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IA x Educação - 16/04/2026, 07:00 - Silvânia Nascimento

Inteligência Artificial pode impactar no aprendizado de estudantes

Estima-se que 92% das crianças e adolescentes brasileiros de 9 a 17 anos são usuários da internet

Estudantes utilizam muito a internet
Estudantes utilizam muito a internet |  Foto: Ilustrativa/Antônio Cruz/Agência Brasil

A preocupação de profissionais da área da educação e de especialistas da saúde sobre o contato excessivo de crianças e adolescentes com aparatos tecnológicos — como celulares, tablets e computadores — tem se tornado ainda maior após a chegada da Inteligência Artificial (IA).

A má utilização do ChatGPT, uma das ferramentas frutos da IA, por parte de estudantes para a execução de atividades e demandas escolares tem se tornado, dia após dia, tema de debates entre especialistas e profissionais das respectivas áreas. Estima-se que, atualmente, 92% das crianças e dos adolescentes brasileiros de 9 a 17 anos são usuários da internet, o que, em números absolutos, significa cerca de 24,5 milhões de pessoas.

Para o pedagogo Andrei Vitório Ramos do Nascimento, 26 anos, o problema não está no uso das ferramentas tecnológicas, mas sim na falta de controle, o que pode ocasionar déficit intelectual e no aprendizado diário.

"Hoje, muitas crianças dos anos iniciais e finais têm utilizado a Inteligência Artificial para realizar pesquisas e atividades pedagógicas. No entanto, quando esse uso acontece de forma excessiva e sem orientação, pode comprometer a construção do próprio conhecimento. Em vez de desenvolver habilidades como leitura, interpretação, escrita e pensamento crítico, o estudante pode se tornar dependente de respostas prontas", disse o pedagogo.

Em entrevista ao MASSA!, Andrei citou os principais danos que a Inteligência Artificial pode causar ao público estudantil. "Esse comportamento traz prejuízos significativos ao processo de aprendizagem, pois limita a autonomia intelectual, enfraquece a curiosidade e reduz a capacidade de resolver problemas de forma independente. A aprendizagem deixa de ser um processo ativo e passa a ser apenas uma reprodução de informações, o que impacta diretamente no desenvolvimento cognitivo e na formação integral do aluno. Eu avalio o uso desenfreado da IA como um cenário preocupante, não pela tecnologia em si, mas pela forma como ela vem sendo usada”, explicou.

“Quando a IA entra na rotina sem mediação, ela tende a substituir etapas essenciais da aprendizagem. O aluno deixa de pesquisar, interpretar, errar e tentar novamente, que são justamente os processos que constroem o conhecimento. Isso pode gerar uma aprendizagem superficial, em que ele 'entrega' atividades, mas não compreende de fato o conteúdo”, completou o profissional.

Pedagogo Andrei Vitório Ramos do Nascimento
Pedagogo Andrei Vitório Ramos do Nascimento | Foto: Divulgação

É preciso cuidado com a IA

O pedagogo chama a atenção dos pais e responsáveis que normalizam e incentivam as crianças e jovens a recorrerem frequentemente ao uso da IA, sobretudo para resolver demandas da escola.

“É preciso ter muito cuidado. Os pais não devem normalizar nem incentivar o uso da IA de forma indiscriminada nas atividades escolares, porque isso pode comprometer diretamente o desenvolvimento da criança. Quando a tecnologia passa a fazer a tarefa por ela, a criança deixa de exercitar habilidades fundamentais, como ler, interpretar, questionar, pesquisar e construir suas próprias respostas. Esse processo é essencial para despertar a curiosidade e o prazer pelo conhecimento. Ao substituir o esforço da busca — como pegar um livro, investigar, comparar informações —, a criança pode se tornar mais passiva, menos investigativa e dependente de respostas prontas”, alertou.

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Apesar das recomendações, Andrei destaca, também, que a solução não está na proibição, e sim no controle.

“Por outro lado, o papel dos pais não precisa ser de proibição, mas de orientação. A IA pode ser utilizada como apoio, para explicar conteúdos ou tirar dúvidas, mas nunca como substituta do pensamento da criança. O ideal é que os pais incentivem o uso consciente, estimulando sempre que o filho tente primeiro, pense, pesquise e só depois utilize a tecnologia como complemento. Assim, a criança desenvolve autonomia, senso crítico e mantém viva a curiosidade, que é a base de toda aprendizagem”, concluiu.

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