
Vídeos, protestos, “fiscalizações”, viagens para encontrar integrantes da família Bolsonaro e muito barulho nas redes sociais. Nos últimos anos, uma ala da direita baiana, principalmente ligada ao PL, apostou pesado em ações de impacto para ganhar espaço político. No entanto, quando chegou a hora da urna, alguns dos nomes mais conhecidos desse chamado “oba-oba” ficaram sem mandato.
O caso de maior destaque é o do deputado estadual Leandro de Jesus (PL). O bolsonarista decidiu subir o sarrafo e deixou a disputa pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) para tentar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Recebeu 91.368 votos, mas terminou como suplente.
A votação foi bem maior que os 39.206 votos que o elegeram deputado estadual em 2022, mas, desta vez, a matemática do sistema proporcional não lhe garantiu uma vaga.
A falta de cadeira em Brasília chama atenção justamente pela exposição acumulada pelo parlamentar. Em abril de 2024, Leandro viralizou ao pular o muro da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia do Hospital do Oeste, em Barreiras.
O deputado alegou que havia sido impedido de fiscalizar o equipamento e decidiu entrar pela área externa. A Secretaria da Saúde da Bahia criticou a atitude e afirmou, na época, que a conduta poderia colocar em risco a segurança dentro da unidade.
O episódio mais espalhafatoso veio em julho deste ano. Durante uma visita à BA-649, entre Itabuna e Ilhéus, Leandro gravou um vídeo retirando uma placa instalada na rodovia enquanto acusava o Governo do Estado de promover uma “inauguração fake”. A Secretaria de Infraestrutura registrou boletim de ocorrência, e o líder do governo na Alba, Rosemberg Pinto (PT), acionou o Conselho de Ética da Casa e a Procuradoria-Geral do Estado.
A Seinfra sustentou que aquela era a primeira etapa do sistema viário e que outras intervenções continuavam em execução.
Na mira do TRE
Leandro ainda entrou na mira do TRE-BA durante a campanha após publicar um vídeo editado para simular uma conversa entre Jerônimo Rodrigues (PT) e Jaques Wagner (PT). Segundo a ação levada à Justiça Eleitoral, a montagem juntava falas fora de contexto e atribuía aos petistas crimes sem apresentar provas.
Outro nome que fez questão de ocupar o campo mais bolsonarista foi o vereador de Salvador Cezar Leite (PL). Candidato a deputado estadual, ele recebeu 34.596 votos e ficou na suplência.
Antes das urnas, Cezar circulou bastante. Em maio, viajou com Leandro de Jesus para Dallas, nos Estados Unidos, para uma reunião com Eduardo Bolsonaro dentro da articulação batizada de “Missão 2026”. Segundo os participantes, houve ainda uma videochamada com Flávio Bolsonaro para tratar da mobilização da direita na Bahia.
O vereador também esteve por trás da articulação para conceder a Flávio Bolsonaro o título de cidadão soteropolitano. A homenagem chegou a provocar protestos e bate-boca na Câmara Municipal de Salvador. Mais tarde, Cezar participou de atos contra o ministro Alexandre de Moraes e esteve entre os mobilizadores da manifestação bolsonarista de 7 de Setembro no Farol da Barra. Apesar da exposição, a cadeira na Alba não veio.
Falou demais
Se teve um resultado que escancarou a distância entre discurso e voto, foi o do Sargento Igor Mandacaru. Hoje no DC, mas candidato pelo PL em 2024 e ligado politicamente ao deputado federal Capitão Alden, Mandacaru recebeu apenas 203 votos na disputa para deputado estadual em 2026.
O número ganha ainda mais peso quando se olha para trás. Em 2024, durante a disputa para vereador de Lauro de Freitas, Mandacaru lançou um desafio público e afirmou: “Em Lauro de Freitas terei mais voto que Rosalvo”, referindo-se ao então candidato petista à prefeitura. O resultado passou longe da previsão: Rosalvo teve 47.890 votos, enquanto Mandacaru terminou a eleição para vereador com apenas 67.
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A campanha dele já apostava na exposição pelas redes. Mandacaru publicava vídeos de fiscalização, mostrava problemas de infraestrutura de Lauro de Freitas e chegou a afirmar que a prefeitura só funcionava “sob pressão” após uma intervenção em uma passarela denunciada por ele.
Também foi apresentado como nome da direita local com apoio de Capitão Alden e presença em agendas de Jair Bolsonaro na Bahia. Dois anos depois, o salto para uma disputa estadual elevou sua votação de 67 para 203 votos, ainda muito distante de uma cadeira na Alba.
Outros ficaram pelo caminho
O PL também viu outros candidatos ligados principalmente à pauta de segurança pública ficarem longe das vagas. O Coronel França recebeu 36.392 votos e terminou como suplente. Ele já havia tentado a Alba em 2022 e perdido a eleição para prefeito de Teixeira de Freitas em 2024. Em 2026, voltou a disputar uma cadeira estadual, mais uma vez sem conseguir se eleger.
Mais abaixo na contagem aparecem resultados ainda menores. O Sargento Paulo Tarso (PL), por exemplo, conseguiu 408 votos para deputado estadual. Na corrida federal, Sargento Joel recebeu 1.851; Ney Pinheiro, 1.583; e o candidato que adotou o nome de urna “Nicolau Agora É Federal” terminou com 600 votos. Todos ficaram sem mandato.
Isso não significa, no entanto, um fracasso eleitoral generalizado do PL, muito pelo contrário. O partido conseguiu eleger nomes fortes para a Câmara, como Doutora Raissa Soares, Roberta Roma, João Bacelar e Capitão Alden.

