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Dor e revolta - - Atualizado em

Filho de líder quilombola assassinada diz que crime “foi de mando”

Mãe Bernadete foi assassinada cinco anos após o filho, Binho do Quilombo, ser morto a tiros

Vinicius Rebouças
Vinicius Rebouças
Mãe Bernadete lutava pela comunidade quilombola de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho
Mãe Bernadete lutava pela comunidade quilombola de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho |  Foto: Reprodução/ Mundo Negro

A Yalorixá Maria Bernadete Pacífico foi assassinada na noite de quinta-feira (17), dentro de um terreiro no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, região Metropolitana de Salvador. Para o filho mais velho dela, Wellington, “o crime foi de mando” e está ligado ao assassinato do irmão dele, Flavio Gabriel Pacífico dos Santos, mais conhecido como Binho do Quilombo, em 2017.

“Foi um crime de mando. Se quiser elucidar, basta elucidar o primeiro, contra Binho do Quilombo. Tem câmera de segurança mostrando o rosto do assassino. Tem o flagra dele no pedágio. Tem tudo. Peço ao governador Jerônimo Rodrigues e ao ministro Flavio Dino [da Justiça e Segurança] que elucidem esse crime porque estão dizimando a minha família”, desabafou em entrevista à reportagem da TV Bahia.

“Percebo que há uma perseguição à minha família. Porque não é fácil viver em uma comunidade quilombola. Ajudar pessoas incomoda as elites. Meu irmão conseguiu levar luz elétrica ao quilombo e nem viu a instalação porque foi brutalmente assassinado. Agora perdi minha mãe dessa maneira. Descarregaram uma pistola no rosto dela. Como é que uma pessoa faz isso com uma idosa, com três netos dentro da casa?”, questionou.

Wellington relatou ainda que estaria na casa da mãe no momento do crime, mas a visita foi impedida. “Minha última conversa com ela foi um pedido para levar para ela uma [garrafa] térmica. Como choveu, falei que levaria hoje. Depois só recebi a ligação anunciado a tragédia.”

O assassinato de Binho do Quilombo, aos 36 anos, segue sem solução. Foi alvejado após deixar um dos três filhos na escola. A suspeita é que o assassinato tenha sido motivado por disputas territoriais nas terras do quilombo Pitanga dos Palmares, região metropolitana de Salvador, onde Binho representava uma das lideranças mais ativas.

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