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operação gênesis - 16/06/2026, 14:10 - Nilson Marinho, Bruno Dias e Laís Machado - Atualizado em 16/06/2026, 14:27

Saiba quem é Deli, líder de facção ligado a 15 homicídios em Salvador

Suspeito morreu durante troca de tiros com a polícia nesta terça-feira (16)

Rogério de Andrade Gonçalves, conhecido como Deli morreu em confronto com a polícia
Rogério de Andrade Gonçalves, conhecido como Deli morreu em confronto com a polícia |  Foto: Reprodução

Apontado como uma das principais lideranças de uma organização criminosa responsável por pelo menos 15 homicídios em apenas um ano em Salvador, Rogério de Andrade Gonçalves, de 33 anos, o "Deli", morreu em uma troca de tiros com policiais militares na manhã desta terça-feira (16).

O suspeito foi atingido durante a Operação Gênesis, deflagrada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Retirolândia, no nordeste baiano.

O MASSA! apurou que o suspeito havia sido condenado a 8 anos e 9 meses de prisão em regime fechado por tráfico de drogas após ser flagrado transportando 379 gramas de maconha no bairro de Paripe, no Subúrbio Ferroviário. A condenação foi proferida após a conclusão de um processo que se arrastou por quase nove anos desde a prisão em flagrante, ocorrida em abril de 2017.

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Na ocasião, Rogério foi abordado por policiais militares enquanto estava dentro de um veículo estacionado às margens da BA-528, no sentido Base Naval de Aratu, em uma região conhecida pela intensa movimentação do tráfico de drogas.

Segundo os relatos dos agentes, além da maconha encontrada no interior do carro, mensagens localizadas no celular do suspeito indicavam possível envolvimento com roubos de celulares e ataques a tiros na localidade conhecida como "Vietnã", no bairro de Águas Claras.

Durante o processo judicial, Rogério negou ser o proprietário da droga. Ele sustentou que nenhum entorpecente havia sido encontrado inicialmente no veículo e alegou que os próprios policiais teriam colocado o material no carro antes de apresentá-lo na delegacia. A versão, no entanto, foi rejeitada pela Justiça, que considerou as provas suficientes para a condenação.

Mais de 20 suspeitos foram alcançados durante a operação
Mais de 20 suspeitos foram alcançados durante a operação | Foto: Divulgação/ Polícia Civil

23 alcançados em três estados

Conforme a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), além de Rogério, outras 21 pessoas foram alvos da Operação Gênesis. Mandados judiciais foram cumpridos em Salvador, Lauro de Freitas, Macaé, no Rio de Janeiro, e nos municípios catarinenses de Balneário Camboriú e Itapema.

Já no final desta manhã, um 23º suspeito, identificado como Jeamerson dos Santos Serafim, foi preso em flagrante no bairro de Pau Miúdo, em Salvador, como desdobramento da operação. Ele foi apontado como responsável pela logística do repasse de armas e drogas, bem como os valores adquiridos através dos esquemas.

Jeamerson dos Santos Serafim
Jeamerson dos Santos Serafim | Foto: Reprodução

De acordo com as investigações, Rogério exercia papel central na estrutura da organização criminosa, sendo apontado como responsável por determinar ações ligadas ao tráfico de drogas, homicídios e outras atividades ilícitas praticadas pelo grupo na região de Águas Claras.

Durante o confronto em Retirolândia, um policial chegou a ser atingido por estilhaços. Rogério foi socorrido, mas não resistiu e morreu no hospital, segundo o delegado Marcelo Calmon, responsável pela Operação Gênesis.

"Uma operação que tinha por objetivo tirar de circulação indivíduos envolvidos com a prática de homicídios naquela localidade, além de tráfico de drogas e dominação territorial organizada", disse Calmon.

Delgado Marcelo Calmon
Delgado Marcelo Calmon | Foto: Bruno Dias/ Portal MASSA!

Mortes através do comando

Segundo o delegado, todos os 15 homicídios investigados ocorreram no bairro de Águas Claras, entre 2024 e 2026, e as mortes tinham um padrão de hierarquia: as ordens sempre partiam do comando do grupo.

"Sempre a morte vinha através do comando. Pelo que a gente apurou, sempre partia dele a autorização para que essas mortes acontecessem. Aconteciam as mortes, o pessoal fazia, matava, praticava os homicídios e sempre prestava contas a eles", afirmou Calmon.

Fontes confirmaram ao MASSA! que Rogério assumiu o controle da organização após a morte de Firmino, um dos antigos fundadores do grupo. O outro líder identificado nas investigações é Elton, conhecido como "Coty", preso desde 2023 e recolhido no Conjunto Penal Masculino, em Mata Escura. Ele foi alcançado em Uberlândia e transferido para Salvador.

Drones, câmeras e barricadas: a estrutura do grupo

As apurações também indicam que a facção possuía uma estrutura organizada e alto grau de violência. O grupo utilizava barricadas, sistemas de videomonitoramento, câmeras de segurança e drones para monitorar a movimentação das forças policiais e intimidar moradores das áreas sob sua influência.

Ainda segundo as investigações, a organização criminosa iniciou suas atividades em Águas Claras e, posteriormente, expandiu sua atuação para o estado de Santa Catarina, onde mantinha um núcleo operacional voltado ao tráfico de drogas e à prática de homicídios.

Os alvos com mandados em Santa Catarina — todos baianos radicados no estado há pelo menos um ano —, foram alcançados. "Seis foram alcançados, 100%", destacou o delegado Calmon.

O delegado explicou que o grupo não tinha vínculo com as duas maiores facções criminosas da Bahia e chegou a rivalizar com elas dentro do próprio bairro de Águas Claras.

"Ele inclusive rivalizava com essas duas outras facções. Dentro daquele mesmo bairro existiam outras facções que eles rivalizavam ali por espaço, territorialmente falando. Inclusive, um dos principais rivais desse grupo criminoso é justamente a facção de Três Letras", disse.

Sobre a operação

Calmon lembrou ainda que a Operação Gênesis é desdobramento da Operação Saigon, deflagrada em setembro de 2023 contra o mesmo grupo. "Com o desmantelamento desse grupo na Operação Saigon em 2023, houve enfraquecimento, mas logo após eles retomaram na força, retornando com sua capilaridade financeira, com a ascensão do Rogério à frente daquele grupo", explicou.

A Operação Gênesis é coordenada pelo DHPP e contou com o apoio de diversos departamentos da Polícia Civil da Bahia, entre eles o DRACO, DEPOM, DIP, DEPIN, DEIC, DENARC, DPMCV, POLINTER e CORE, além da Superintendência de Inteligência da SSP-BA e das Polícias Civis do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Ao todo, mais de 300 policiais e 80 equipes foram mobilizados na ação simultânea nos três estados.

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