
Uma operação da Polícia Civil da Bahia desarticulou, nesta quinta-feira (10), um esquema de tráfico interestadual de drogas e armas que movimentou mais de R$ 4 milhões. Batizada de Reino Oculto, a ação terminou com 33 pessoas presas e apreendeu 17 quilos de drogas, armas, munições, veículos, joias e mais de R$ 83 mil em espécie, além de US$ 470.
A operação foi realizada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC), com apoio do Ministério Público da Bahia (MPBA) e de diversos departamentos da Polícia Civil. As investigações começaram em março deste ano e identificaram uma organização com núcleos responsáveis pelo comando, armazenamento, logística e administração financeira do tráfico.
Entre os presos está um homem conhecido como “Gnomo”, identificado como Roger. Segundo a Polícia Civil, ele é apontado como uma das lideranças do tráfico de drogas em Itapuã, em Salvador. O suspeito foi localizado em um condomínio de alto padrão no bairro.
De acordo com as investigações, Roger seria responsável por articular negócios ilícitos com grupos criminosos de outros estados. A organização, além de distribuir e revender drogas, também atuava no fornecimento de armas de fogo.
Drogas eram escondidas dentro de eletrodomésticos
Um dos mecanismos utilizados pelo grupo para transportar os entorpecentes chamou atenção dos investigadores. Uma mulher presa em Lauro de Freitas é suspeita de usar a estrutura da empresa de transporte de encomendas onde trabalhava para enviar drogas entre diferentes estados.
As cargas ilegais eram escondidas em falsas encomendas, principalmente dentro de eletrodomésticos. Dessa maneira, os criminosos conseguiam utilizar o sistema regular de transporte para tentar dificultar a identificação dos entorpecentes.

A investigação também apontou uma divisão de tarefas dentro da organização. Havia pessoas responsáveis pela gestão financeira, pelo armazenamento das drogas e pela logística necessária para a distribuição dos produtos.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, André Viana, o grupo tinha movimentação financeira superior a R$ 4 milhões e também estava envolvido com o comércio de armas.
“As investigações, iniciadas em março deste ano, identificaram que uma funcionária de uma empresa de transporte de encomendas utilizava a estrutura da empresa para transportar drogas entre estados. As cargas ilícitas eram escondidas em falsas encomendas, principalmente no interior de eletrodomésticos”, destacou.
33 prisões em quatro estados
Das 33 prisões realizadas durante a operação, 26 aconteceram em Salvador. Outras duas ocorreram em Juazeiro e Senhor do Bonfim, no norte da Bahia, três em Sergipe, uma em São Paulo e uma em Lauro de Freitas.
As ordens judiciais foram cumpridas em diferentes pontos da capital baiana, incluindo Pau da Lima, Fazenda Grande I, Arraial do Retiro, Itacaranha, Imbuí, Itapuã, Vale dos Lagos, Pernambués e São Cristóvão.
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Também houve ações em Lauro de Freitas, nos bairros de Vida Nova e Ipitanga; em Vila de Abrantes, em Camaçari; e nos municípios de Simões Filho, Juazeiro e Senhor do Bonfim.
Fora da Bahia, os investigadores cumpriram mandados em São Paulo e Guarujá, em São Paulo; Serra e Vitória, no Espírito Santo; e Aracaju e Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe.
Drogas, armas e dinheiro apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, foram encontrados 17 quilos de entorpecentes entre cocaína, maconha, MDMA, haxixe e Ice. A polícia também apreendeu uma pistola, duas réplicas de pistolas e uma réplica de fuzil, além de 66 munições.
Quatro carros e três motocicletas também foram recolhidos, assim como joias, celulares, notebook, balanças digitais e cadernos com anotações que, segundo os investigadores, possuem relação com as atividades criminosas.
Ao todo, foram apreendidos mais de R$ 83 mil em dinheiro e US$ 470.
A operação contou com equipes do DEIC, da Superintendência de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA), dos departamentos de Polícia Metropolitana (DEPOM), de Polícia do Interior (DEPIN), de Inteligência Policial (DIP), de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO), de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC) e de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV).
Também participaram a Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE), o Departamento de Polícia Técnica (DPT) e as Polícias Civis de São Paulo, Espírito Santo e Sergipe.

