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Ilê 2026 - 16/01/2026, 16:56 - Dara Medeiros

Mães, travesti e mais: curiosidades das candidatas à Deusa do Ébano

Saiba detalhes sobre as finalistas da 45ª Noite de Beleza Negra do Ilê Aiyê

As 15 finalistas do concurso 45ª Noite de Beleza Negra, além da Deusa do Ébano 2025, Lorena Bispo
As 15 finalistas do concurso 45ª Noite de Beleza Negra, além da Deusa do Ébano 2025, Lorena Bispo |  Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Quando a Noite de Beleza Negra foi criada pelo bloco afro Ilê Aiyê, há 45 anos, a sociedade enxergava a população preta com preconceito escancarado, o que tornou o evento um ato inovador e revolucionário. Diferente de qualquer outro concurso de estética, a disputa pelo título de Deusa do Ébano chegou dando espaço para mulheres negras, periféricas, mães, batalhadoras e que, acima de tudo, se orgulham dos seus traços e da sua ancestralidade.

“Para mim, foi a maior política pública empreendida por uma organização não governamental, que é o Ilê Aiyê, que deu certo. Hoje nós temos aqui meninas fazendo doutorado, meninas advogadas, e há 39 anos atrás eu não tinha esse quadro de jeito nenhum! Eram meninas com dificuldade até mesmo de se expressarem, até mesmo de escrever”, relembrou Arany Santana, ex-diretora do Ilê Aiyê e atual Ouvidora Geral do Estado da Bahia.

Arany Santana faz parte da Noite de Beleza Negra há 39 anos
Arany Santana faz parte da Noite de Beleza Negra há 39 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Agora, mais de quatro décadas depois, a Noite de Beleza Negra continua dando visibilidade e impulsionando a autoestima de muitas pessoas. Na noite deste sábado (17), será realizada a grande final do concurso. Às vésperas da decisão, as 15 finalistas abriram o coração e se apresentaram em entrevista ao MASSA!.

Thuane Vitória

Thuane Vitória, de 28 anos
Thuane Vitória, de 28 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Aos 28 anos, Thuane Vitória participa do concurso para ser Deusa do Ébano pela 5ª vez. Moradora do bairro Fazenda Grande do Retiro, em Salvador, ela encontra no amor pelas filhas a força necessária para não desistir do sonho de ser eleita.

"O que me motiva a continuar é a questão da persistência mesmo, da gente resistir. Eu sou continuidade, tenho duas filhas e elas precisam se sentir representadas de forma correta, não adianta só ser uma representatividade física dentro de casa. Elas têm que entender que a mãe dela é rainha, que elas são rainhas, que elas são descendentes de rainhas e reis”, declarou.

Thuane é correria e se define como “multiprofissional”, pois além de ser técnica de enfermagem, ela é cuidadora de idosos, artesã e manicure.

Dandara Namíbia

Dandara Namíbia, de 22 anos
Dandara Namíbia, de 22 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Consagrando-se como a segunda finalista trans ou travesti da história da competição, a jovem Dandara Namíbia, de 22 anos, carrega a responsabilidade e a grandeza de dar voz a tantas outras mulheres que lidam diariamente com o preconceito de gênero.

A modelo, bailarina e estudante de História rompe estatísticas e barreiras em diversas áreas da própria vida e agora quer ser eleita como a primeira Deusa do Ébano travesti. Ela garantiu que foi muito bem acolhida pela instituição Ilê Aiyê e já se sente "realizada" só pelo fato de estar entre as 15 meninas escolhidas para a grande final.

"Eu quero representar os meus sonhos, quero representar as mulheres negras, quero representar a minha mãe, as minhas irmãs, quero representar todas as mulheres trans e travestis do Brasil e do mundo, porque eu acredito que essa oportunidade que eu estou tendo, nem todas tiveram e infelizmente nem todas terão. E eu acredito que eu posso ser uma porta-voz para as que já passaram, as que existem e as que ainda estão por vir", disse ela.

Cecília Cadille

Cecília Cadille, de 35 anos
Cecília Cadille, de 35 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Aos 35 anos, Cecília Cadille, de Itapuã, tem uma história surpreendente com o Ilê Aiyê. Os pais dela saem no bloco desde quando eram apenas namorados e a levavam para o circuito desde os 7 anos de idade. Quando cresceu, ela passou a trabalhar produzindo as candidatas do concurso, até que decidiu tomar coragem para sair dos bastidores e brilhar nos palcos.

"Eu comecei a acompanhar e a produzir candidatas em 2007. Isso foi muito importante para mim, para a construção da minha identidade, ver mulheres negras fortes ali no palco, falando sobre os seus desejos, os seus objetivos, sobre a sua luta. Então, tudo isso foi muito importante para mim, para que eu começasse a iniciar essa jornada como candidata ao título de deusa", revelou.

Bruna Christine

Bruna Christine, de 29 anos
Bruna Christine, de 29 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

A carioca Bruna Christine tem como diferencial unir a cultura negra do Rio de Janeiro e da Bahia em seu sangue. A roteirista, de 29 anos, possui familiares baianos e sempre teve contato com a música e o Carnaval de Salvador.

Para ela, a distância entre os estados não atrapalhou a sua construção de identidade enquanto mulher negra, muito pelo contrário, a fortaleceu em dobro.

“Tem essa conexão entre Bahia e Rio totalmente. Primeiramente porque os blocos afro lá no Rio de Janeiro, eles se inspiram muito nos blocos afro daqui, então eu estou muito familiarizada com o som, com as músicas do Ilê. O Ilê é uma referência para a gente, como é o primeiro, a gente olha para cá com muita admiração e muita reverência”, explicou.

Mavih Souza

Mavih Souza, de 20 anos
Mavih Souza, de 20 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

A quilombola Mavih Souza, de 20 anos, sente muito orgulho das suas origens e quer ser uma inspiração para outros meninos e meninas negros. Ela é empresária, coreógrafa, cartomante e também faz parte da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ocupando espaços de cabeça erguida e com muita determinação.

"Estar representando as meninas quilombolas, não só do Quilombo de São Braz, como de todos os outros quilombos. Eu faço parte da Universidade Federal da Bahia também, e lá existe uma grande comunidade de meninas, de meninos, de jovens quilombolas. É uma honra e é muita responsabilidade primeiro", expressou.

Nayara Temporal

Nayara Temporal, de 34 anos
Nayara Temporal, de 34 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Se nas redes sociais o povo de Recife e Salvador mantêm uma rivalidade devido ao título de melhor Carnaval, no coração da pernambucana Nayara Temporal, de 34 anos, essa picuinha não tem vez. A instrutora de pilates e dançarina é apaixonada pela Bahia e se mudou para a capital do estado há 1 ano, quando passou para a final do concurso de 2025 e tudo contribuiu para sua vinda.

Ela se dedica completamente a esse sonho de ser Deusa do Ébano e ainda sente o mesmo frio na barriga de quando participou pela primeira vez: "A gente se prepara o ano todo, pesquisa, estuda o tema, estuda para fazer um figurino condizente com o tema, um figurino que faça sentido, para não chegar lá uma coisa aleatória. Então é toda uma expectativa que a gente cria".

Sarah Moraes

Sarah Moraes, de 28 anos
Sarah Moraes, de 28 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Representando o bairro de Sussuarana, Sarah Moraes, de 28 anos, está participando pela segunda vez da Noite de Beleza Negra e sente que amadureceu bastante entre a primeira e a segunda tentativa. A auxiliar administrativa declarou que está "muito feliz" em fazer parte da final do evento.

"Em 2024 foi a primeira vez e esse ano é a segunda vez. O que mudou é que eu me sinto mais preparada, mais madura e com uma vontade ainda maior de conquistar o título, não só por mim, mas também por todas as pessoas que me acompanham e me fortalecem durante todo esse processo", afirmou ela.

Carol Xavier

Carol Xavier, de 27 anos
Carol Xavier, de 27 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Quem também mora em Sussuarana é Carol Xavier, de 27 anos. A jovem é estudante de jornalismo e está persistindo na competição com direito ao apoio e incentivo da própria comunidade em que faz parte. Este é o terceiro ano em que participa do concurso e está bastante confiante.

"Eu digo e repito isso em todos os concursos, todas as vezes que eu participei, que é a minha comunidade que me move, porque foi na minha comunidade que eu comecei a dançar. Foi a minha comunidade que me construiu enquanto pessoa política, enquanto mulher que se reconhece como mulher preta, enquanto mulher que se reconhece e se identifica como uma pessoa potente nessa sociedade. Então a minha comunidade é o que me move e é o que me motiva a estar aqui", falou.

Camila Morena

Camila Morena, de 30 anos
Camila Morena, de 30 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Nascida e criada no Curuzu, a advogada Camila Morena, de 30 anos, sonha em ser Deusa do Ébano desde criança. Ela morou no bairro durante muitos anos e se apaixonou naturalmente pelo bloco ao acompanhar as festas do Ilê Aiyê.

"Eu fui moradora do Curuzu por 14 anos, então sempre tive esse olhar para o bloco, entender aquele lugar de poder da Deusa do Ébano. É um sonho de fato de criança! Foram alguns anos postergando esse momento, deixando para ano que vem eu vou, mas esse ano eu senti lá no fundo que eu estava preparada para estar nesse lugar e aqui estou", revelou.

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Rafaela Rosa

Rafaela Rosa, de 30 anos
Rafaela Rosa, de 30 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

A pedagoga Rafaela Rosa, de 30 anos, é da Roça da Sabina, uma comunidade na Barra, e está concorrendo pela 5ª vez na Noite de Beleza Negra. Ela acredita e investe no próprio sonho e ganha um gás a mais para seguir em frente quando pensa nas mulheres da vida dela: a mãe, a avó e a filha de 10 anos, Luna Rosa.

"Eu levo comigo sempre que um sonho que se sonha só, é um sonho que se sonha só, mas um sonho que se sonha junto, vira realidade. Então é um sonho e que eu não me permito desistir. Eu quero dar continuidade aos meus ancestrais, trazendo muita história, muita luta e muita representatividade", afirmou.

Raíssa Conceição

Raíssa Conceição, de 22 anos
Raíssa Conceição, de 22 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Cria de um dos principais projetos sociais do bloco Ilê Aiyê, Raíssa Conceição, de 22 anos, começou a sonhar em ser Deusa do Ébano ainda quando adolescente. Moradora da Boa Vista do Lobato, a empreendedora do ramo de estética faz parte da Banda Erê durante quatro anos e via as campeãs do concurso como uma grande inspiração.

"O meu contato com o Ilê foi desde a Banda Erê, que é um projeto que tem lá, que eles dão aula de percussão e dança. Eu entrei no Ilê com 13 anos e saí com 17 anos, então eu sempre via as meninas na Beleza Negra se formando deusa, né? E sempre foi meu sonho. A gente chegava na sala de aula e elas se apresentavam, a deusa entrava na sala, se apresentava pra gente, e eu via como realmente uma referência", relembrou.

Joana Souza

Joana Souza, de 28 anos
Joana Souza, de 28 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Nascida em Pau da Lima, mas moradora de Lauro de Freitas atualmente, Joana Souza, de 28 anos, tinha receio de se inscrever para concorrer ao título de Deusa do Ébano por pensar que se tratava de algo igual aos outros concursos de beleza. A bailarina profissional e formada em Tecnologia da Informação tomou coragem para participar ao entender a essência do Ilê Aiyê.

"Eu sempre corri de concorrer ao Ilê, porque eu achava que era somente um concurso de beleza. E aí quando eu entendi o tamanho da representatividade, da força da mulher e como a gente pode encorajar outras mulheres a se empoderarem também, eu me inscrevi no concurso. E a minha ficha ainda não caiu, eu acho que vai cair quando eu estiver em cima do palco", disse ela.

Camila Silva

Camila Silva, de 34 anos
Camila Silva, de 34 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Representante do bairro de Plataforma, Camila Silva, de 34 anos, concorre ao título carnavalesco pela 6ª vez. A persistência da empreendedora de estética afro e doces é motivada pelo fato de acreditar em si mesma.

"É o que eu digo, a gente tem que persistir mesmo. Se é um sonho, a gente tem que ir em busca de conquistar. Mesmo não conquistando, a gente tem que colocar também que há oportunidade de conhecimento, para as pessoas entenderem o que você está fazendo naquele espaço", declarou.

Larissa Oliveira

Larissa Oliveira, de 25 anos
Larissa Oliveira, de 25 anos | Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE

Estreando no concurso neste ano, a jovem Larissa Oliveira, de 25 anos, é de Sussuarana e deseja se tornar referência para outras meninas. A assistente administrativa, assim como as outras duas candidatas do mesmo bairro, fazem parte de um projeto social e realizam a sua própria Noite de Beleza Negra para reafirmar a identidade de crianças e adolescentes da comunidade.

"O que me move é um sonho, sonho que por muito tempo não era um sonho só meu. Faz parte das mulheres da minha família, as quais não conseguiram realizar, mas hoje eu estou aqui fazendo esse papel por elas, por mim e por todas. E eu trabalho com o projeto social, então todas que vêm depois de mim, eu pretendo ser representatividade diante ao concurso", afirmou.

Stephanie Ingrid

Stephanie Ingrid, de 24 anos
Stephanie Ingrid, de 24 anos | Foto: Reprodução/Instagram @stephanie__ingrid

Aos 24 anos, a jovem Stephanie Ingrid tenta ocupar a posição de Deusa do Ébano pela terceira vez. Moradora do Nordeste de Amaralina, ela enxerga o título como uma oportunidade de honrar a família e se tornar uma referência de mulher negra.

"Almejar o título de Deusa do Ébano é muito mais que um título de beleza. Eu quero honrar e concretizar esse título para a minha mãe, que sempre me afirmou que o meu nome vinha de realeza. Quero inspirar outras crianças e mulheres pretas, assim como eu, principalmente no meu bairro, que a realeza faz parte da nossa herança ancestral", destacou.

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