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Risco - 09/04/2026, 07:30 - Silvânia Nascimento

Quedas de marquises em Salvador reforçam necessidade de vistorias

A manutenção de marquises é orientada por uma norma da ABNT

Acidente aconteceu no bairro da Ribeira
Acidente aconteceu no bairro da Ribeira |  Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

O desabamento de uma marquise que deixou um homem ferido, na manhã desta quarta-feira (8), no bairro da Ribeira, em Salvador, acende o alerta para a necessidade de fiscalizações e manutenções em imóveis e construções em geral, já que esse acidente não foi um fato isolado. Em novembro do ano passado, uma ocorrência com causa similar foi registrada no bairro de Mata Escura, também na capital baiana, resultando em 11 vítimas, sendo três mortos e oito feridos.

Os dois casos foram ocasionados por motivos similares: obras que não foram corretamente planejadas, falta de manutenção e peso acima do permitido. Em entrevista ao MASSA!, o coordenador de fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) da Prefeitura de Salvador, Everaldo Freitas, destacou que esses três fatores são indispensáveis para evitar tragédias.

"O que ocorreu pode estar relacionado à questão de construções que não são feitas dentro da norma. A nossa preocupação sempre é que, ao executar uma construção, seja com um profissional habilitado. É importante também fazer as devidas manutenções periódicas que a construção civil exige, já que são estruturas que recebem sol e chuva. Além disso, há a questão de pesos e movimentações que não foram projetadas para aquele imóvel no momento da construção. Infelizmente, as pessoas, até por questão de economia, acreditam muito apenas na mão de obra de pedreiros em determinadas obras consideradas complexas", pontuou.

Na ocorrência da Ribeira, o proprietário do imóvel, identificado como Gilcimar Trindade, disse à imprensa que a estrutura da casa era antiga; contudo, planejava fazer a manutenção no final deste mês. Não deu tempo de Gilcimar tirar o plano do papel, porém, ele conseguiu sair com vida e, apesar dos danos materiais, vai poder construir uma nova história, mesmo com as lembranças ruins do dia 8 de abril de 2025, dia em que o seu sono foi interrompido pelo barulho do desabamento. Segundo Gilcimar, quando a estrutura cedeu, ele estava dormindo, mas despertou com os estrondos.

Imóvel da Ribeira
Imóvel da Ribeira | Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

Francisco Gabriel Santos Silva, engenheiro civil e mestre em Estruturas e Construção Civil (UnB), também reforçou a relevância das reformas e ajustes nos imóveis. "Cidades como Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro, por exemplo, são híbridas. Elas convivem com novas edificações e com edificações históricas. Então, a estrutura de cada edificação é diferente, mas a manutenção é a mesma. Construções precisam passar por periodicidade de manutenção. No caso da edificação residencial, a periodicidade é de cinco anos, sendo necessário contratar um profissional legalmente habilitado e especializado nessa tomada para que realize a vistoria", disse.

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Ainda segundo o engenheiro, a manutenção de marquises é orientada por uma norma da ABNT que, por meio de uma tabela, sugere as principais atividades de manutenção a serem feitas.

"Essa tabela indica prioridades nessa manutenção, indicando a gravidade e, inclusive, o mais importante: o prazo estimado para que o gestor resolva cada problema. Porque, digamos, na vistoria eu posso encontrar um descascamento de pintura ou uma queda de marquise que está iminente. Nesse caso, a marquise é prioritária. A pintura pode levar seis meses. A marquise é um elemento estrutural que trabalha em balanço, que é uma placa, uma laje que tem apoio em uma ponta e não tem apoio na outra; então, ela literalmente balança, ela fica com um dos lados soltos. Ali não tem um apoio, não tem pilar, e essa marquise às vezes é só uma laje, às vezes tem uma viga de apoio. Então, como um elemento de balanço, ela é mais sensível às ações", pontuou.

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