
No Rio Vermelho, a festa de Iemanjá atrai fiéis de todos os cantos — tem gente da 'gringa' e também as crias da própria Salvador. Nesta segunda-feira (2), a tradição se repete e um ritual antigo entre os devotos não pode faltar: as flores dedicadas à rainha do mar.
Moradora do bairro de Cajazeiras 11, Daniela Silva veio de longe para fazer seu corre. A vendedora explica ao MASSA! que todo ano é certo bater ponto no Rio Vermelho para lucrar com a venda de flores, que saem por R$ 5 a unidade, sejam elas vermelhas, amarelas ou brancas.
“A unidade custa R$5, qualquer uma. Todo ano eu venho, então já tem 10 anos. E o movimento melhorou muito”, conta.

Segundo Daniela, por mais que a cidade receba turistas nesta época, quem mantém a tradição firme mesmo é o povo baiano: “ Se você tiver noção, os turistas são mais mesquinhos. O povo baiano não, ele dá valor à nossa origem, à nossa terra, aos nossos orixás."
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Ela, que além de vendedora também trabalha como doméstica, explica que o trampo na localidade é um complemento para a renda. Apesar do movimento ser grande e atrair turistas de todo canto, ela garante que não há desigualdade entre conterrâneos e visitantes: as flores podem ser adquiridas no precinho por todos.

“Para mim não tem desigualdade. Apesar de dizer que lá fora eles têm mais dinheiro do que nós, vou lá. Mas para mim é a mesma coisa. Mesmo dinheiro. E se você parar e pensar, eles são os que mais choram. Eu não vi um baiano de ontem para hoje chorar. Já eles pediram: ‘faz R$ 4?’. Eu disse: ‘não faz’”, abriu o jogo, Daniela.
Lavagem dos pés
Não só com vendas de flores tem sobrevivido os vendedores nesta segunda, durante a festa de Iemanjá. Conforme apurado pelo MASSA!, a lavagem dos pés tem saído na faixa de R$ 2. Essa tradição acontece quando os devotos retornam da areia rumo à faixa da calçada da orla.
