
A cada 3h38 um trabalhador perde a vida pela falta de uma cultura de prevenção à saúde e à segurança do trabalho. Os dados são da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANMT) que traz à tona uma temática preocupante, entretanto, pouco discutida e divulgada.
Só entre os meses de janeiro e agosto de 2025, a Bahia registrou 10.187 acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, com 63 óbitos, números que acendem o alerta acerca da gravidade do assunto.
De acordo com o professor da Afya Salvador e médico especialista em saúde do trabalho, Fábio Maciel, no ranking mundial, o Brasil aparece entre os primeiros países com maiores ocorrências desta modalidade.
“O Brasil ocupa o quarto lugar no mundo em números absolutos de acidentes de trabalho, perdendo para a China, Índia e Indonésia. Segundo dados do Ministério do Trabalho, foram mais de oito milhões de acidentes na última década, com 32 mil mortes causadas pelo trabalho. Isso é muito grave porque uma pessoa sai para trabalhar, para ganhar o seu sustento, e no exercício do seu trabalho, ela tem um acidente, acaba morrendo ou fica com alguma sequela grave”, disse em entrevista ao MASSA!.
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Trazendo para um recorte local, Salvador é uma das cidades com maior volume de benefícios concedidos por incapacidade relacionada ao trabalho no país. Segundo dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab/ MPT e OIT), entre 2012 e 2023,a capital baiana teve 330.756 afastamentos.
O especialista pontuou que maior parte desses acidentes poderia ser evitada se as normas de segurança fossem devidamente aplicadas nas empresas. “A prevenção de acidentes não requer muita estratégia ou muita tecnologia. Seguindo regras básicas de segurança e com treinamentos adequados, experimentos adequados, se conseguiria um resultado muito melhor na diminuição dos acidentes”.
Ainda segundo ele, há regras no Brasil, contudo, as mesmas são negligenciadas. “O Brasil, ele não carece de legislação, nem de normas nesse sentido. Temos uma norma bem rígida, têm legislações bem específicas para o assunto, mas mesmo assim, por questões de negligência ou da ausência realmente de cumprimento dessas normas, acaba tendo um número de acidentes bastante elevado, é muito mais do que a gente pensaria”, disse.
Doenças ocupacionais
Quando se trata de doenças ocupacionais, a atenção, conforme destacado pelo médico, também precisa ser dada. “As doenças ocupacionais são doenças que são decorrentes do exercício da profissão que sobrecarrega de alguma forma aquela doença”.

“No Brasil, por lei, todos os funcionários que têm carteira assinada, que trabalham no regime de CLT, precisam passar por exames ocupacionais. Existem os riscos químicos, físicos e biológicos ergonômicos que são identificados pelo engenheiro de segurança. A gente tem um documento que chama PGR, que é o Programa de Gerenciamento de Risco. O PGR é feito pelo engenheiro de segurança ou pelo técnico de segurança. Esses profissionais identificam qual o risco aquela função está exposta. A partir desse documento, o médico vai fazer o PCM SO, que é o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, para saber com quais exames e com qual frequência ele vai precisar monitorar aquele paciente por conta daquele risco que ele está exposto”, explicou Fábio Maciel
“A partir do PCMSO, se o funcionário não tiver risco nenhum e estiver dentro de uma determinada idade, esse exame pode ser feito a cada dois anos. Mas se ele tiver exposto algum qualquer risco, esse exame tem que ser feito anualmente. E esse é o momento que realmente consegue identificar e prevenir o agravamento de doenças ocupacionais”.
