
Dormir mal não significa apenas acordar cansado. Para muitos homens, noites mal dormidas podem estar escondendo um problema silencioso: a apneia do sono. Marcado por interrupções repetidas da respiração durante a noite, o distúrbio prejudica o descanso, reduz a produção de testosterona e pode afetar a disposição, o humor, a libido e a saúde cardiovascular.
No Dia do Homem, celebrado nesta quarta-feira (15), especialistas chamam atenção para um problema que costuma ser ignorado, mas que atinge principalmente o público masculino entre os 30 e os 60 anos.
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Por que a apneia é mais comum entre os homens?
Segundo a endocrinologista Hana Andrade Amorim, professora de Endocrinologia da Afya Salvador, e a nutróloga Suzana Viana, a maior incidência da apneia entre homens está ligada a uma combinação de fatores hormonais e anatômicos.
"A obesidade é um dos principais fatores de risco, mas doenças como diabetes e hipotireoidismo também podem contribuir para o desenvolvimento da apneia", explica Hana.
Em geral, eles acumulam mais gordura na região do pescoço e do abdômen, o que favorece o estreitamento das vias respiratórias durante o sono. Além disso, antes da menopausa, as mulheres contam com a ação dos hormônios femininos, que ajudam a manter a musculatura das vias aéreas mais protegida, diferente dos homens.
O que a apneia faz com a testosterona?
A produção de testosterona acontece principalmente durante o sono profundo. Quando a pessoa tem apneia, a respiração para diversas vezes durante a noite e o cérebro é obrigado a "acordar" rapidamente para restabelecer a passagem do ar. Mesmo que esses despertares sejam imperceptíveis, eles impedem que o organismo complete os ciclos normais do sono, explicam as especialistas.
Além disso, a queda na oxigenação do sangue e o aumento dos hormônios ligados ao estresse prejudicam o funcionamento do sistema responsável pela produção da testosterona. O resultado pode ser queda da libido, redução da massa muscular, dificuldade para controlar o peso, alterações de humor e cansaço constante.
Quando o cansaço deixa de ser normal?
Acordar exausto mesmo depois de dormir por várias horas é um dos principais sinais de alerta. Ronco intenso, pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, sonolência durante o dia, dificuldade de concentração, dores de cabeça ao despertar e redução da libido também merecem atenção.
"Se a pessoa dorme um tempo adequado e continua acordando cansada, significa que o sono não está sendo reparador. Isso precisa ser investigado", destaca Hana.

Nesses casos, a recomendação é procurar um especialista. O diagnóstico costuma ser feito por meio da polissonografia, exame que avalia a qualidade do sono e identifica episódios de apneia.
Baixa testosterona causa apneia?
Apesar de a relação entre apneia e queda da testosterona estar bem estabelecida, o caminho inverso ainda não foi comprovado pela ciência.
As especialistas explicam que homens com deficiência hormonal podem ganhar mais gordura corporal e perder massa muscular, fatores que aumentam o risco da apneia. Porém, não há evidências de que a baixa testosterona, sozinha, provoque o distúrbio.
"Homens com deficiência hormonal frequentemente apresentam aumento da gordura corporal, principalmente abdominal, perda de massa muscular e redução da capacidade física. Essas alterações favorecem o ganho de peso, que é um dos principais fatores de risco para o agravamento da apneia", destaca a nutróloga.

Outro ponto de atenção é a reposição hormonal. Quando feita sem investigação adequada, ela pode agravar uma apneia que já existia, especialmente nos primeiros meses de tratamento.
O tratamento pode devolver a disposição?
Depende da causa da queda hormonal. Quando o problema está relacionado ao excesso de peso e à apneia, tratar o distúrbio, emagrecer e adotar hábitos saudáveis costuma melhorar os níveis de testosterona naturalmente.
Já nos casos em que existe uma deficiência hormonal de origem clínica, pode ser necessário tratar a apneia e a baixa testosterona ao mesmo tempo.
"O mais importante é enxergar o organismo como um todo. Sono ruim, obesidade, alterações hormonais e problemas metabólicos costumam formar um ciclo. Quando tratamos todos esses fatores juntos, os resultados são muito melhores para a saúde e a qualidade de vida", conclui Suzana Viana.
