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Kleber Rosa vibra com câmeras nas fardas da PM: "Fundamental"

Em conversa com o Portal Massa!, investigador da Polícia Civil e candidato ao governo da Bahia em 2022 fala sobre medida

Cássio Moreira
Cássio Moreira
Kleber Rosa enxerga possibilidade de avanço na segurança pública
Kleber Rosa enxerga possibilidade de avanço na segurança pública |  Foto: Raphael Muller/Ag. A Tarde

O investigador da Polícia Civil e sociólogo Kleber Rosa (Psol), quarto colocado na disputa pelo governo da Bahia nas eleições de outubro, comemorou o anúncio feito pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) da licitação para a compra de câmeras que serão instaladas nas fardas de policiais militares. A medida fazia parte das promessas de ambos os candidatos durante a campanha.

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Em entrevista ao Portal Massa!, na tarde desta terça-feira (3), Kleber explicou a importância da adoção do equipamento para proteger não somente a população, mas também aos policiais. Segundo o sociólogo, o comunicado feito pelo novo governador durante a posse dos secretários pode representar uma mudança signiticativa na política de segurança pública executada pelo estado. O escolhido por Jerônimo para administrar a pasta é Marcelo Werner, delegado da Polícia Federal

"Eu defendi isso durante a campanha (instalação das câmeras), pautei a urgência do estado absorver essa política de monitoramento da ação policial através das câmeras. Obviamente isso termina protegendo o policial também, que muitas vezes utiliza do celular para flagrar situações de abusos contra os policiais, embora o objetivo principal seja sanar com a sangria, com a guerra, com essa mortalidade absurda gerada pela ação policial, fruto da política adotada pelo estado. Parabenizo Jerônimo por ter feito esse comunicado, reconhecer que a política adotada de segurança pública exige mudanças [...] esse reconhecimento é fundamental e sugere que podemos ter mudanças significativas na segurança pública da Bahia", disse kleber, que trouxe como exemplo o estado de São Paulo, que implantou a medida e conseguiu reduzir o número de homicídio fruto de ação da polícia.

"É um mecanismo já testado no estado de São Paulo e com resultados que mostram a importância dessa política, com a diminuição de óbitos gerados por ação policial. É necessário, fundamental, e é para parabenizar Jerônimo", completou.

O psolista ressaltou ainda que Jerônimo precisa ter um olhar especial para o auto de resistência (quando é justificada resistência da vítima morta em uma ação policial). De acordo com Kleber, as ocorrências não são mais investigadas pela Polícia Civil, o que é ilegal.

"Fundamental pensar em outras ações importantes. Tem um outro elemento que ele precisar dar resposta, que é em relação ao auto de resistência, uma soma de ações [...] o auto de resistência não é investigado pela Polícia Civil, isso é ilegal, e expressa uma blindagem dessa política de ação policial violenta. É necessário reverter isso com urgência. Essas questões respondem ao clamor popular", explicou.

Resistência

Questionado sobre uma possível rejeição dos PMs com a instalação do equipamento, Kleber Rosa afirmou que qualquer resistência deve ficar apenas na esfera da dificuldade de compreender a importância, sem qualquer movimento concreto.

"A resistência acontece. Existe uma tendência dos setores policiais de legitimarem essa política de violência adotada, acreditam que é uma forma de proteger o trabalho, a ação. Existe um sentimento consensuado, ainda que haja posições contrárias, de que os policiais precisam ser blindados na sua ação porque acham que essa ação violenta é natural da polícia. Então, acho que há resistência do ponto de vista de compreender a importância, mas não creio que haja qualquer tipo de resistência concreta com o objetivo de evitar ou qualquer tentativa de insurgir. Vai terminar sendo adotado, o governador tem uma força institucional", finalizou.

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