
O São João sempre foi conhecido como a época de comer milho, dançar nas quadrilhas e, principalmente, de escutar muito forró. Durante muito tempo, o gênero nordestino dominou as playlists juninas. Porém, com a ascensão de ritmos como o piseiro e o sertanejo, os festejos de junho vem ganhando uma nova trilha sonora. Entre o público mais jovem, as opiniões ficam divididas entre respeitar a tradição ou abraçar a modernidade.
Em Paripe, um dos bairros escolhidos para sediar o Sanju de Salvador este ano, a grade de atrações apresentava desde o sertanejo de Zé Felipe até o forró eletrônico de Cavaleiros do Forró. A festa rolou durante três dias, indo de sexta-feira (19), até domingo (21), com os shows acontecendo em um palco montado na Praça João Martins. Entre o público, existia desde os mais conservadores até os mais liberais quando o assunto era música junina.

“Eu sou bem apaixonado pelo forró. Eu estava pensando em viajar, mas aí decidi ficar aqui e vim aproveitar o forró. Geralmente eu prefiro um forró clássico, algo mais interiorano é o que eu gosto”, contou Alison Cardoso, 27, que estava curtindo o São João no bairro pela primeira vez. Apesar de ser mais adepto ao forró raiz, Alison confessa que foi conquistado pela pegada mais eletrônica da banda Cavaleiros do Forró.
Sendo um defensor das raízes do São João, o morador de Paripe destaca que possui uma relação afetiva com o forró. Tendo crescido ouvindo o gênero, Alison conta que começou a curtir o estilo por influência de seu pai. “Eu cresci com essa música tradicional e cultural no São João, muito uma cultura do interior trazida por meu pai. Mesmo estando em outros lugares, eu prefiro escutar um forró”, destacou.
O baiano admitiu que, atualmente, a maioria do público mais jovem procura por ritmos mais modernos nas festas juninas. Entretanto, ele pontuou a importância de garantir o espaço para um repertório mais raiz dentro da festa. “Talvez o que atraia mais o pessoal para o São João seja a parada do sertanejo ou do piseiro mesmo. Mas, eu acho que no São João tem que ter um forró tradicional”, afirmou.
Tem quem prefira outro ritmo
Se de um lado tínhamos quem defendia o tradicional, do outro tínhamos a galera que estava afim de cair de cabeça no “novo”. Com uma energia sem igual, Evelyn Oliveira, 24, não fazia questão de esconder que estava doida para curtir um piseiro. “Hoje eu tô na vibe do piseiro, aquela questão mais animada no São João, algo que seja para aquecer já que está um pouquinho frio com esse clima de Salvador”, explicou.
Mesmo sendo adepta a modernidade, Evelyn também não abria mão de canções mais clássicas. Ela garantiu que também caía na dança quando começava a tocar xote. “Eu gosto do forró tradicional, gosto do xote, inclusive estava muito animada para Adelmario Coelho que teve aqui esse ano. Então, eu gosto de algo mais animado, mas também curto aquele xotezinho para dar aquela dançada legal”, pontuou.
Nem todo mundo gosta da presença de outros gêneros além do forró durante as festas juninas. Há quem argumente que o “dono da festa” está perdendo espaço na própria casa, mas Evelyn discorda desse tipo de pensamento. “Eu acredito que todo mundo tem que curtir tudo, porque são artistas excepcionais e que dão o seu melhor todos os anos para estarem com a gente. E assim, é um retorno do Governo do Estado para a gente ficar feliz e curtir”, afirmou.

Respeito ao forro
Mesmo com as mudanças que vieram com as novas gerações, o São João continua sendo um espaço em que a tradição e a raiz continuam florescendo. Os mais jovens, mesmo quando são adeptos a outros estilos musicais, sabem respeitar quem veio antes. Além de gerar entretenimento para a galera, o forró também serve como uma ponte para conectar o público com suas próprias origens.
Nascido no município baiano de Cícero Dantas, Frankle Dias, 25, sempre curte um forró tradicional durante o período junino. Aproveitando Paripe pela primeira vez, o jovem contou que junho é sua época favorita para curtir. “Eu sou do interior, então para mim o forró basicamente está na veia. Sempre que tem forró eu acho maravilhoso, não tem nenhuma época do ano que eu saia tanto quanto no São João”, disse.
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Apaixonado pelo Sanju, Frankle faz de tudo para preservar a tradição do ritmo nordestino todos os anos. Para ele, é de uma importância sem igual que o público saiba abraçar e valorizar a cultura da região durante esse período. “Eu acho que é muito bom ter essa conexão com o forró por parte do público, porque normalmente sempre rola essas festas paredão. O forró é muito importante para termos uma conexão diferente”
