
Com apenas 21 anos, mais de meio milhão de votos e uma presença nas redes que muita gente grande da política gostaria de ter, Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) saiu das urnas diretamente para o núcleo de atenção da campanha presidencial.
Eleita deputada federal por Minas Gerais no último domingo (4), a jovem agora foi chamada para ajudar Lula (PT) a melhorar justamente um dos pontos considerados mais frágeis da campanha petista: a comunicação digital.
Ana Elisa conquistou 524.219 votos em sua primeira eleição, ficando atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL) entre os candidatos à Câmara por Minas Gerais. O resultado fez dela a mulher mais votada da história do estado para deputada federal. Aos 21 anos, idade mínima permitida para ocupar uma cadeira na Câmara, ela também se tornou a deputada federal mais jovem já eleita no país.
Natural de Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, Ana Elisa nasceu em 31 de agosto de 2005. Estudante de Direito, ela trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) antes de mergulhar de vez na disputa eleitoral. A petista se filiou ao partido somente em março deste ano e, poucos meses depois, saiu das urnas como um dos principais fenômenos eleitorais da esquerda em 2026.

Da internet para Brasília
Foi nas redes sociais que Ana Elisa construiu boa parte de sua projeção. Antes mesmo da eleição, já reunia cerca de 1,9 milhão de seguidores em uma das plataformas. Depois da votação, ultrapassou a marca de 2,4 milhões. Seus conteúdos abordam política, racismo, feminismo, educação, direitos sociais e temas ligados à juventude.
A força digital também apareceu na própria campanha. Em vez de depender principalmente da estrutura tradicional de rua, Ana apostou pesado em vídeos curtos, linguagem direta e conteúdos pensados para circular no Instagram, TikTok e outras plataformas.
Criada por uma mãe solo, professora de português, a mineira também tem uma relação com manifestações culturais tradicionais do estado. Ana Elisa participa do Reinado, expressão religiosa e cultural afro-brasileira bastante presente em Minas Gerais, e já relacionou essa experiência à sua formação pessoal e política.
Entre as bandeiras levadas para a campanha estão o fim da escala 6x1, redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário, proteção para trabalhadores de aplicativos e políticas de primeiro emprego. Ela também defende mais recursos para universidades e Institutos Federais, ampliação do Pé-de-Meia, passe livre estudantil e políticas de igualdade racial e de proteção às mulheres.
Reforço para Lula no segundo turno
O desempenho nas urnas chamou a atenção do núcleo de Lula. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), a campanha petista iniciou uma reorganização e resolveu chamar parlamentares com grande alcance entre os jovens e nas redes sociais.
Ana Elisa entrou neste grupo e se reuniu com Lula em Brasília na quarta-feira (7). O encontro teve como um dos principais assuntos justamente a comunicação da campanha no segundo turno. Antes disso, ela também havia se encontrado com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
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A deputada eleita tem defendido uma mudança na forma como a esquerda encara a internet. Para ela, já não dá mais para separar mobilização política nas ruas daquela feita pelo celular.
“Não existe mais separação entre redes e ruas”, afirmou Ana Elisa ao defender que a campanha abandone conteúdos excessivamente longos e aposte mais em vídeos para feed, Reels e TikTok.
Nesta quinta-feira (8), ela voltou a bater na tecla e avaliou que “o único lugar que Lula perdeu” foi nas redes sociais. Segundo Ana Elisa, o presidente tem facilidade diante das câmeras e precisa adaptar essa característica à comunicação feita diretamente pelo celular.
Além da forma, ela também cobra mudança no conteúdo. Ana Elisa está entre os jovens aliados que defendem que Lula fale menos apenas sobre o que já fez e apresente de maneira mais clara propostas para um eventual novo mandato. A avaliação feita dentro desse grupo é que somente recorrer à trajetória do presidente pode não ser suficiente para conquistar novos eleitores.
A missão de Ana Elisa passa ainda por Minas Gerais, estado onde Lula ficou atrás de Flávio no primeiro turno. A deputada defende buscar eleitores que optaram por candidatos da chamada terceira via e recuperar regiões nas quais o PT perdeu terreno.

