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O show não pode parar - 26/06/2026, 21:59 - Vinicius Viana

Nordeste de Amaralina prolonga clima junino após fim das festas

Mesmo após o fim do São João em boa parte da Bahia, o Arraial do Nordeste segue animando a comunidade

Povão tá quebrando e amassando no Arraial do Nordeste de Amaralina
Povão tá quebrando e amassando no Arraial do Nordeste de Amaralina |  Foto: Ag. A Tarde/Denisse Salazar

Se em boa parte da Bahia o São João já se despediu, no Nordeste de Amaralina a sanfona ainda não parou de tocar. O Complexo iniciou, nesta sexta-feira (26), a saideira dos festejos juninos com shows, comidas típicas, sambas juninos e forte valorização da cultura local. O evento continua neste sábado (27), a partir das 14h.

Gilson do Arrocha abre a programação

Quem abriu a programação foi o cantor Gilson do Arrocha, de 50 anos, nascido e criado no Nordeste de Amaralina, que subiu ao trio e embalou o público ao som de clássicos da seresta, como “Por Deus Eu Te Amo”, de Léo Magalhães, “Quando Te Encontrei”, de Raça Negra, e “Arrependido”, do Grupo Arrocha. Esta foi a primeira vez que o artista se apresentou no São João do Nordeste.

Em entrevista ao MASSA!, o cantor falou sobre a emoção de cantar no bairro onde nasceu, diante de um público formado por pessoas que acompanharam sua trajetória desde o início.

“Para mim, é uma satisfação enorme, como se fosse uma conquista. É um sonho realizado, porque a gente começa de baixo, fazendo shows pequenos, em festinhas, e de repente está em um evento desse porte, com tanta gente”, afirmou.

Gilson também comentou sobre a presença expressiva do público e a força da festa junina na comunidade, que mobilizou moradores mesmo após o fim do São João em outras cidades da Bahia.

“É muito gratificante ver essa multidão curtindo a festa. Nem parece que muita gente já passou o São João no interior. Está todo mundo aqui, animado, e isso mostra a força dessa festa dentro da comunidade”, disse.

Na sequência da programação, o samba junino ganhou espaço na programação e tomou conta do evento, reforçando uma das principais expressões culturais do Nordeste de Amaralina e mantendo viva uma tradição histórica da comunidade.

Povão tá quebrando e amassando no Arraial do Nordeste de Amaralina
Povão tá quebrando e amassando no Arraial do Nordeste de Amaralina | Foto: Ag. A Tarde/Denisse Salazar

Moradores falam da importância da festa

Moradora do Complexo do Nordeste e sambadeira, Rosy Bombom pontuou que a realização do São João dentro da comunidade representa mais do que entretenimento, sendo também uma forma de mostrar outras narrativas do território. “No mundo em que a gente vive hoje, com tanta coisa ruim acontecendo, ver uma festa como essa é muito importante. Mostra que o bairro não tem só coisas ruins, também tem coisas boas. Além disso, ajuda os empreendedores da região e os moradores que não viajaram no São João”, afirmou.

Para a moradora e sambadeira Elisângela Xavier, o São João no Complexo do Nordeste oferece lazer e convivência para públicos de todas as idades, sem que os moradores precisem sair do bairro. “O Nordeste tem muita coisa boa para oferecer, não só no São João. Este é o segundo ano do Arraial do Nordeste, e é maravilhoso ver famílias inteiras curtindo perto de casa, crianças, adultos e idosos. Não precisa sair daqui para curtir boas atrações. Tudo que a gente precisa, encontra no Nordeste e até mais”, acrescentou.

Povão tá quebrando e amassando no Arraial do Nordeste de Amaralina
Povão tá quebrando e amassando no Arraial do Nordeste de Amaralina | Foto: Ag. A Tarde/Denisse Salazar

A comunicação comunitária

Ao falar sobre a importância do evento, o fundador do veículo de imprensa comunitária Nordesteusou (NES), Rodrigo Coelho, afirmou que o São João representa uma ferramenta de valorização cultural e fortalecimento econômico da comunidade. “Para a gente, isso tem uma importância enorme, porque estamos sempre defendendo a bandeira da cultura dentro do Nordeste de Amaralina e mostrando que é possível realizar grandes eventos dentro da periferia, movimentando também a economia local”, declarou.

Sobre a atuação do NES, ele falou sobre o papel do coletivo na preservação das tradições locais, especialmente o samba junino. “Em todas as atividades culturais realizadas no Nordeste de Amaralina, o Nordesteusou está presente. O nosso papel também é resgatar a história da nossa cultura e fortalecer tradições que precisam ser revitalizadas, como o samba junino”, ressaltou.

Público está curtindo o período junino no Nordeste de Amaralina
Público está curtindo o período junino no Nordeste de Amaralina | Foto: Ag. A Tarde/Denisse Salazar

Economia solidária no evento

Liderança comunitária e presidente do conselho local, Paulo Lé também participou da festa como empreendedor, comercializando bebidas produzidas por ele mesmo. Segundo ele, o evento tem papel fundamental na geração de renda e no fortalecimento da economia solidária.

“Aqui, a festa movimenta a economia solidária, porque a gente compra e vende dentro da própria comunidade. O dinheiro circula entre os moradores e fortalece o comércio local”, explicou.

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“Para produzir as bebidas, a gente compra frutas, gelo, insumos e outros materiais com comerciantes da própria região. Esse giro faz com que o dinheiro permaneça circulando dentro da comunidade, gerando renda para mais pessoas”, acrescentou.

Samba do Gordinho e tradição junina

Fundador do bloco Samba do Gordinho, Ivo Andrade, conhecido como Gordinho, destacou a importância do samba junino para a identidade cultural do Nordeste de Amaralina. O grupo foi um dos que se apresentou no evento, ao lado de Samba Serra, Samba VC Bebeu, Samba do Ubuntu e Samba Unidos do Capim.

“Eu nasci vendo o samba junino. Fui criado em uma família grande, com 10 irmãos, e essa cultura sempre fez parte da minha vida. Em algum momento ela perdeu força, mas voltou com uma potência enorme, mostrando que essa tradição continua viva dentro da nossa comunidade. Hoje, ver esse movimento crescendo é motivo de muita alegria, não só para mim, mas para meus amigos e para toda a comunidade”, afirmou.

Programação segue no sábado

A programação do primeiro dia contou com apresentações de Remonzinho, Dudu Francis, Simone Morena, Nonato Lima e Nenho. Já neste sábado, o evento segue com shows de Canários do Reino, Flavinho, Lú Sodré, Quadrilha Sustentável, Samba Junino, Pirilampo, Cicinho de Assis, Virgílio, Tainá Agazi, Willian Sans, Cantando de Galo e Kimimo do Forró.

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