
O júri popular do caso Sara Freitas, cantora gospel assassinada, retorna nesta terça-feira (24) no Fórum Criminal de Dias D’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Desta vez, os três acusados — Ederlan Santos Mariano, Weslen Pablo Correia de Jesus, o “Bispo Zadoque”, e Victor Gabriel Oliveira Neves — vão responder pelos crimes que levaram à morte da artista.
Rogério Matos, advogado da família de Sara, disse ao Grupo A TARDE que a expectativa para o julgamento é positiva. Segundo ele, o local já registrou uma condenação anterior, a do motorista Gideão, que pegou 20 anos e 4 meses de prisão, e garante que o Fórum é seguro: “Se vocês observarem, tem mais policiais do que pessoas na rua. Então o adiamento que houve em novembro, que a defesa alegou que o local era inseguro, não é verdade”.
O advogado ainda explicou quais crimes serão alvo das acusações durante o júri: homicídio qualificado pelo feminicídio, três qualificadoras adicionais, ocultação de cadáver e associação criminosa.
Sobre a família de Sara, Matos afirmou que, apesar de os acusados já estarem presos desde a decretação das prisões preventivas, o desejo é ver a condenação efetiva.
“Há uma sensação parcial de justiça, mas o que queremos de fato ver é a condenação. A condenação que, de certo, sairá aqui hoje”, relatou.
Histórico de adiamentos
O júri estava inicialmente marcado para 25 de novembro de 2025, mas foi suspenso após os advogados dos três réus deixarem o plenário de forma coletiva, alegando falta de estrutura e segurança. À época, a magistrada considerou as alegações protelatórias e determinou comunicação à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para apuração.
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Posteriormente, o julgamento foi redesignado para 24 de fevereiro de 2026 e depois ajustado para 3 de março, em razão de feriado local. A nova data, no entanto, também precisou ser alterada.
Relembre o crime
O crime ocorreu em 24 de outubro de 2023, na entrada do Povoado Leandrinho. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Sara foi morta com extrema violência. Ela teria sido atraída com um falso convite para participar de um evento religioso e executada com 22 golpes de faca.
O corpo foi posteriormente ocultado e queimado. As investigações indicam que o trio agiu de forma organizada, com divisão de tarefas e motivado por promessa de recompensa financeira e interesses relacionados à carreira artística de um dos envolvidos.
Condenação anterior
Ao todo, quatro pessoas foram denunciadas pelo crime. Um dos acusados, Gideão Duarte de Lima, já foi julgado e condenado pelo Tribunal do Júri em 16 de abril deste ano. Ele recebeu pena de 20 anos, 4 meses e 20 dias de prisão por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa.
Segundo a acusação, Gideão foi o responsável por atrair a cantora até um local isolado, onde ela foi emboscada e morta.
