
A CPI dos Pancadões, realizada na Câmara Municipal de São Paulo, nesta quinta-feira (28), foi marcada por confusão e tensão que quase terminaram em prisão. O motivo foi o depoimento do ativista Thiago Torres, conhecido como 'Chavoso da USP', que participou da sessão como testemunha e não se intimidou diante das perguntas dos vereadores.
Leia Também:
Em determinado momento, o presidente da comissão, vereador Rubinho Nunes (União Brasil), questionou Thiago se havia crime organizado nas periferias. O ativista respondeu que o crime estava presente em todos os lugares, “inclusive dentro dessa Casa”.
A declaração fez com que os vereadores da direita pegassem ar. Rubinho, acompanhado da vereadora Cris Monteiro (Novo), exigiu que o ativista apontasse quais parlamentares teriam ligação com o crime organizado. O presidente da CPI chegou a ameaçar dar voz de prisão ao 'Chavoso da USP'.
“O senhor afirmou categoricamente. Quem é o vereador ligado ao crime organizado? Se o senhor não responder, vou adotar as medidas legais”, disparou Rubinho em tom exaltado.
O clima ficou ainda mais tenso quando o vereador ameaçou rever a transmissão da sessão e acionar a polícia caso Thiago negasse sua fala. Nesse momento, as vereadoras Keit Lima e Amanda Paschoal (PSOL), junto ao advogado do ativista, intervieram em defesa de Thiago e questionaram a postura do presidente da comissão.
“Presidente, o senhor falou que vai dar voz de prisão. Quero que o senhor discorra. Por que ele sairia preso daqui? Fundamente isso. O senhor está cometendo abuso de autoridade e focado em fazer corte”, afirmou o advogado.
Após o embate, os ânimos se acalmaram parcialmente. Rubinho pediu que sua assessoria recortasse o trecho da fala de Thiago e encaminhasse ao Ministério Público para a adoção das medidas cabíveis.
O que é a CPI dos Pancadões?
A comissão foi criada para investigar supostas ligações entre organizações criminosas e os bailes funk realizados em regiões periféricas da capital paulista. Entre os convocados para depor estão funkeiros e influenciadores.
Para Thiago, a CPI tem como real objetivo criminalizar o funk e as periferias. Segundo ele, essa tentativa, no entanto, não conseguiu atingir o efeito esperado pelos parlamentares.