29º Salvador, Bahia
previsao diaria
Facebook Instagram
WHATSAPP
Receba notícias no WhatsApp Entre no grupo do MASSA!
Home / Segurança Pública

Tá barril - 20/03/2026, 08:40 - Jaísa de Almeida - Atualizado em 20/03/2026, 09:04

Caso Thamiris e outros crimes fazem tropa nacional brotar em Salvador

Investigações apontam participação de presos em episódios na capital baiana

Casos como o de Thamiris e sequestro em shopping acendem alerta na segurança
Casos como o de Thamiris e sequestro em shopping acendem alerta na segurança |  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A sequência de crimes com possível articulação de dentro de presídios acendeu o alerta em Salvador e motivou o envio de reforço federal. O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou, nesta quinta-feira (19), o emprego da Força Penal Nacional (FPN) na capital baiana após pelo menos dois casos graves, registrados em menos de uma semana, levantarem suspeitas de ordens partindo do Conjunto Penal da Mata Escura.

A medida prevê a atuação por 90 dias. O objetivo é reforçar o sistema prisional com ações de treinamento e capacitação da polícia penal. O número de agentes enviados não foi divulgado.

Entre os casos que embasaram a decisão está o desaparecimento da adolescente Thamiris Pereira, de 14 anos, no bairro Jardim das Margaridas. A jovem foi vista pela última vez ao sair da escola no dia 12 de março e, segundo imagens de câmeras de segurança, caminhava pela região ainda de uniforme antes de seguir por um trajeto diferente do habitual. Depois disso, não houve mais registro de seu paradeiro.

Thamiris teve seu corpo encontrado em estado avançado de decomposição
Thamiris teve seu corpo encontrado em estado avançado de decomposição | Foto: Divulgação

A mobilização de familiares e amigos resultou em um protesto na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), no Centro Administrativo (CAB), na quinta. No mesmo dia, um corpo foi localizado em uma área de mata e, posteriormente, confirmado como sendo o da adolescente. Um suspeito foi preso e, segundo a investigação, ele era vizinho de Thamiris e teria atraído a jovem até o local do crime.

Leia Também:

A apuração aponta que o homicídio teria sido ordenado de dentro da prisão por um homem, identificado como Davi de Jesus Ferreira, detido em fevereiro por tráfico de drogas e violência contra a mulher. A suspeita é de que ele acreditava que Thamiris teria acionado a polícia para denunciar as agressões.

Davi de Jesus Ferreira, possível mandante do crime
Davi de Jesus Ferreira, possível mandante do crime | Foto: Reprodução/Redes sociais

Sequestro em shopping

Outro episódio investigado ocorreu no estacionamento do Salvador Shopping, onde três mulheres da mesma família foram abordadas por homens armados ao se aproximarem do carro. As vítimas foram levadas para uma casa abandonada e obrigadas a realizar transferências bancárias. Elas foram liberadas cerca de 12 horas depois.

O principal suspeito de ser o mandante é Paulo Vitor, preso há sete anos no Conjunto Penal da Mata Escura. Ele é apontado como um dos líderes do Bonde do Maluco (BDM). Segundo as autoridades, o homem contou com o apoio da esposa, Emile Quessia Oliveira, que estava em liberdade, e negociou a liberação das vítimas por chamada de vídeo feita de dentro do xilindró.

Casal responsável pelo sequestro
Casal responsável pelo sequestro | Foto: Reprodução/Redes sociais


De acordo com as investigações, mesmo preso há anos, ele utilizava um aparelho celular na cela para se comunicar com outros integrantes do grupo criminoso e orientar ações fora da unidade prisional. Foi por meio desse contato que ele teria participado diretamente da condução do sequestro.

Cenário apontado pelo MASSA!

Antes da sequência de crimes, o MASSA! já havia publicado uma entrevista exclusiva com destaque para o fortalecimento da atuação de facções a partir do uso de tecnologia, mesmo com integrantes presos. O material trouxe à tona a dificuldade de interromper a comunicação entre internos e comparsas fora das unidades.

Em entrevista à época, o promotor do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Edmundo Reis, explicou que o sistema prisional da capital ainda não dispõe de mecanismos capazes de bloquear completamente esse tipo de contato, o que mantém o desafio de isolar lideranças criminosas.

Edmundo é promotor de Justiça
Edmundo é promotor de Justiça | Foto: Divulgação/MP-BA

Após as declarações, no mesmo período, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap-BA) afirmou que “não houve, até aquele momento, especificação ou comprovação de que as eventuais ordens criminosas mencionadas tenham sido transmitidas por meio de aparelhos celulares em posse de internos custodiados no sistema prisional estadual.”

Ainda assim, o órgão informou que permaneceu com a ampliação de investimentos em inteligência, tecnologia e operações integradas, com o objetivo de prevenir e reprimir qualquer articulação criminosa que tente sair das unidades prisionais.

exclamção leia também