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Tradição em crise - 03/06/2026, 19:35 - Dara Medeiros e Gabriel Freitas* - Atualizado em 03/06/2026, 19:50

Aumentou! MP diz que valor do cachê de Flávio José subiu 40%

Fiscalização do Ministério Público gerou onda de cancelamento de shows de diversos artistas no São João da Bahia

Flávio José e outros artistas cancelam shows no São João da Bahia após nova regra do MP-BA
Flávio José e outros artistas cancelam shows no São João da Bahia após nova regra do MP-BA |  Foto: Divulgação

A nova regra para cachês de artistas no São João de 2026, estabelecida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), desencandeou uma série de cancelamentos de shows nos festejos juninos no estado. O caso ganhou repercussão nesta quarta-feira (3), após o cantor Flávio José afirmar que suspenderia todas as apresentações nos municípios baianos neste ano.

“Este ano a Bahia ficará sem minha presença. Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê! Enquanto outros artistas que nada tem haver com forró ganham rios de dinheiro. É de um desrespeito sem tamanho”, disse Flávio José nas redes sociais.

De acordo com apuração do Grupo A TARDE, a equipe do forrozeiro justificou a declaração alegando que, após a determinação do órgão, o cachê dele sofreria uma redução de um pouco mais de R$ 45 mil e eles não estavam de acordo com isso.

Veja o comentário de Flávio José na íntegra:

Imagem ilustrativa da imagem Aumentou! MP diz que valor do cachê de Flávio José subiu 40%
Foto: Reprodução/Instagram

Outras cidades também foram afetadas. No caso de Senhor do Bonfim, situado a 375 km de Salvador, além do possível cancelamento de Flávio José, alguns cantores que haviam sido anunciados pela prefeitura não adicionaram o município na agenda oficial divulgada ao público, como Henry Freitas e a dupla Matheus e Kauan, aquecendo os rumores de que também não estarão presentes nos festejos.

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Já em Pojuca, localizado a cerca de 67 da capital, as bandas Mastruz com Leite, Cavaleiros do Forró, Arreio de Ouro e o cantor Tayrone não vão se apresentar mais após a redução do cachê pelo MP-BA. A informação foi confirmada pelo prefeito Luiz Trinchão (PSD).

Prefeituras, Ministério Público e artistas debatem possibilidades

Em meio às tensões causadas pela possibilidade dos eventos de São João no estado terem grandes nomes da música cancelados, algumas medidas estão sendo tomadas, como reuniões para renegociações dentro das próprias determinações estabelecidas pelo Ministério Público.

Em alguns outros casos, como no Arraiá do Juca, do município de Pojuca, algumas atrações não aceitaram as novas propostas e ficarão realmente de fora da festa. Em comunicado publicado pelo portal oficial da prefeitura, Luiz Trinchão explicou o processo de negociação.

“A Prefeitura buscou diálogo e tentou negociar adequações nos valores dos cachês para viabilizar a permanência das atrações na grade. No entanto, as negociações não avançaram para um acordo que permitisse as contratações dentro dos parâmetros exigidos pelos órgãos de controle, por isso também estão fora do Arraiá do Juca 2026”, diz o texto.

A reportagem do MASSA! entrou em contato com a assessoria do cantor Flávio José para obter detalhes sobre o cancelamento dos shows na Bahia. Não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto e a matéria será atualizada assim que houver um posicionamento oficial.

MP diz que cachê de Flávio José aumentou

Já o Ministério Público da Bahia informou que os municípios têm sido avisados sobre a necessidade de adequação nas contratações destes artistas nos moldes estabelecidos pela Instituição e Tribunais de Contas (TCM e TCE) e tomem como referência a média dos valores pagos aos artistas em 2025, atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Segundo o MP-BA, o modelo foi adotado com o objetivo é evitar aumentos excessivos de cachês custeados com recursos públicos. Para artistas que ganharam maiores projeções de maneira mais recente, há outros critérios que validam tais contratações. Além disso, o órgão também destacou que estão abertos para "dialogar com os empresários de Flávio José e demais artistas interessados".

"Até o momento, foram enviadas recomendações a mais de 100 municípios, incluindo aqueles que anunciaram contratações do artista Flávio José, pelo valor de R$ 350 mil, um aumento de R$ 100 mil em relação ao ano passado", diz um trecho da nota.

Confira a nota na íntegra:

"O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) informa que tem encaminhado recomendações aos Municípios para que eles adequem as contratações de atrações artísticas aos parâmetros estabelecidos pela Instituição e Tribunais de Contas (TCM e TCE) e tomem como referência a média dos valores pagos aos artistas em 2025, atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O objetivo é evitar aumentos excessivos de cachês custeados com recursos públicos.

Nas últimas quatro edições dos festejos juninos na Bahia, observou-se uma significativa escalada nos valores das contratações artísticas, com a média dos contratos passando de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil.

Até o momento, foram enviadas recomendações a mais de 100 municípios, incluindo aqueles que anunciaram contratações do artista Flávio José, pelo valor de R$ 350 mil, um aumento de R$ 100 mil em relação ao ano passado. As recomendações buscam a adequação do contrato às orientações técnicas dos órgãos de controle, construídas a pedido dos próprios gestores municipais, via União dos Municípios da Bahia (UPB).

Vale destacar que o MPBA e os Tribunais de Contas também estabeleceram critérios técnicos que consideram a notoriedade e a projeção dos artistas, reconhecendo que atrações de maior relevância no mercado podem justificar valores contratuais superiores aos parâmetros médios.

Esses critérios fundamentam compromissos de redução de valores que estão sendo firmados com os representantes dos artistas que buscam voluntariamente o MPBA.

Até o momento, em apenas uma semana, foram realizados acordos que geraram economia de R$ 8,8 milhões aos cofres públicos. A Instituição está à disposição para dialogar com os empresários de Flávio José e demais artistas interessados."


*Sob a supervisão do repórter Wiliam Falcão

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