
A mistura entre as culturas da Coreia do Sul e da Bahia, que até alguns anos atrás parecia improvável, hoje se tornou parte do cotidiano de Salvador. O K-pop conquistou espaço na capital baiana e atrai públicos diversos, que vão de adolescentes a mães de família. Esse crescimento explica por que eventos como o 18º Encontro K-popper têm se tornado cada vez mais aguardados pelos fãs do gênero.
O evento acontece na Praça Aquarius, no dia 31 de janeiro de 2026, a partir das 14h, com entrada gratuita. A iniciativa reúne admiradores do pop sul-coreano em um ambiente aberto e acessível, refletindo a influência do K-pop como um movimento cultural organizado e em plena expansão em Salvador.
Com uma programação que inclui apresentações de grupos cover, Random Play Dance e atividades lúdicas com distribuição de brindes, o encontro reforça a proposta de ser um espaço de convivência seguro e inclusivo. Segundo o organizador Junot Freire, a intenção é acolher públicos variados. “É um evento aberto a todos e gratuito. A proposta é reunir os fãs de K-pop da cidade em um local seguro, com atividades para todas as idades”, afirma.
Realizado há mais de dez anos, o Encontro K-popper integra uma série de ações promovidas por grupos independentes que mantêm viva a cena do K-pop em Salvador. Sem cobrança de ingresso, os eventos são organizados de forma colaborativa e acontecem em diferentes formatos ao longo do ano, alternando entre espaços abertos e fechados, conforme a proposta. “A ideia sempre foi que fosse algo mais informal e lúdico, uma reunião de fãs, sem nenhum tipo de cobrança para participar”, reforça Junot.
A força do movimento também pode ser percebida no perfil do público. Embora o número de fãs mais jovens tenha crescido nos últimos anos, o K-pop em Salvador não se restringe aos adolescentes. Adultos entre 30, 40 e até 50 anos participam ativamente dos encontros, seja como espectadores, integrantes de grupos de dança ou apoiadores da organização. “Quando o evento é em espaço aberto, a mistura de faixas etárias é ainda maior”, explica o organizador.
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Outro fator que impulsiona a popularidade do K-pop na cidade é o diálogo com a cultura brasileira. A fusão entre coreografias do pop sul-coreano e ritmos nacionais tem conquistado o público e ampliado o alcance do gênero. Um exemplo foi a repercussão da versão da música “Drama”, do grupo aespa, interpretada por Léo Santana, que viralizou e aproximou ainda mais o K-pop da identidade cultural baiana.
A dança é um dos principais pilares dessa mobilização. Muitos fãs encontram nos encontros uma oportunidade de expressão artística e socialização, seja por meio dos grupos cover ou das dinâmicas coletivas. A proposta, segundo a organização, é manter o caráter informal e lúdico do evento, criando um espaço que agregue diferentes gerações em torno de uma mesma paixão.
A jovem Ava Rios, de 23 anos, é uma das frequentadoras assíduas dos encontros de K-pop em Salvador e representa o público jovem-adulto que mantém o movimento ativo na cidade. Fã declarada do gênero e dos grupos sul-coreanos, ela afirma que não perde nenhum evento. “O K-pop faz parte da minha rotina. Eu acompanho os grupos, as coreografias e faço questão de estar presente nos encontros, porque é onde a gente se sente pertencente e pode viver isso de perto”, conta. Para Ava, os eventos são também um espaço de socialização e troca entre pessoas que compartilham a mesma paixão.
Já Elenir Fausto, mãe de família, de 38 anos, revela que o interesse pelo K-pop surgiu dentro de casa, por influência da filha. Com o tempo, a curiosidade virou afinidade. “Comecei por causa da minha filha, que gosta muito, e acabei me envolvendo também. Passei a assistir às novelas, conhecer os grupos e hoje eu sou fã”, afirma. Para ela, o K-pop se tornou um elo entre gerações. “É algo que aproxima mães e filhos, cria momentos juntos e faz a gente participar desse universo sem perceber a idade”, destaca.
