
O senador Jaques Wagner (PT-BA) defendeu a criação de um sistema de rastreamento de armas produzidas pela indústria como uma das medidas que poderiam ajudar no combate ao crime organizado no Brasil. O petista, que busca a reeleição para o Senado, participou da sabatina do Grupo A TARDE nesta sexta-feira (14).
A proposta, segundo ele, seria colocar chips em fuzis, metralhadoras e outras armas fabricadas legalmente para permitir a identificação da origem do armamento caso ele seja desviado e parar nas mãos de criminosos.
“Por que não colocar um chip no armamento que é vendido pelas fábricas? Porque cocaína você pode produzir no fundo de uma mata. Maconha você pode plantar em qualquer lugar. Droga sintética você pode produzir em um pequeno laboratório. Mas ninguém constrói uma metralhadora ou um fuzil no fundo do quintal. Hoje existe chip para identificar a origem da carne bovina, da carne de frango, do ovo etc. E por que não haveria um chip, como os utilizados nos carros? Quando você vai fazer um seguro, a seguradora quer logo colocar um chip no seu carro para poder identificá-lo”, declarou.
Controle
Na avaliação dele, o mecanismo permitiria descobrir de qual fábrica saiu determinado armamento e identificar em que momento ele foi desviado para o crime. Além do rastreamento de armas, Wagner defendeu que o combate ao crime organizado deve atingir o dinheiro movimentado pelas facções. Ele citou a Operação Carbono Oculto, realizada em São Paulo, como exemplo de investigação.
“Naquela operação, a Polícia Federal e as polícias estaduais foram ao bolso do tráfico. Ou seja, foram ao bolso do PCC e do Comando Vermelho, que é a parte do corpo que mais dói. E aí descobrimos que várias instituições financeiras, como as fintechs, que são aqueles bancos que não têm uma porta aberta na rua, apenas um banco virtual, utilizavam o Pix para fazer lavagem de dinheiro do tráfico. Hoje, você sabe que o tráfico está usando tecnologia. Virou uma multinacional do crime. Os que atuam no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Rio Grande do Sul também atuam na Bahia, em Pernambuco, em Fortaleza e fora do país. Essa é a realidade. O tráfico é mundial”, completou.
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O senador foi o quinto candidato ao Senado a participar da série de entrevistas promovida pelo Grupo A TARDE. A sabatina foi conduzida por Eduardo Dias, editor de Política do portal A TARDE, e Juliana Nobre, head do Massa!, com a participação dos jornalistas Ane Catarine, da editoria de Política do portal A TARDE, e Lula Bonfim, editor-chefe do Bahia.Ba.
Conheça a trajetória política de Wagner
Nascido no Rio de Janeiro, Jaques Wagner construiu sua carreira política na Bahia. A trajetória eleitoral começou em 1990, quando foi eleito deputado federal. Ele voltou a conquistar uma cadeira na Câmara em 1994 e 1998.
No governo federal, Wagner comandou o Ministério do Trabalho entre 2003 e 2004, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois, passou pela Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e, em 2005, assumiu o Ministério das Relações Institucionais.
A relação com o governo baiano veio em 2006, quando venceu a eleição para governador. Wagner permaneceu no cargo por dois mandatos, entre 2007 e 2014. Em seguida, voltou ao governo federal como ministro-chefe da Casa Civil, função exercida entre 2015 e 2016.
Em 2018, foi eleito senador pela Bahia e assumiu o mandato no ano seguinte. Atualmente, Wagner busca a renovação da cadeira no Senado nas eleições de 2026, que vão definir dois representantes da Bahia para a Casa.
Onde acompanhar?
A sabatina poderá ser acompanhada ao vivo pelo canal do A TARDE Play no YouTube e pela rádio A TARDE FM 103.9. Os portais A TARDE e MASSA! também farão a cobertura do encontro na página especial de Eleições.

