
Os réus acusados pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira foram condenados pelo júri popular realizado no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, nesta terça-feira (14). Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos foram sentenciados a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão, e 29 anos e 9 meses de prisão, respectivamente. Eles ficarão detidos em regime fechado.
A sessão foi conduzida pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos e se estendeu ao longo do dia, com debates entre o Ministério Público da Bahia, a assistência de acusação e as defesas. Durante o julgamento, os jurados reconheceram a responsabilidade dos acusados pelo crime.
Arielson chegou a confessar participação no assassinato ainda no primeiro dia de júri, alegando que a intenção inicial seria apenas intimidar a vítima. Já Marílio dos Santos permanece foragido, mas também foi julgado.
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Segundo a denúncia do MP-BA, o crime foi motivado pela atuação firme de Mãe Bernadete contra a expansão da facção criminosa Bonde do Maluco no Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado em Simões Filho.
“O resultado do júri foi a vontade da sociedade e ao Poder Judiciário cumpre, efetivamente, levar a efeito aquilo que os jurados decidiram. Então, foi um momento importante. É a segurança sendo renovada, é a resposta do Poder Judiciário a crimes bárbaros que acontecem. Não estamos omissos, muito pelo contrário. Todas as vezes em que houver a prática de uma infração, o Poder Judiciário estará presente para coibir fatos desta natureza”, destacou o Presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), Desembargador José Rotondano.
O filho de Mãe Bernadete, Jurandir Pacífico falou sobre o sentimento de Justiça. “foram dois dias cansativos, mas o que fica e a sensação da justiça sendo feita. Foi doloroso, um crime tão brutal que abalou não só a Bahia, mas o Brasil e o mundo. A defesa, como sempre, tentando defender o indefensável. Mas a gente tem que ter discernimento para ouvir e não absorver tudo isso. No final deu tudo certo. Se fez justiça”.
Relembre o caso
Mãe Bernadete foi assassinada com 25 tiros no dia 17 de agosto de 2023, dentro da associação quilombola que liderava. Reconhecida pela defesa dos direitos das comunidades tradicionais, a líder já sofria ameaças antes do crime.
O processo foi transferido de Simões Filho para Salvador por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia, como forma de garantir a imparcialidade do julgamento.
Além dos réus condenados nesta etapa, outras três pessoas também foram denunciadas pelo Ministério Público e ainda aguardam julgamento: Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, apontado como mandante do crime.
