
Se não tiver homem de batom e saia curta jogando bola, não é Sexta-Feira Santa na Bahia. O tradicional Baba de Saia, também conhecido como Baba do Vinho, acontece há anos na Sexta-feira da Paixão, misturando lazer, confraternização e solidariedade nas comunidades, inclusive na Rua Santo Antônio, no bairro da Liberdade, na capital baiana.
"É uma tradição que vem dos antigos e a gente não deixa morrer", disse Israel Jorge, de 28 anos, mais conhecido como Zig, ao MASSA!. Ele organiza e participa da resenha na comunidade desde criança.
Além da brincadeira, o evento também promove uma ação social, arrecadando alimentos e brinquedos que serão entregues à sede da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar da Bahia (CIPM), para distribuição a instituições de caridade.

A tradição da saia, da maquiagem e do vinho
De acordo com Luiz Fernando, 26 anos, a produção dos homens com roupas femininas é essencial para manter a tradição viva, e o vinho ajuda a deixar a resenha mais animada e descontraída.

"A saia é uma tradição que existe desde que me entendo por gente. Além disso, temos o galão de vinho, que a galera já começa a beber de manhã cedo para brincar. É vinho de verdade, usado para resenha e diversão, sempre na paz e com alegria", relatou.
Para Pedro Henrique, de 20 anos, a diversão do Baba de Saia começa na preparação. Com a ajuda das primas Monique da Silva, 17, e Ana Paula, 22, ele escolhe o look mais confortável para jogar bola, passa maquiagem, batom e cílios postiços para se transformar em Pietra Pedrita.

Para além da resenha, ele acredita que a tradição também combate à masculinidade tóxica. "É uma data que a gente espera o ano todo, pois é bom que a gente quebre o machismo", afirmou o rapaz.
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Já Marcos Caique, que estava usando uma saia e uma passadeira da personagem Minnie Mouse, afirmou que o dia é divertido. "Todo ano é a mesma agonia na Sexta-feira Santa. A produção envolve maquiagem, batom, roupa… Hoje eu vim mais à vontade, mais descontraído".
Equilíbrio entre o profano e o religioso
Engana-se quem pensa que a brincadeira desrespeita o sagrado da data. Para Gabriel Barros, de 31 anos, existe uma harmonia perfeita entre o sagrado e o profano, pois a união da comunidade é a maior prova de respeito à fé.

"Dá para unir a resenha com a religiosidade com certeza. Todo mundo se respeita. Cada um tem sua religião, e a brincadeira é uma tradição que une todos. A gente une o útil ao agradável, sempre mantendo o respeito", defende Gabriel.
Dia de lucrar com o vinho

O comércio local também sente os efeitos da tradição. Carlos Augusto Portela, dono de um depósito de bebidas, contou que o Baba de Saia aumenta as vendas de vinho e ainda impulsiona a venda de outras bebidas.
"As vendas crescem por causa do período. A galera gosta muito dos vinhos Pérgola, Morgado e Dom Bosco. Dá para faturar bem no Baba de Saia, porque não vendo somente o vinho", afirmou.
