
As filas enormes nas feiras, nos supermercados e peixarias anunciam o cheirinho do azeite do dendê para os fãs de comida baiana, que é tradicional na Sexta-feira Santa. Assim como na Bahia, em outros estados as mesas também não permitem carne vermelha no dia sagrado, mas nem por isso o cardápio é obrigatoriamente moqueca. Sendo assim, o que se come no resto do Brasil nesta data?
Na Bahia, a culinária da data santa conversa diretamente com o azeite de dendê. Apesar de ter opções que não exigem necessariamente o ingrediente ancestral, como o peixe frito, por exemplo, o que forra as mesas são as moquecas, o vatapá, caruru, feijão fradinho, pirão e muito mais.

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Atualmente morando na Bahia, dois leitores do MASSA! contam, em um bate-papo, o que eé comum em suas terras natais na sexta-feira da crucifiação de Cristo.
A universitária Débora Cruz, de 26 anos, lembra do que comia no Espírito Santo antes de vir morar em Salvador para estudar na Universidade Federal da Bahia (UFBA). A estudante de história contou que não pode faltar a moqueca e a torta capixaba.
Diferente da baiana, a moqueca do estado sudestino não leva azeite de dendê e leite de coco. O prato utiliza peixe fresco, tomate, cebola, alho, coentro e azeite, sendo caracterizado por ser leve, aromático e avermelhado.

Já a torta, ela diz se assemelhar com o que se conhece na Bahia como Frigideira, normalmente feita com bacalhau acompanhado de azeitona, palmito fresco e azeite de olíva. Por fim, ainda tem a clara do ovo batida para jogar por cima do prato. Débora ainda explicou que a refeição não conta com muitos acompanhamentos, sendo apenas o arroz temperadinho no alho e cebola, e, no máximo, um pirão de peixe.
No Norte é diferente
Outro que também relatou sua experiência gastronômica pelo país foi o universitário Antônio Marzaro. Natural de Roraima, no norte do Brasil, já passou pelo sul do país, quando viveu no Paraná, até vir morar em Salvador.
Antônio conta que os pratos se assemelham nos estados, apesar da distância. Para ele, a Bahia é um dos poucos estados que diferencia as opções na data santa. O estudante de jornalismo detalhou que é muito comum comer batata assada, arroz e as variações de peixe, podendo ser assado ou ensopado. Enquanto em Rondônia é mais utilizado o tambaqui, no Paraná o bacalhau se sobressai.

Pratos tradicionais
Nos estados nordestinos os frutos do mar também continuam protagonistas nas mesas. Em Pernambuco, especialmente, rola um peixe cozido em molho de coco. O coco também direciona outro prato: o feijão, acompanhado do leite do fruto.

Opções com camarão, bacalhau, caranguejo e peixadas também ganham as mesas. Tradicionalmente, o preparo é feito de maneira mais leve, se comparado com a Bahia. Apenas o que não pode é comer carne vermelha.
Muitos pratos se repetem pelos estados do Norte e Centro-Oeste. A principal diferença é o uso de peixes de água doce na composição da culinária das regiões.
*Sob a supervisão da editora Amanda Souza
