
Se os primeiros socorros orientam como agir diante de um engasgo ou de uma parada cardíaca, os chamados “últimos socorros” preparam pessoas para acompanhar alguém no fim da vida.
O curso, criado na Alemanha e já realizado em 20 países, passou a ser oferecido em Salvador neste ano pela Florence, hospital de transição especializado em reabilitação e cuidados paliativos.
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Embora os primeiros socorros sejam conhecidos e ensinados em diferentes espaços como escolas, empresas e academias, o cuidado no fim da vida ainda é um tema pouco discutido. A formação busca ampliar o acesso a informações sobre como acolher pacientes, respeitar seus desejos e lidar com o processo de despedida.
Assim como os primeiros socorros preparam para situações de emergência, a proposta dos últimos socorros é oferecer orientações para momentos em que a cura deixa de ser o objetivo do tratamento.
Como surgiu o curso
Criado em 2008 pelo médico intensivista alemão Georg Bollig, no contexto de pesquisas sobre cuidados paliativos, o curso Últimos Socorros já formou mais de 20 mil pessoas em 20 países. A iniciativa chegou ao Brasil em 2020 e passou a ser oferecida em Salvador em 2026.
A formação aborda questões práticas, como conversar sobre desejos relacionados ao fim da vida, aliviar o desconforto do paciente e lidar com o silêncio e as despedidas.
“O curso dá ferramentas concretas para que as pessoas saibam o que fazer nesta situação: como conversar sobre desejos de fim de vida antes que seja tarde, como aliviar o desconforto de quem está partindo, como lidar com o silêncio e com as despedidas”, afirma Yanne Amorim, médica paliativista da Florence.
O que é ensinado
O encontro acontece em formato de roda de conversa, conduzido por facilitadores com experiência em cuidados paliativos. O conteúdo é dividido em quatro módulos:
-morrer é parte da vida;
-planejar e decidir;
-aliviar o sofrimento;
- despedidas.
Não é necessário ter formação técnica nem experiência prévia para participar. O curso é aberto ao público em geral e busca oferecer informações sobre as possibilidades de cuidado durante o processo final da vida.
Falar sobre a morte também é uma forma de cuidado
A falta de diálogo sobre a morte pode dificultar decisões familiares, especialmente quando não há informações prévias sobre os desejos do paciente. Para Yanne Amorim, abordar o tema com antecedência contribui para dar mais autonomia à pessoa e segurança aos familiares.
“Enquanto a morte for um tabu, as famílias vão continuar decidindo no escuro, muitas vezes sem saber o que a pessoa gostaria, ou se sentindo culpadas por escolhas que nem eram delas para fazer. Falar sobre isso com antecedência é um ato de cuidado: dá autonomia para o paciente expressar o que quer e dá segurança para a família”, afirma a médica.
Serviço
O que: Últimos Socorros
Onde: Florence, hospital de transição, em Salvador
Inscrições e calendário de turmas: site do últimos socorros.

