
Salvador amanheceu sem ônibus nesta sexta-feira (22). A greve dos rodoviários, que cobravam reajuste salarial e outras reivindicações, foi suspensa ainda nas primeiras horas da manhã, mas acabou reacendendo o debate sobre um possível aumento da tarifa do transporte, atualmente fixada em R$ 5,90.
A possibilidade não é discutida abertamente, nem cogitada pelas autoridades e órgãos responsáveis pelo tema, até o momento, uma vez que o último reajuste aconteceu no início de 2026.
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O discurso adotado pelo setor empresarial, no entanto, acende o sinal de alerta para a possibilidade novo aumento na tarifa. O grupo afirma que as demandas reivindicadas pelos rodoviários geram novos custos. Outro fator sempre citado pelos empresários é a crise no transporte público, tema sensível que atinge as grandes cidades do país.
População revoltada
O portal MASSA! e portal A TARDE estiveram nas ruas de Salvador, na manhã desta sexta-feira (22) para conversar com a população sobre o impacto da greve na dinâmica da cidade, além do temor de um novo aumento da tarifa.
Edilândia Martins, moradora do bairro de Plataforma, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, mostrou preocupação em entrevista ao MASSA!, com o possível reajuste na passagem, fruto do embate entre rodoviários e empresários.
"A gente tem que sair cedo para trabalhar, e estou aqui uma hora dessas. O patrão já me ligou, a gente fica se humilhando, tirando foto, porque parece que a gente está mentindo, não acredita. Então, isso para mim é uma palhaçada. E ainda tem o retorno que a gente vai ter, o resultado da greve, o aumento da passagem desses ônibus, que é um monte de lata velha", iniciou.
"Se eles quisessem fazer, de fato, um ônibus que valesse pelo menos 10 reais, mas que fosse da qualidade de um BRT. Se eles quisessem fazer, eles faziam", disparou a trabalhadora, que aguardava a solução do impasse na Estação da Lapa, uma das áreas de transbordo de maior movimento na cidade.
Subsídios
Nos últimos anos, a Prefeitura de Salvador tem feito gesto aos empresários do transporte para reduzir os danos da crise. Uma das estratégias é a concessão de subsídios para o setor.
O último amparo aprovado pela Câmara de Salvador ocorreu em novembro deste ano. Na ocasião, o valor fixado pela gestão municipal foi de R$ 67 milhões, sendo R$ 63 milhões destinados para as concessionárias do serviço regular de transporte.
Apesar do subsídio, o transporte na capital passou por um novo reajuste de tarifa na primeira semana de 2026, chegando ao valor de R$ 5,90, um dos mais altos do país. A justificativa foi de que o aumento da passagem já estava previsto em contrato.
“Vai ter reajuste na tarifa técnica e na tarifa pública. Em 2026, a gente vai ter que pagar o subsídio da diferença, mas isso é contratual, e em todos os municípios é assim”, argumentou o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), na ocasião.
O que diz a categoria?
Os rodoviários foram consultados sobre a possibilidade de reajuste tarifário, diante do acordo feito com os empresários, que atenderam parte dos pedidos da categoria, nesta sexta (22).
Logo após a suspensão da greve, Tiago Ferreira, representante do grupo e ex-vereador de Salvador, falou ao portal A TARDE sobre o risco de aumento da passagem com o acordo firmado entre rodoviários e empresários.
Segundo o dirigente sindical, o aumento da tarifa não passa pelas discussões feitas pela categoria. Ele ainda citou o subsídio aprovado recentemente.
