazer. Agora, tem um detalhe: isso não é uma regra. Para algumas pessoas vai favorecer, vai ajudar muito; para outras, pode inclusive distrair", alerta Raquele.

A música não funciona para todos
A música não funciona para todos | Foto: Ilustrativa/ Freepik

Como usar a música ao seu favor

Segundo a sexóloga, a música pode entrar em jogo muito antes do sexo propriamente dito — num jantar, numa conversa, durante uma massagem, no banho, em qualquer momento em que o casal esteja construindo uma atmosfera de intimidade.

Aspas

Porque desejo e excitação também são construídos pelo contexto. O sexo não inicia necessariamente quando começa o contato genital

Sexóloga Raquele Carvalho

Durante a relação, a música pode criar uma atmosfera mais relaxante ou mais estimulante, dependendo do gosto do casal e do momento — às vezes a vontade é de algo mais romântico, às vezes mais carnal:

"Eu acho importante desconstruir a ideia de que existe uma música certa para fazer sexo. Não existe. Não precisa necessariamente ser aquela música lenta, romântica ou considerada sensual", diz Raquele.

"Uma música pode despertar alguma coisa em mim porque está associada a uma lembrança, a uma fantasia, a uma experiência, ou simplesmente porque aquele ritmo mexe comigo. E para outra pessoa, a mesma música pode não provocar absolutamente nada. Então, mais importante do que procurar uma playlist que alguém classificou como 'playlist do sexo', é descobrir o que funciona para você e para sua parceria", sugere.

Explorar as músicas pode aumentar os momentos de intimidade
Explorar as músicas pode aumentar os momentos de intimidade | Foto: Ilustrativa/ Freepik

A recomendação da sexóloga é ir experimentando: colocar, num momento de intimidade, uma música que desperte desejo, e convidar a parceria a fazer o mesmo. "E aí vocês vão criando a playlist de vocês", diz.

Mas atenção: não é a música em si que aproxima um casal. "Pode favorecer a conexão, sim, mas eu teria cuidado para não colocar na música uma função que ela não tem. O que ela pode fazer é contribuir para criar um ambiente de conexão e intimidade", pondera Raquele.

"Quando duas pessoas compartilham uma música, um ritmo ou até uma memória relacionada àquela música, aquilo pode compor a experiência que elas estão vivendo juntas.

Aspas

O próprio ritmo também pode influenciar a dinâmica corporal e a maneira como aquele momento é experimentado. Mas música é um recurso, não uma solução

"Se existe dificuldade de comunicação, falta de desejo, desconforto, conflitos ou problemas na relação, não é simplesmente colocar uma playlist que vai resolver isso. Ela pode enriquecer uma experiência em que já exista espaço para intimidade, comunicação, desejo e consentimento."

Todo sexo é multissensorial

Para Raquele, a experiência sexual é multissensorial — não se vive o sexo só pelo toque. "Tem aquilo que a gente vê, aquilo que ouve, os cheiros, os sabores e tudo aquilo que a gente sente na pele. E a música entra justamente como mais um desses estímulos, através da audição", explica.

" Quando eu começo a prestar atenção na temperatura da pele, no cheiro, no gosto do beijo, nos sons, na respiração, na música, eu direciono minha atenção para aquilo que estou vivendo e sentindo naquele momento. E isso não é só uma percepção tátil", diz.

Todo sexo é uma experiência 'multissensorial'
Todo sexo é uma experiência 'multissensorial' | Foto: Ilustrativa/ Freepik

Segundo ela, existem estudos sobre mindfulness e sexualidade mostrando que a atenção ao momento presente e às sensações corporais pode favorecer a percepção da excitação e outros aspectos da resposta sexual:


"Não existe uma regra que a gente precise obrigatoriamente ativar os cinco sentidos durante o sexo, mas explorar esses estímulos pode ser uma ferramenta muito interessante para aumentar a presença, a consciência corporal e a conexão com a experiência. Porque, para sentir prazer, não basta o corpo estar ali — é importante que a nossa atenção também esteja", finaliza.

Playlist 🔥

The Weeknd, Simone Moreno, Zayn, Lana Del Rey, Djavan, Vulgo FK, Baco Exu do Blues, Alcione, Flora Matos, Liniker, Glória Groove, BK, Marina Sena... esses são alguns dos artistas mais citados quando o assunto é música para ouvir na "hora H".

Para entrar no clima, oMASSA! separou algumas músicas para quem já quer curtir. Confira no YouTube:

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