
Viajar com a família, acompanhar shows e construir boas memórias são as marcas registradas do São João. Entretanto, enquanto muitos aproveitam o período para curtir, trabalhadores de todos os setores precisam ralar até tarde para fazer a festa acontecer. Bombeiros, policiais, vendedores e muitos outros heróis trocam o convívio com quem amam para trabalhar no São João e descolar uma graninha a mais.
No palco montado em Paripe, um dos principais bairros a sediar o São João de Salvador em 2026, os preparativos juninos começam bem cedo. Durante os três dias de festa no bairro, os primeiros a chegarem no local sempre eram os responsáveis pela segurança. Trabalhando com eventos há um ano, Patrícia Fonseca, 38, conta que sua rotina começa às 4h30 da manhã.
Controlando a circulação de pessoas no backstage do palco, Patrícia trabalhou de sexta-feira (19) até o domingo (21) na festa do Subúrbio de Salvador. “É gratificante fazer a segurança do público e ajudar a festa acontecer”, contou a baiana. A farra só acaba de madrugada e a segurança costuma ficar o dia inteiro fora de casa. Por conta disso, Patrícia não pôde participar do aniversário de sua filha, mas garantiu que vai recompensar a pequena assim que possível. “Na segunda-feira, quando já tiver acabado, eu vou estar com ela”, disse.
É normal pensar que quem trabalha durante esse período não se diverte, mas para a baiana não é bem assim. Estando atrás do palco na maior parte do tempo, Patrícia consegue curtir as atrações enquanto exerce sua profissão. “Às vezes sobra tempo para curtir, às vezes não. Eu to curtindo aqui [enquanto trabalho]. Quando eu não estou trabalhando, eu saio para com minhas amigas, fico com minha família”, explicou.
Quem também chega no São João antes das atrações principais é o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA). Trabalhando na corporação há 39 anos, o capitão Gilvã Rodrigues acredita que cuidar do público no Sanju de Paripe é uma tarefa bem tranquila. “O Corpo de Bombeiros se faz presente principalmente com a prevenção de acidentes e trazendo segurança para toda a comunidade. Esse é um evento bem tranquilo, já tenho alguns anos trabalhando aqui e é sempre bem tranquilo”, afirmou.
As noites foram sem grandes ocorrências e a única preocupação maior era a saudade da própria família. Apesar de ser pai, o capitão já se acostumou a estar longe de casa durante os períodos festivos. “Para gente é muito tranquilo trabalhar em eventos porque essa é a nossa profissão, é o que escolhemos fazer. A gente faz isso sempre com uma grande satisfação”, pontuou.
No sábado (20), o público compareceu em peso para assistir aos shows gratuitos. Mesmo com a galera em peso, a festa seguiu em paz e os bombeiros dormiram com a certeza de que tudo ocorreu bem. “Apesar dos dias com muito público, nós não temos grandes ocorrências, são sempre ocorrências muito simples. O bombeiro está sempre presente, chegando antes do evento acontecer, justamente para trazer essa segurança para a população”, disse Gilvã.
Alguns trabalhadores também aproveitam o período de junho para conquistar uma renda extra. Chegando na Praça João Martins, espaço onde foi montado o palco em Paripe, a primeira coisa a ser notada era o número de vendedores ambulantes em atividade. Licor, cerveja, espetinhos e amendoins eram apenas alguns dos itens que eram encontrados no local.
Vendedora há mais de cinco anos, Mainara Marinho, 26, conta que seu trampo sempre começa a partir das 16h, algumas horas antes do primeiro show. Por ser moradora da região, ela não precisa se preocupar com o transporte de ida e volta. “As coisas já ficam aqui, a gente só faz comprar as mercadorias e colocar nos isopores. Eu já estou acostumada, então para mim é ótimo”, detalhou.
O público do segundo dia de festa estava melhor do que na sexta-feira (19), e o que mais estava sendo vendido era a cerveja Império. Mesmo estando na labuta enquanto os outros se divertem, Mainara não parece se incomodar com o trabalho a mais. “Para mim é normal, eu gosto de dinheiro. Pessoal vem comprar em minha mão, então eu tô aqui vendendo e curtindo ao mesmo tempo”, pontuou.
Os valores desse ano não estavam agradando a todo mundo. A comerciante revelou que houve um aumento no preço da mercadoria e que, infelizmente, os vendedores precisam repassar isso para os clientes. “Pessoal está achando ruim, mas é porque a mercadoria está cara mesmo. A gente ainda está botando em um valor acessível, tem alguns lugares que são R$ 8 ou R$ 9 a depender o tipo da cerveja”, destacou.
A saída do Parque de Exposições trouxe uma série de mudanças para o São João de Salvador. Para lidar com essas alterações e o aumento da circulação de pessoas em Paripe, o batalhão da Polícia Militar contou com uma ajudinha. Tropas especializadas vindas de fora e com treinamento especial para controle de tumultos, foram destinadas ao bairro e ficaram responsáveis por fazer com que nada saísse fora do planejado.

“O São João teve um investimento muito maior esse ano. Por não ter o Parque de Exposições, [a festa] se concentrou mais no Pelourinho e aqui na nossa região. Então, o fluxo de pessoas vem aumentando e com isso tivemos um apoio muito maior do que no ano passado”, disse o Major da 19º CIPM de Paripe, Marcus Vinicius.
Com 25 anos de estrada, Marcus tem experiência de sobra quando o assunto é patrulhar a festa junina no Subúrbio. Segundo ele, os shows que rolam no bairro são tranquilos e a galera aproveita para passear com a família. “Aqui já é uma tradição bem familiar. A gente percebe que o povo vem com seus filhos, com pessoas idosas, para curtir o São João na maior absoluta paz. Estamos aqui para garantir, mas as intervenções são mínimas”, pontuou.
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É comum ter uma imagem formal e séria do corpo policial. Entretanto, por trás da farda, existem pessoas comuns que gostam de aproveitar o São João sempre que conseguem. “Os policiais não tiram a escala continua, então se ele trabalha a noite, no outro dia está de folga. Quem quiser, consegue dar aquela escapulida e ir para uma festa. Eu prefiro me reservar porque estou todos os dias aqui”
