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Vale conferir - 21/05/2026, 21:00 - Artur Soares

Personagens de Ziraldo 'invadem' museu em Salvador

A mostra conta com televisores, óculos de realidade virtual, sensores de movimento e mais

A visita foi direcionada à imprensa e a abertura oficial acontece no sábado (23), às 10h
A visita foi direcionada à imprensa e a abertura oficial acontece no sábado (23), às 10h |  Foto: Shirley Stolze / Ag A TARDE

Os icônicos personagens criados por Ziraldo tomaram conta do Corredor da Vitória, em Salvador. Na manhã desta quinta-feira (21), ocorreu o lançamento da exposição Mundo Zira - Ziraldo Interativo no Museu de Arte da Bahia. Revisitando a vida e obra de um dos maiores artistas do Brasil, a atração vai permanecer na capital baiana até o dia 13 de setembro. A visita foi direcionada à imprensa e a abertura oficial acontece no sábado (23), às 10h.

Apostando em uma experiência imersiva, a mostra conta com televisores, óculos de realidade virtual, sensores de movimento, atividades interativas e muito mais. Após passar por Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Natal, a exposição chega na Bahia com uma novidade: está é a primeira vez que os visitantes poderão escutar a voz de Ziraldo contando uma de suas histórias.

Após subir uma grande escadaria feita de mármore, quem entrava no museu tinha acesso a um verdadeiro portal para a infância. Os mais velhos podiam deixar sua criança interior finalmente sair e seus cabelos brancos se tornavam apenas mais uma cor presente no ambiente. Com paredes totalmente decoradas, o colorido e os desenhos lembravam a todos o motivo de Ziraldo ter marcado tantas gerações.

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Imagem ilustrativa da imagem Personagens de Ziraldo 'invadem' museu em Salvador
Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

“Está sendo uma alegria profunda, é muito alegre todo o processo. É muito inspirador, a gente fica com vontade de fazer mais, o retorno tem sido muito bom”, contou Adriana Lins, diretora do Instituto Ziraldo e curadora artística do Mundo Zira, em entrevista ao MASSA!. “Ele era o cara do livro, então a gente traz o livro escondidinho. A gente traz tanta coisa tecnológica, eletrônica, mas a criança sai daqui lembrando do livro, da leitura, da história”, continuou.

Sendo sobrinha de Ziraldo, Adriana conta que a sensação de comandar uma mostra em homenagem ao tio é a de um “dever cumprido”. Para ela, apresentar histórias como a do Menino Maluquinho é fundamental para a formação da futura geração. “A obra do Ziraldo é atemporal, simbólica, sensível, divertida e inteligente. Eu tenho convicção profunda de que ela faz diferença na formação de uma infância”, garantiu.

A decisão em investir em atividades completamente imersivas não foi por acaso. A curadora explica que a tecnologia pode ser uma forte aliada para a literatura atual. “A gente está numa época de uma leitura muito rápida e às vezes superficial. Não adianta brigar com isso, porque está aqui já, então a gente precisa ficar atento e ter uma visão crítica . Precisamos usar a rapidez da tecnologia a nosso favor”, pontuou.

Menino Maluquinha
Menino Maluquinha | Foto: Shirley Stolze / Ag A TARDE

Pelos corredores da exposição, era possível encontrar quem se perdesse na imaginação, seja por meio do óculos de realidade virtual ou pelas telas interativas. O resultado é um ambiente que grita criatividade, enquanto anda em direção ao futuro.

“A gente pensou em trazer todo esse universo da literatura infantil do Ziraldo para essa parte mais interativa, multimídia, que é o grande lance do momento. As pessoas não estão mais querendo se conectar por puro olhar, o touch está muito presente na vida dessa nova geração”, analisou a produtora executiva e idealizadora do Mundo Zira, Marcela Sá.

Adultos pulando, crianças sorrindo e um clima de muita paz. Tudo isso só foi possível graças à magia que apenas personagens como O Menino Maluquinho, Flicts e a Turma do Pererê podem trazer. “Aqui na curadoria, foram selecionados os livros mais emblemáticos do Ziraldo. A nossa vontade é que a criança e os adultos se divirtam, brinquem com a exposição e saiam daqui com vontade de ler”, acrescentou Marcela.

A diversão também chega com muita acessibilidade. Todas as partes do local foram pensadas para abranger diferentes públicos. “Tem mesas de diferentes tamanhos para atender crianças e cadeirantes. Tem um objeto tátil, que é o Menino Maluquinho Para Cego Ver. A gente também está com as televisões com todas as distâncias para a acessibilidade, desde a criancinha pequena até os adultos”, destacou.

Imagem ilustrativa da imagem Personagens de Ziraldo 'invadem' museu em Salvador
Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

Um novo olhar para o museu

A chegada do Mundo Zira marca um momento de reconstrução do MAB. Deixando o ambiente um pouco mais “maluquinho”, a exposição edição é responsável por conquistar um novo público para o museu mais antigo da Bahia.

“A chegada de Ziraldo, que é uma exposição prioritariamente para crianças, interativa, onde as pessoas brincam com as coisas, é tudo o que a gente está querendo nesse momento, tornar o museu mais maluquinho. É a oportunidade das crianças saírem daqui com outra ideia do que é museu”, defendeu o diretor do Museu de Arte da Bahia, Pola Ribeiro.

Pintar os desenhos de Ziraldo, trocar os balões de fala dos personagens, caçar os animais da Mata do Fundão são apenas algumas atividades que os visitantes podem fazer no Mundo Zira. Ao sair da atração, os visitantes lentamente desenvolvem um novo olhar sobre a figura doi museu. “Depois que a pessoa sai dessa exposição e vai para a exposição debaixo, que é um acervo, ela já olha de uma forma diferente, o que permite ela olhar a cidade de uma forma diferente também”, afirmou.

Imagem ilustrativa da imagem Personagens de Ziraldo 'invadem' museu em Salvador
Foto: Shirley Stolze/Ag. A TARDE

O grande lançamento também contou com uma visita dos estudantes do Colégio Estadual Oliveira Brito, localizado em Fazenda Grande II. Além de ser uma oportunidade de conhecer o trabalho de Ziraldo, o passeio também foi a “estreia” de muitos estudantes dentro de um museu. Ester Santos, 15, estava maravilhada ao vivenciar pela primeira vez as aventuras que se escondem dentro dos muros do MAB.

“Eu to achando mágico, é uma sensação incrível. Me lembrou muito a TV Cultura, que eu assistia quando era pequena”, iniciou a jovem. Sendo moradora de Fazenda Grande III, o principal motivo para Ester nunca ter visitado uma instituição do tipo é a distância de sua casa. “Eu achava muito longe, mas a experiência está sendo incrível e não me arrependo de ter vindo”, destacou.

Pola Ribeiro, diretor do MAB
Pola Ribeiro, diretor do MAB | Foto: Shirley Stolze / Ag A TARDE

As atividades interativas foram o principal destaque. Para quem não tinha muito contato com o artista antes, a visita se tornou um ponto inicial para descobrir mais sobre a vida de Ziraldo. “Eu gostei da parte em que a gente pode mexer para trocar a roupa dos personagens, achei bem legal a interação e também curti aquele em que a gente pode trocar as falas do personagem. Depois de hoje, vou procurar saber mais sobre Ziraldo”, garantiu Ester.

Quem já conhecia o trabalho do artista se sentiu motivado a voltar a consumir seu trabalho. O jovem Gabriel Ramos, 17, veio de Cajazeiras XI e se sentiu encantado pelo que encontrou nas paredes da exposição. “Eu não conhecia muito o criador, mas já tinha lido algumas histórias do Menino Maluquinho. Estou achando muito interessante e gostando muito. Deu vontade de conhecer mais e entender mais sobre o Ziraldo”, afirmou.

Ao observar os sorrisos dos jovens de diferentes idades, a certeza que fica é a de que o legado de Ziraldo segue vivo e inalterado. Além disso, também surge a esperança de que, em um futuro próximo, as pessoas parem de imaginar que o museu é algo que “só tem coisa antiga”. “A melhor parte daqui é a diversão, já que tudo é muito inovador, interativo. Dá para perceber até pela estética que o museu não é algo chato”, finalizou Gabriel.

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