
Para muitos homens, a paternidade é apresentada de maneira tradicional, para outros, ela acontece de uma forma bem diferente, sem a partipação da biológia, mas nascida de muito amor, respeito e responsabilidade. Em celebração ao Dia dos Pais, o MASSA! separou histórias de dois homens que entenderam o verdadeiro significado de paternidade afetiva, que vai além do sangue.
Carlos Augusto, de 45 anos, mais conhecido como Mano, entende perfeitamente isso. Quando conheceu Carla, hoje sua esposa, ela já era mãe de Yasmin Bianca, que na época tinha cerca de cinco meses. Com o avanço do relacionamento com a mulher, ele também foi construindo uma relação com Yasmin. "Desde novinha ela começou a me chamar de pai, eu criei esse vínculo com ela que segue até hoje", revela.
Apesar de ter conhecido Yasmin desde de muito pequena, foi só quando ela tinha aproximadamente 10 anos que todos começaram a morar juntos, antes disso, a menina morava com parentes maternos. Mano, revela que com a convivência diária, a relação pai e filha se estreitou ainda mais. "Desde novo, sempre falei que era minha filha, sempre foi tudo igual. Não é minha filha de sangue, mas é minha filha", afirma o padeiro, que também é pai de outros cinco filhos.

Me deu vontade de chorar, foi uma sensação surreal...uma criança me chamar de pai.
Carlos Augusto
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Relembrando sua jornada como pai, Mano detalha o que sentiu quando escutou sua filha o chamar de pai pela primeira vez. "Me deu vontade de chorar, foi uma sensação surreal... uma criança me chamar de pai. Ela me adotou como pai", declara.
Atualmente com 26 anos, Yasmin relata que não lembra como tudo aconteceu, mas acredita que a forma como Mano sempre a tratou fez com que o amor crescesse por ele. "Ele sempre me tratou com amor, cuidado e carinho, como se realmente eu tivesse nascido para ser filha dele".

A administradora ressalta que o seu pai sempre a ensinou valores importantes como família, respeito e honestidade, mas "principalmente que pai é quem ama, cuida e se faz presente todos os dias", pontuou a jovem, que fez questão de deixar uma mensagem carinhosa para o pai. "Obrigada por estar ao meu lado, por nunca me fazer sentir diferente e por me amar como sua filha. Tenho muito orgulho de chamar você de pai e sou grata por tudo que fez e faz por mim".
Já o vigilante Apolo Rocha, de 32 anos, também conheceu a paternidade por meio do vínculo que construiu com o enteado Matheus Albuquerque, de seis anos. Apolo conta que conheceu o menino quando ele tinha apenas sete meses. Quando o relacionamento com Heloísa, mãe do pequeno, foi ficando mais sério, eles tiveram uma conversa para saber como seria a relação com o garoto, já que existia um afeto mútuo.
Eu vivo isso e tenho certeza que a paternidade é uma questão de dedicação e sacrifícios como em qualquer relacionamento
Apolo Rocha

A partir daí, o carinho entre os dois só aumentou. "Ele sempre me procurava. Mesmo sem a gente ensinar ou incentivar ele começou a me chamar de pai", disse Apolo, que afirma que ser pai não tem a ver apenas com o sangue, mas com tudo que o homem se propõe a fazer. "Eu vivo isso e tenho certeza que a paternidade é uma questão de dedicação e sacrifícios como em qualquer relacionamento", aponta o vigilante, que também é pai Adah Maria, de dois anos.
Biologia x Construção de vínculo
Mesmo com os exemplos descritos acima, muitas pessoas ainda acreditam que as relações entre pais e filhos biológicos são melhores do que aquelas construídas por meio do vínculo. Para algumas pessoas, o simples fato de compartilhar a genética já basta para ter um elo forte com sua cria. Porém, esse pensamento é rebatido pela psicóloga Aline Santana. "Essa coisa de que o vínculo biólogico é forte é um mito porque não está dado a vinculação quando uma criança nasce. Vínculo é algo criado todos os dia. Então, se biologia fosse por si só garantidora disso, se um bebê nasce, os pais somem e de repente voltam, esse vínculo estaria super garantido. E não é. O vínculo é construído nas ações cotidianas", afirma.

"É preciso entender que a gente cria vínculos ao longo da vida. Se isso acontece com outras pessoas, por que quando a gente fala de paternidade, maternidade, isso seria diferente? Não existe um tempo de fato para criação de vínculo, ela vai surgindo com ações cotidianas, de cuidado, de preocupação e de convivência com essa pessoa", cravou Aline.
Paternidade Afetiva
"Eu considero como meu filho", "É minha filha do coração". Esses são alguns termos usados para se referir a uma filiação que não veio do sangue. Mas você sabia que perante a Justiça existe um nome para isso? Paternidade Afetiva.
"A paternidade afetiva é caracterizada pelo exercício efetivo da função de pai: cuidar, educar, proteger e ser reconhecido socialmente como tal. A legislação e a jurisprudência brasileira reconhecem que o vínculo de afeto pode produzir os mesmos efeitos jurídicos da filiação biológica, sempre que isso atender ao melhor interesse da criança", explica o advogado e presidente da Comissão de Direito de Família e Sucessões da OAB-BA Adriano Batista.
O advogado também esclarece que o pai afetivo assume "os mesmos deveres de qualquer pai: sustento, educação, cuidado e proteção do filho. Da mesma forma, pode exercer direitos como convivência familiar, participação nas decisões sobre a vida da criança e, em alguns casos, guarda."

Adriano pontua ainda que é possível ter dois pais no mesmo registro de nascimento. "O ordenamento jurídico brasileiro admite a multiparentalidade. Isso significa que, em determinadas situações, é possível o reconhecimento simultâneo da paternidade biológica e da socioafetiva, sem que uma exclua a outra. Esse entendimento já está consolidado na jurisprudência dos tribunais superiores", ressaltou Adriano Batista.
Seja pai de sangue ou do coração, o que todo filho precisa é de cuidado, amor, carinho e educação. Que essa data especial seja mais uma oportunidade para que pais e filhos possam fortalecer a relação, por meio de muito afeto e respeito. O MASSA! deseja a todos um Feliz Dia dos Pais.

