
Nem só de curtição devem ser as férias do fim de ano. O período prolongado, normalmente utilizado para descanso, viagens e diversão, também exige cuidado com a saúde. E, diferente do que muitas pessoas pensam, o descanso em excesso pode causar danos ao corpo, em especial à saúde vascular, que envolve as artérias, veias e capilares.
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Segundo Haila Almeida, médica cirurgiã vascular e fundadora do Instituto Alphaveins, a oscilação entre sedentarismo prolongado e atividades físicas intensas sem preparo adequado influencia diretamente no funcionamento da saúde vascular, principalmente para pacientes que sofrem com trombose e varizes.
A especialista alertou para os riscos que as viagens longas durante os recessos podem oferecer. "Muitas pessoas associam descanso à completa inatividade, mas o movimento adequado é um aliado fundamental para o retorno venoso e a prevenção de complicações”, disse.
“Durante as viagens, é preciso redobrar esse cuidado porque, como a pessoa passa muitas horas imobilizada, parada ou no carro ou em voos mais longos, aumenta muito a chance de a pessoa desenvolver uma trombose, principalmente em pacientes que já têm alguma doença ou são mais idosos. Quando ficamos parados, o sangue também fica parado na perna. A panturrilha é nosso segundo coração. Então, toda vez que a pessoa caminha, estimula esse retorno de sangue. Somos capazes de mandar até 100 ml de sangue, por minuto, pela contração da panturrilha. É por isso que a imobilização é, sim, um fator de risco para trombose”, declarou Haila.
Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, cerca de 38% dos adultos possuem varizes. Já a trombose venosa profunda (formação de um coágulo sanguíneo dentro de uma veia profunda, geralmente nas pernas, que obstrui o fluxo de sangue) registra aproximadamente 200 mil novos casos anuais no país.
“A melhor forma de prevenir é cuidando da circulação, mas há outras medidas que podem amenizar o estrago, como cuidar bem da hidratação e fazer movimentos de pedal com o pé durante as viagens. Para quem vai pegar a estrada de carro, a cada 2h ou 3h, dar uma caminhada. No avião, também levantar e ir ao banheiro. Isso ajuda muito, além do cuidado com a alimentação, evitando muito sódio e alimentos ultraprocessados — o bom e velho equilíbrio”, alertou a médica.
Conforme divulgado pelo Ministério da Saúde, pacientes submetidos a cirurgias de joelho, quadril e trauma (como fraturas) são os principais grupos de risco. "A trombose que pode ocorrer após uma cirurgia ortopédica é geralmente localizada nas pernas, provocando entupimento da veia, causando dor e inchaço. Às vezes, coágulos podem se soltar, viajando pelo sangue até ‘encalhar’ no pulmão, o que é chamado de embolia pulmonar. Essa condição pode ser bastante grave”, pontuou o órgão.
O segredo é equilibrar
Apesar das orientações e recomendações para a prática de atividades físicas, a médica diz que os exercícios podem ser feitos de forma equilibrada e leve. "Não é preciso transformar as férias em um período de treinos intensos, mas reconhecer que o corpo precisa de movimento para funcionar plenamente. Atividades como natação, ciclismo recreativo ou até mesmo alongamentos em casa já produzem efeitos positivos na saúde vascular", aconselhou a médica cirurgiã vascular.
Ministério alerta
Ainda de acordo com esclarecimentos do Ministério da Saúde, a trombose pode ser classificada de duas formas: aguda e crônica.
“A trombose aguda, na maioria das vezes, é solucionada naturalmente. O próprio corpo utiliza mecanismos para dissolver os coágulos que provocam o entupimento das veias, sem deixar sequelas e sem evoluir para quadros mais graves. Já a trombose crônica ocorre quando, durante o processo de dissolução do coágulo natural, ficam sequelas no interior das veias, destruindo a estrutura das válvulas. Por conta dessas alterações nas válvulas, o retorno do sangue fica prejudicado e leva ao aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento e endurecimento da pele, além de feridas e outras complicações”, especificou o órgão por meio do seu site oficial.
Para confirmar o diagnóstico de trombose, podem ser solicitados exames como ultrassonografia, exame de sangue, venografia, eco color doppler (ultrassom vascular), tomografia e ressonância magnética.
