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saúde do homem - 15/07/2026, 17:30 - Lais Machado

Apneia: noites mal dormidas podem derrubar energia e testosterona

Especialistas alertam que a apneia do sono vai muito além do ronco e pode afetar a saúde hormonal, o humor e até aumentar o risco de doenças crônicas

Apneia atinge mais os homens; entenda
Apneia atinge mais os homens; entenda |  Foto: Ilustrativa/ Freepik

Dormir mal não significa apenas acordar cansado. Para muitos homens, noites mal dormidas podem estar escondendo um problema silencioso: a apneia do sono. Marcado por interrupções repetidas da respiração durante a noite, o distúrbio prejudica o descanso, reduz a produção de testosterona e pode afetar a disposição, o humor, a libido e a saúde cardiovascular.

No Dia do Homem, celebrado nesta quarta-feira (15), especialistas chamam atenção para um problema que costuma ser ignorado, mas que atinge principalmente o público masculino entre os 30 e os 60 anos.

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Por que a apneia é mais comum entre os homens?

Segundo a endocrinologista Hana Andrade Amorim, professora de Endocrinologia da Afya Salvador, e a nutróloga Suzana Viana, a maior incidência da apneia entre homens está ligada a uma combinação de fatores hormonais e anatômicos.

"A obesidade é um dos principais fatores de risco, mas doenças como diabetes e hipotireoidismo também podem contribuir para o desenvolvimento da apneia", explica Hana.

Em geral, eles acumulam mais gordura na região do pescoço e do abdômen, o que favorece o estreitamento das vias respiratórias durante o sono. Além disso, antes da menopausa, as mulheres contam com a ação dos hormônios femininos, que ajudam a manter a musculatura das vias aéreas mais protegida, diferente dos homens.

O que a apneia faz com a testosterona?

A produção de testosterona acontece principalmente durante o sono profundo. Quando a pessoa tem apneia, a respiração para diversas vezes durante a noite e o cérebro é obrigado a "acordar" rapidamente para restabelecer a passagem do ar. Mesmo que esses despertares sejam imperceptíveis, eles impedem que o organismo complete os ciclos normais do sono, explicam as especialistas.

Além disso, a queda na oxigenação do sangue e o aumento dos hormônios ligados ao estresse prejudicam o funcionamento do sistema responsável pela produção da testosterona. O resultado pode ser queda da libido, redução da massa muscular, dificuldade para controlar o peso, alterações de humor e cansaço constante.

Quando o cansaço deixa de ser normal?

Acordar exausto mesmo depois de dormir por várias horas é um dos principais sinais de alerta. Ronco intenso, pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, sonolência durante o dia, dificuldade de concentração, dores de cabeça ao despertar e redução da libido também merecem atenção.

"Se a pessoa dorme um tempo adequado e continua acordando cansada, significa que o sono não está sendo reparador. Isso precisa ser investigado", destaca Hana.

Endocrinologista Hana Andrade Amorim, professora de Endocrinologia da Afya Salvador
Endocrinologista Hana Andrade Amorim, professora de Endocrinologia da Afya Salvador | Foto: Divulgação

Nesses casos, a recomendação é procurar um especialista. O diagnóstico costuma ser feito por meio da polissonografia, exame que avalia a qualidade do sono e identifica episódios de apneia.

Baixa testosterona causa apneia?

Apesar de a relação entre apneia e queda da testosterona estar bem estabelecida, o caminho inverso ainda não foi comprovado pela ciência.

As especialistas explicam que homens com deficiência hormonal podem ganhar mais gordura corporal e perder massa muscular, fatores que aumentam o risco da apneia. Porém, não há evidências de que a baixa testosterona, sozinha, provoque o distúrbio.

"Homens com deficiência hormonal frequentemente apresentam aumento da gordura corporal, principalmente abdominal, perda de massa muscular e redução da capacidade física. Essas alterações favorecem o ganho de peso, que é um dos principais fatores de risco para o agravamento da apneia", destaca a nutróloga.

Dra. Suzana Viana, médica Nutróloga
Dra. Suzana Viana, médica Nutróloga | Foto: Divulgação

Outro ponto de atenção é a reposição hormonal. Quando feita sem investigação adequada, ela pode agravar uma apneia que já existia, especialmente nos primeiros meses de tratamento.

O tratamento pode devolver a disposição?

Depende da causa da queda hormonal. Quando o problema está relacionado ao excesso de peso e à apneia, tratar o distúrbio, emagrecer e adotar hábitos saudáveis costuma melhorar os níveis de testosterona naturalmente.

Já nos casos em que existe uma deficiência hormonal de origem clínica, pode ser necessário tratar a apneia e a baixa testosterona ao mesmo tempo.

"O mais importante é enxergar o organismo como um todo. Sono ruim, obesidade, alterações hormonais e problemas metabólicos costumam formar um ciclo. Quando tratamos todos esses fatores juntos, os resultados são muito melhores para a saúde e a qualidade de vida", conclui Suzana Viana.

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