
Rodoviários em Salvador são agredidos frequentemente. A rotina de quem pega no batente ainda de madrugada para rodar a cidade tem sido marcada por medo, confusão e violência. Na segunda-feira (13), mais um trabalhador acabou ferido após levar uma garrafada e uma pedrada durante uma discussão na rua Juscelino Kubitscheck, em Cajazeiras 11, enquanto exercia a função.
O tema é evidenciado em uma lista que cresce desde o segundo semestre de 2025. Entre maio e dezembro, pelo menos seis episódios de agressão contra profissionais do transporte coletivo se espalharam por diferentes bairros da capital baiana, situação que deixou a categoria em alerta.
Em 21 de maio, no Alto do Cabrito, um motorista e uma passageira protagonizaram uma briga que saiu do ônibus e foi parar no meio da rua. O desentendimento começou depois que o condutor não parou o coletivo em um local que não era ponto oficial. Do lado de fora, os dois entraram em luta corporal; a mulher puxou o cabelo do motorista e ambos caíram no chão.
Depois da confusão, o rodoviário Sérgio Bradock usou o perfil do sindicato da categoria no Instagram para relatar o ocorrido e agradecer o apoio jurídico recebido.
Se ligue:
Pouco tempo depois, no dia 31 de julho, na Baixa do Fiscal, um motorista, identificado como Adilson, sofreu um golpe de martelo na cabeça, próximo ao olho. Ele tentava ajustar o retrovisor do ônibus, que havia sido vandalizado por um homem que tentou entrar no coletivo sem pagar.
Pânico nas estações
Em 16 de setembro, outro trabalhador foi atingido com socos por um suposto policial penal durante um protesto na Estação da Lapa, um dos pontos mais movimentados da cidade. Ele precisou ser socorrido por pessoas que estavam no local até uma unidade de saúde.
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Já em novembro, conforme foi noticiado pelo MASSA!, a violência chegou novamente à Estação da Lapa. Um passageiro acabou agredido ao defender uma idosa de 62 anos que estava sendo atacada por um passageiro.
À reportagem, José Roberto, de 54 anos, morador de Colinas de Periperi, contou que acorda às 3h da madrugada há quase duas décadas para trabalhar e nunca tinha passado por situação parecida.
“Eu protegi ela como protegeria uma jovem, uma criança, um homem, quem fosse. Eu defendi porque nosso papel é esse. Eu não vou deixar uma pessoa vulnerável ser agredida por outra”, relatou.

Ele afirmou ainda que, após a repercussão, o sindicato da categoria manteve contato para acompanhar o caso. Em desabafo ao MASSA!, o motorista cobrou providências a situação que os rodoviários são submetidos:
"Eu acho que deveria cobrar mais segurança. Principalmente em estações de ônibus, que a gente fica muito vulnerável. A gente fica muito exposto. Eu acho que deveria cobrar mais segurança dos poderes públicos", completou.
Vida quase ceifada
Em dezembro, outro episódio movimentou o bairro de São Marcos. Um rodoviário de 50 anos, identificado como José Almeida, foi agredido por moradores após ser acusado de aliciar uma adolescente da comunidade. Segundo relato da jovem, ele teria mostrado as partes íntimas pela janela de casa e feito convites para que ela fosse até a residência dele.
À época, o profissional negou as acusações. Ele registrou ocorrência por agressão e invasão de domicílio, acompanhado de dois advogados — um indicado pelo sindicato e outro pela empresa. A entidade afirmou que as denúncias são "inverídicas" e alegou que "não existe qualquer boletim de ocorrência registrado contra o rodoviário, tampouco provas que sustentem a denúncia".

Após prestar depoimento, José Almeida voltou ao hospital para realizar novo exame de corpo de delito. Posteriormente também foi informado que a Polícia Civil teria identificado ao menos um suspeito do ataque. A mãe da adolescente também teve que prestar esclarecimentos.
Ações de segurança
Em resposta à reportagem, a Polícia Militar informou que realiza patrulhamento preventivo em vias públicas, tanto de forma rotineira quanto mediante acionamento. Segundo a corporação, o policiamento na cidade ocorre de forma ininterrupta.
“As unidades têm intensificado constantemente o policiamento, inclusive com operações, com vistas a coibir ações delituosas de quaisquer naturezas, contando com o reforço e o apoio de unidades convencionais, táticas e especializadas, que realizam constantes ações preventivas em todo o estado”, assegurou.
A PM destacou ainda a importância de que situações fora da normalidade sejam comunicadas por meio dos telefones 190 ou 181 (Disque-Denúncia), para que equipes sejam encaminhadas ao local. A corporação também orientou que os casos sejam formalizados em uma unidade da Polícia Civil.
Procurada sobre o assunto, a Polícia Civil da Bahia informou que "as ações ostensivas são de responsabilidade da Polícia Militar".
Além das forças de segurança, o MASSA! buscou posicionamento junto ao Sindicato dos Rodoviários, à concessionária de transporte público por ônibus, Integra, e à Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), mas não houve retorno de nenhuma das partes. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Com informações dos repórteres Bruno Dias, do MASSA!, e Leilane Teixeira, do A TARDE.
