
O descarte incorreto de lixo nas praias continua sendo uma das principais preocupações entre especialistas ambientais e um dos riscos mais sérios à humanidade. A gravidade do cenário pode ser mensurada por meio de números estatísticos que revelaram que, só entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, período do verão em Salvador, foram retiradas 1.726 toneladas de resíduos das faixas de areia da capital baiana.
Assunto sério, porém ainda banalizado pela sociedade, poder público e instituições privadas. Os dados divulgados pela Limpurb expõem, também, mais um ponto desta preocupante realidade: a cultura do descarte incorreto segue sendo normalizada pela sociedade. Os números da prefeitura indicaram um aumento de 21% em 2024/2025 comparado ao mesmo período de 2023/2024, quando aproximadamente 1.427 toneladas de lixo foram recolhidas.
A bióloga Priscilla Malafaia pontuou que os reflexos e malefícios dessa conduta vão além do que os olhos podem ver. "O lixo não é só o visual. Quando a gente nota aquela quantidade de lixo, o impacto inicial, aparente, é o visual, mas o buraco é muito mais embaixo. Para muito além do visual, é a questão de como essa poluição consegue adentrar a cadeia trófica e também não só debilitar o grupo de outras espécies que são marinhas ou costeiras, mas também a nós mesmos. A gente não tem o devido descarte, inclusive do setor privado, das empresas. Muitas delas não têm responsabilidade socioambiental pelo produto que geram", pontuou a especialista em Biologia Pesqueira, Ictiologia e Educação Ambiental.
Segundo a prefeitura, durante o ano, a Limpurb atua com aproximadamente 200 agentes de praia, que iniciam os trabalhos a partir das 06h, de segunda a sábado. “A operação conta com o apoio de 10 tratores com carreta reboque e 7 tratores com limpadora tipo saneadora. As equipes contam ainda com cerca de 65 kits praia em toda a faixa litorânea, bem como a instalação das novas coqueiras (equipamentos em formato de coco para o descarte dos resíduos de praia), já instaladas em 09 praias durante o período de dezembro de 2025 e janeiro de 2026”, disse o órgão por meio de nota.
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Para a bióloga, o cuidado e as obrigações com o meio ambiente, que incluem os descartes corretos, não se limitam apenas a uma esfera, fazendo-se necessário o engajamento por parte da sociedade, do poder público e das empresas privadas. “Todo mundo tem participação nisso. Somos corresponsáveis pelo processo em que hoje a gente se encontra. A gente está sem o controle desse descarte, a gente não tem como descartar direito. Aqui em Salvador, 85% do lixo das praias é de origem plástica, que é um item que demora anos para se decompor. Os animais marinhos estão ingerindo microplásticos porque algumas tartarugas e peixes de médio porte fazem confusão com alguns resíduos que estão flutuando na água. Isso provoca uma série de problemas, inclusive a morte. As aves também passam por isso. Eles [animais] são também afetados por essa questão, por nossa falta de cuidado, por nossa displicência”, disse.
Ainda no comunicado enviado ao MASSA!, a Limpurb esclareceu que as ações para remoção de resíduos nas faixas de areia aumentam no período do verão; dessa forma, garante-se que os objetos não sejam levados para o mar. "Durante o verão, a Limpurb intensifica as operações de limpeza das praias aos finais de semana com as equipes de serviço complementar. Ao todo, são 100 agentes que auxiliam na limpeza da faixa de areia e orla da cidade."
