
Entre os diversos fetiches existentes, o sexo anal é um dos mais populares entre as pessoas da região Nordeste do Brasil. Nesse cenário, Salvador se destaca como uma das capitais com maior número de adeptos à prática, segundo dados divulgados pelo Censo dos Fetiches 2025.
O levantamento foi realizado com base nas respostas de pessoas em interações na plataforma Sexlog em 2025. Entre os múltiplos desejos selecionados, o sexo anal foi o mais escolhido pelo povo nordestino. Também aparecem no ranking orgia, cuckold, dotado e voyeurismo.
Em Salvador, o número de praticantes que marcavam preferencia por sexo anal supera 1.700 marcações, ficando atrás apenas de Fortaleza, que possui mais de 2.200 praticantes.
Ao MASSA!, a psicóloga, especialista em sexualidade humana, neuropsicóloga e terapeuta sexual, Fernanda Santiago, explicou que é preciso ter cautela na interpretação dos dados divulgados.
"Não necessariamente significa que as pessoas praticam mais determinadas modalidades, mas pode indicar maior abertura para falar sobre elas. Salvador é uma cidade com forte expressão cultural, valorização do corpo, da dança, da festa e da ocupação dos espaços públicos. Esse contexto pode favorecer uma relação mais expressiva com a sensualidade", disse ela.
Observo que o sexo anal continua despertando muita curiosidade porque ele ocupa, historicamente, um lugar de tabu. Tudo aquilo que é cercado por silêncio, moralização ou proibição tende a ganhar uma aura de mistério.
Completa a especialista
Fantasias coletivas e imagéticas
Os números relacionados ao exibicionismo e fantasias coletivas também chamam atenção. Na capital baiana, a contagem de usuários que indicaram interesse em exibicionismo ultrapassa 1.100 marcações. Enquanto Orgia e cuckold supram 1.700 registros.
Ainda segundo o levantamento, Salvador também aparece como a cidade com maior número de usuários que marcaram a preferência em fetiches imagéticos como “dotado”, superando 1.700.
A doutora Fernanda ressalta que existe um contraste. Enquanto a capital baiana possui uma forte influência religiosa, com valores conservadores, cresce o desejo por experimentar práticas vistas como 'proibidas'.
"Fantasias como orgia, cuckold e exibicionismo muitas vezes dialogam justamente com essa dimensão da transgressão, do risco simbólico e da excitação associada ao “proibido”. A expansão das redes sociais tem, sem dúvida, um papel relevante nesse cenário, contribuindo para a normalização de termos, amplia o vocabulário erótico e reduz parte do estigma.", destaca.

Novinhos adultos lideram pesquisa
No nordeste, os novinhos que estão chegando ao auge da vida adulta lideram as pesquisas. Conforme o levantamento, a faixa etária é de 25 a 34 anos, seguida por 35 a 44 e 18 a 24 anos. Para a psicóloga, é justamente nesta faixa que a busca por novas experiências se torna mais comum.
"Entre pessoas de 25 a 34 anos, isso se intensifica porque estamos falando de uma fase da vida marcada por maior autonomia, consolidação da identidade e exploração mais consciente dos próprios desejos. É um período em que muitos já viveram experiências sexuais variadas e passam a buscar novidade, ampliação de repertório e experiências que envolvam intensidade, confiança e quebra de rotina", finaliza.
