
Em celebração ao Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a APAE Salvador promove a exposição "Arte de Rua: A Voz do Coletivo". A mostra reúne obras de artistas autistas e valoriza a arte urbana como meio de expressão e inclusão social. Aberta ao público, a exposição pode ser visitada até o dia 30 de abril na Biblioteca Pública Juracy Magalhães Júnior, no Rio Vermelho.
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A iniciativa faz parte do trabalho desenvolvido pelo Coletivo de Artes Visuais da APAE, formado por pacientes com talento para as artes plásticas. Segundo o educador social Esrom Pena, o objetivo é ampliar as possibilidades criativas dos participantes, introduzindo novas técnicas como o grafite. “Antes, o coletivo trabalhava apenas com telas tradicionais, então trouxemos essa proposta de explorar a arte urbana. Começamos como uma brincadeira, mas logo percebemos o impacto positivo na vida dos participantes”, explica.
O coordenador de Artes da APAE Salvador, Antônio Marques, destaca que o projeto não apenas desenvolve habilidades artísticas, mas também promove a inclusão e a geração de renda. “Já realizamos exposições anteriores, incluindo uma no Museu de Arte da Bahia e outra no Shopping Piedade, onde as obras são comercializadas. A renda obtida é revertida para os próprios artistas, reforçando a importância da autonomia financeira”, afirma.

Os artistas envolvidos compartilham experiências transformadoras. Rodrigo Gabriel, um dos expositores, conta que encontrou na arte uma forma de expressão. “Queremos mostrar que a comunidade tem muito a dizer, seja pela música, pela pintura ou pelo teatro. A arte nos dá voz e nos permite levar nossas mensagens para o mundo”, afirma.
Para muitas famílias, a arte se tornou um divisor de águas. Jaci Dória Silva, mãe do artista Rodrigo Gabriel, relata que seu filho aprendeu a se comunicar por meio dos desenhos. “Ele aprendeu a escrever e a falar desenhando. A APAE foi fundamental para que ele desenvolvesse ainda mais esse talento”, diz emocionada.

Atualmente, a APAE Salvador atende 670 pessoas com TEA, oferecendo suporte educacional, assistencial e terapêutico. A avaliação para novos atendimentos é realizada mediante agendamento na Central de Regulação.
Além da exposição, a programação do Abril Azul inclui outras ações de inclusão e conscientização, como visitas guiadas e sessões especiais de entretenimento para pessoas com TEA. A expectativa é que iniciativas como essa fortaleçam o reconhecimento da arte como um meio de empoderamento e transformação social.
A exposição "Arte de Rua: A Voz do Coletivo" fica em cartaz na Biblioteca Pública Juracy Magalhães Júnior até o final de abril, de segunda a sábado. As obras estarão disponíveis para venda após o término da mostra.
