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Salvador - 11/07/2026, 09:00 - Silvânia Nascimento

Comércio da Avenida Sete resiste ao tempo e a uma série de desafios

Internet, fechamento de bancos e crescimento das lojas nos bairros têm afetado o comércio local

Avenida fica localizada no coração de Salvador
Avenida fica localizada no coração de Salvador |  Foto: Clara Pessoa/ Ag. A TARDE

Localizada no coração de Salvador e considerada o principal ponto de compras da cidade, a Avenida Sete continua resistindo e se reinventando ao tempo, as mudanças do mercado, as vendas virtuais e a outros fatores externos. Apesar de toda história que carrega e de toda resistência para seguir com essa tradição, a verdade é que, por lá, o comércio já não é mais o mesmo.

Para o presidente do Sindicato dos Comerciários de Salvador, Renato Ezequiel, não há um motivo isolado para a queda nas vendas e na procura por lojas localizadas na Avenida Sete. Para ele, esse cenário pode ser atribuído a uma série de fatores.

“Aquela região do centro da cidade vem tendo uma certa decadência há muitos anos, inclusive, bem antes da pandemia. Existe, sim, uma queda muito grande por causa das atividades virtuais, as concentrações nos bairros, nas periferias da cidade. Hoje, os bairros são tomados por grandes lojas. Mas além disso tem outros fatores como falta de organização da prefeitura em relação aos camelôs, segurança, a quantidade de buracos e pessoas em situação de vulnerabilidade. Isso tudo também tem afastado o público”, disse.

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Renato também destacou o fechamento das agências bancárias físicas que, segundo ele, consequentemente reduziu a ida do público ao Centro da cidade.

“Sem falar, por exemplo, nos bancos que estão fechando. A rede bancária em Salvador e acho que no Brasil está quase sendo toda operada pelo celular. Tem também a questão das repartições públicas que existiam ali na Avenida Sete, dentre elas, a Superintendência do Trabalho que saiu dali, local onde as pessoas iam para resolver problemas, mas até isso, tudo pode ser feito de maneira digital. E tudo isso vai afastando as pessoas. Sem falar na própria violência”, pontuou.

“A Avenida Sete já foi o palco do comércio. O comércio, por exemplo, hoje não existe mais. Acabou. Assim como a Baixa dos Sapateiros. E outra coisa: 80% dos cursos pré-vestibulares que tinham na Avenida Sete sumiram dali, saíram da área. Tudo isso tem uma influência no comércio”, disse Renato.

Local é conhecido por vender de tudo um pouco
Local é conhecido por vender de tudo um pouco | Foto: Clara Pessoa/ Ag. A TARDE

Quando questionado se grandes estabelecimentos comerciais, a exemplo dos shoppings situados na localidade, contribuíram para a queda do comércio na Avenida Sete, ele opinou dizendo que não.

“Os dois shoppings já têm mais de 20 anos. Eles não são os principais causadores dessa queda, até porque, têm pessoas que não gostam de shoppings, têm pessoas tradicionais, que sempre gostaram de determinada loja na rua”, completou.

Camelôs opinam

O Massa! conversou com alguns camelôs e lojistas do local, e, durante a entrevista, as opiniões por parte dos vendedores foram divergentes. Audrei Silva, que comercializa na região do Relógio de São Pedro há oito anos, acha que as vendas online não refletiram negativamente no comércio do centro da cidade, o vendedor Antônio de Jesus, pensa o contrário. “Para mim não mudou porque pela internet às vezes demora de chegar, então, o povo recorre ao centro, até mesmo porque aqui o cliente consegue olhar a mercadoria pessoalmente ”, opinou Audrei.

Comerciantes têm opiniões divergentes sobre a situação da Avenida 7
Comerciantes têm opiniões divergentes sobre a situação da Avenida 7 | Foto: Clara Pessoa/ Ag. A TARDE

“Aqui só é movimentado época de festa, fora isso, perdeu o movimento, sim”, disse Antônio.

Comerciantes têm opiniões divergentes sobre a situação da Avenida 7
Comerciantes têm opiniões divergentes sobre a situação da Avenida 7 | Foto: Clara Pessoa/ Ag. A TARDE

Prédios tombados

Ainda em entrevista ao MASSA!, o presidente do Sindicato dos Rodoviários apontou os prédios históricos, antigos e tombados como fatores que também afetam no comércio local. “ Avenida Sete foi o comércio mais quente da nossa capital soteropolitana. Portanto, aquilo não pode acabar, tem que ser revitalizado, tem que ser mais cuidado. Tem vários prédios tombados que a loja é embaixo e quando olha pra cima parece que vai cair. Não sei se você já observou esse detalhe. Se bater um vento de 80 km por hora derruba tudo aquilo. Isso também tem que ser cuidado. Então, são essas coisinhas que, também diluindo, vai afastando a participação da clientela” , declarou Renato.

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